Opinião

Tricampeão no Ideb: ensino de primeira impulsiona o crescimento econômico do Paraná

Educação é o nome técnico que se dá à riqueza antes que ela apareça no extrato. O Paraná acaba de provar isso pela terceira vez consecutiva: o estado ficou novamente em primeiro lugar no ranking nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação e pelo Inep.

Não é um resultado isolado, tampouco fruto do acaso estatístico. É a consequência visível de uma decisão que, em qualquer país sério, deveria ser óbvia, mas que o Brasil insiste em tratar como secundária: investir em ensino é investir em futuro, e o futuro, ao que tudo indica, tem sido gentil com quem o planeja.

Os números confirmam a régua: 5,1 no Ensino Médio, 5,8 nos Anos Finais do Ensino Fundamental da rede pública e 6,9 nos Anos Iniciais, também na rede pública.

No Ensino Médio, o Paraná superou Piauí (5,0), Espírito Santo e Rio Grande do Sul (ambos com 4,9), e deixou a média nacional (4,5) e a média das redes estaduais do país (4,3) visivelmente atrás.

Nos Anos Finais, a nota de 5,8 na rede pública superou a média nacional de 5,0; somando todas as redes, o estado chegou a 5,9, à frente de Ceará e Goiás, ambos com 5,7. Já nos Anos Iniciais, a marca de 6,9 superou o índice nacional de 6,1 e ultrapassou Ceará (6,8), Santa Catarina e São Paulo (6,5 cada).

Há um detalhe que a manchete não costuma capturar, mas que separa o Paraná do restante do país: enquanto outros estados aparecem aos saltos, com destaques pontuais em alguma etapa isolada, o Paraná se diferencia pela continuidade.

É a evolução ao longo de toda a trajetória escolar, e não um lampejo isolado, que sustenta a liderança na etapa mais decisiva da educação básica, o Ensino Médio, historicamente o ponto fraco do Brasil.

Desde 2017, quando a nota paranaense na etapa era 4,0 e o estado ocupava a 9ª posição nacional, até os atuais 5,1, o avanço colocou o Paraná no topo. Nos Anos Finais do Fundamental, o indicador passou de 4,9 para 5,9 no mesmo intervalo.

O detalhamento por disciplina revela algo digno de nota: entre 2023 e 2025, a proficiência em Matemática cresceu mais do que em Língua Portuguesa. Nos Anos Finais, o avanço em Matemática foi de 10,70 pontos, contra 7,98 em Português; no Ensino Médio, 10,61 pontos em Matemática ante 8,48 em Português.

Idioma e número — a dupla que sustenta qualquer economia moderna, porque não existe inovação sem raciocínio lógico, nem negociação, contrato ou tecnologia sem domínio da própria língua.

E a distância entre redes pública e privada, aquele fosso que costuma expor as desigualdades brasileiras, também encolheu: nos Anos Iniciais, caiu de 1,1 para 0,5 ponto; no Ensino Médio, de 1,2 para 0,8.

“Nós não podemos voltar para trás. A melhora é a longo prazo, mas a piora é muito rápida na educação. Então é preciso manter esse planejamento e olhar pro futuro”, disse o governador Ratinho Júnior ao comentar o resultado.

A frase resume, sem retórica de campanha, o que dois mandatos de política educacional consistente conseguiram construir: não um projeto de gestão, mas uma política de Estado.

O secretário de Educação, Roni Miranda, dá a fórmula da metodologia por trás do sucesso paranaense: apoio aos municípios mais pobres, avanço na entrega pedagógica, alfabetização e ampliação do tempo integral.

“A gente tem mostrado para o Brasil que a educação pública tem jeito e que é possível fazer uma educação de qualidade para os filhos das pessoas mais vulneráveis do nosso estado”, completou.

Entre as iniciativas que sustentam o resultado está o Programa de Recomposição da Aprendizagem, implementado em 2025, que oferece duas aulas semanais adicionais de Português e Matemática para o 9º ano do Fundamental e a 3ª série do Médio, com dois professores em sala, avaliações periódicas e planejamento específico.

Em seu primeiro ano, o programa já atendeu mais de 251 mil estudantes. É o tipo de política pública que deveria ser replicada por qualquer gestor que trate a educação como prioridade e não como linha de despesa a ser cortada em ano de aperto fiscal.

O que os relatórios técnicos raramente conectam, e que talvez seja a chave para entender o Paraná contemporâneo, é a relação direta entre essa liderança educacional e a trajetória econômica do estado.

Não é coincidência que, nos mesmos anos em que o Paraná consolidou sua liderança em educação básica, o estado tenha saltado da quinta para a quarta posição entre as maiores economias do Brasil, com o PIB praticamente dobrando, de R$ 440 bilhões em 2018 para R$ 765 bilhões em 2025.

Educação de qualidade não é acessório do desenvolvimento: é a sua pré-condição, e os números da atração de investimentos privados comprovam a tese sem margem para dúvida.

Desde 2019, o Paraná já recebeu R$ 300 bilhões em aportes privados, direcionados à construção de novas fábricas e à expansão de operações nos setores de agroindústria, automotivo e eletroeletrônico.

Somente em 2025, o programa Paraná Competitivo fechou 136 contratos em 49 municípios e bateu recorde histórico, com R$ 15 bilhões assinados em um único ano, 8% acima dos R$ 13,8 bilhões de 2024.

Um estado que forma mão de obra mais qualificada atrai capital, e capital atrai mais capital, num círculo que se retroalimenta.

E é aqui que o Brasil precisa se olhar no espelho. O país carrega, entre as nações emergentes, uma das escolaridades mais baixas e, como consequência direta, uma das produtividades mais baixas do mundo.

Não é força de trabalho que falta ao brasileiro, nem disposição. É formação. A produtividade de um trabalhador alemão, para citar apenas um exemplo entre as economias mais avançadas, ainda equivale à de vários trabalhadores brasileiros somados — não por falta de empenho, mas por décadas de descaso com a escola pública.

A educação foi o pilar que sustentou o salto das nações que hoje lideram a economia global, e é exatamente esse pilar que o Paraná decidiu, com método e continuidade, levar a sério.

O resultado divulgado nesta semana não é apenas um número a mais em uma tabela do MEC. É a prova de que existe um caminho, testado e replicável, entre a sala de aula e o crescimento de um estado.

E enquanto o Brasil discute produtividade em fóruns e seminários, o Paraná já respondeu à pergunta na prática: primeiro se educa, depois se colhe.

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