OPINIÃO

A velha luta de classes é o novo truque de um governo encurralado

Quando falta projeto, sobra narrativa. E no caso do governo Lula, a retórica de sempre volta à cena como tábua de salvação: ricos contra pobres, opressores contra oprimidos, bilionários exploradores contra um povo faminto e indefeso.

É o velho script marxista reencenado em palanque nacional — com direito a platéia cativa, manchete simpática e, claro, aumento de imposto no fim do espetáculo.

Com a popularidade caindo pelas tabelas, o governo escolheu mais uma vez a trilha da divisão. A economia em frangalhos, a inflação em alta, os juros nas alturas, o rombo nas contas públicas — tudo isso pede ajustes, cortes, responsabilidade. Mas o que se oferece ao país é o mais primitivo dos remédios políticos: um bode expiatório.

Como mostrou a jornalista Raphaela Ribas em artigo publicado recentemente, mesmo com a maior carga tributária dos últimos 15 anos, o governo não quer reduzir despesas — quer fazer você pagar mais. E a justificativa está pronta: é preciso taxar os super-ricos! Afinal, quem pode ser contra isso, não é mesmo?

A proposta soa popular, quase heroica. Mas como toda narrativa populista, ela começa distorcendo os fatos e termina sabotando a própria economia. É o que já vimos na Argentina, na Venezuela, em Cuba, na Alemanha nazista, na Coreia do Norte — e agora, em seus primeiros sintomas, até na Noruega.

Um exemplo do modus operandi petista: o recente decreto de Lula, feito às pressas, que aumenta o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Um presente de grego travestido de política fiscal.

Rechaçada pelo Congresso Nacional, a medida foi temporariamente suspensa pelo Supremo Tribunal Federal na tentativa de arbitrar um consenso entre o Executivo e o Parlamento. Mas a intenção do Palácio do Planalto é clara: fazer caixa a qualquer custo, jogando a conta nas costas de quem movimenta o país.

Para não parecer apenas uma obsessão arrecadatória, o governo recorre ao linguajar que já usou outras vezes — com sucesso, diga-se. Volta a vestir a fantasia de “pai dos pobres” e aponta o dedo para os “ricos”, os “privilegiados”, os “bilionários”. Nada muito diferente de outros momentos da história mundial, em que esse tipo de discurso terminou em tragédia.

Adolf Hitler, por exemplo, apresentava-se como defensor dos operários, enquanto firmava parcerias lucrativas com empresas como Bayer, BMW, Siemens e Hugo Boss. O anticapitalismo era só fachada: os empresários enriqueciam, e os judeus viravam vilões oficiais — até serem exterminados com apoio logístico do próprio Estado.

Na Venezuela, Hugo Chávez chegou ao poder prometendo repartir a riqueza do petróleo. O resultado: hiperinflação, êxodo de quase 8 milhões de pessoas e a substituição da antiga burguesia pela casta bolivariana dos leais ao regime. Hoje, 80% da população vive na pobreza, e os únicos ricos que restaram são os do alto escalão chavista que lambe as botas do ditador Nicolás Maduro.

A Argentina trilhou caminho semelhante. Quando Juan Perón assumiu, o país estava entre os mais ricos do planeta. Saiu dele com funcionalismo público inflado, economia desajustada e inflação endêmica. O resultado de políticas populistas travestidas de justiça social foi o empobrecimento acelerado da nação — processo que se arrasta até hoje.

Na Coreia do Norte, o discurso igualitário é piada de mau gosto. O país é dividido por castas hereditárias, onde os “mais confiáveis” vivem bem, e os “menos confiáveis” quebram pedras e passam fome. A única riqueza permitida por lá é a dos que orbitam em torno da dinastia ditatorial.

E se alguém acha que isso é exclusividade do Terceiro Mundo, vale lembrar a Noruega: um dos países mais desenvolvidos do planeta, mas que começou a ver seus bilionários e multimilionários fugirem em massa após o aumento do imposto sobre a riqueza. A consequência? Fuga de capitais, retração produtiva e risco real de desaceleração. Não importa se o país é rico — taxar indiscriminadamente os mais produtivos sempre gera efeitos colaterais.

E por aqui? Por aqui temos um presidente que declarou R$ 7,4 milhões de patrimônio à Justiça Eleitoral, mas insiste em posar como inimigo dos ricos. Temos uma primeira-dama sem cargo público, mas com um gabinete de R$ 2 milhões por ano. Temos um governo que não corta onde deveria, mas exige sacrifício de quem trabalha, investe e arrisca.

O economista Fábio Murad, ouvido por Raphaela Ribas, foi preciso ao apontar os efeitos perversos dessa retórica de luta de classes: afugenta investimentos, penaliza o pequeno investidor e compromete o ambiente de negócios.

E como se não bastasse o estrago econômico, essa histeria ideológica começa a provocar distúrbios sociais. Um exemplo lamentável: os ataques online a uma menina de 5 anos por usar uma bolsa cara — com professor sugerindo “guilhotina” para a criança. Em que ponto chegamos?

Outro: a invasão de uma agência bancária no coração financeiro de São Paulo por militantes do MTST. Justificados, claro, por essa nova licença moral para o ódio de classe, alimentada e legitimada pelo discurso oficial.

O historiador alemão Rainer Zitelmann, especialista em regimes autoritários e estudioso da prosperidade das nações, resume bem: “O ódio aos ricos já destruiu muitos países. Políticos incompetentes estão sempre à procura de bodes expiatórios para os seus próprios fracassos”.

E completa com uma pergunta desconcertante:

“Você pode me mostrar um único país no mundo onde a luta contra os ricos tenha levado à prosperidade para os pobres?”

Não existe. E não existirá. Porque o que gera prosperidade não é ressentimento — é liberdade. Liberdade de empreender, investir, crescer. A guerra de classes nunca tirou país nenhum da pobreza. Mas já empurrou muitos para o buraco.

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Um Comentário

  1. “Natura non saltis dat” – Esopo – Século VII (a C) A natureza não dá saltos!
    “Non bene per toto libertas venditur auro”
    Não troco a minha liberdade por ouro nenhum do mundo!
    “Vaca et capela et bovis et Léo” / A vaca, a Cabrinha, o Boi do Leão”/ os quatro animais fizeram pacto de divisão perfeita, entre eles:
    Na primeira oportunidade, o Leão determinou: A primeira parte é minha porque sou vosso sócio; A segunda é minha porque sou Rei dos animais; A terceira é minha porque sou poderoso; E hão daqueles que se apoderarem da quarta parte!
    A SOCIEDADE COM UM PODEROSO NUNCA É SEGURA!
    Esopo, escravo grego, conseguiu alforria pela inteligência; foi executado pela inveja dos canalhas!!!

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