OPINIÃO

Bloco de Notas

1. Rodovias que respiram

A EPR Iguaçu nem bem completou sua primeira semana de operação e já demonstra fôlego de maratonista. Com 662 quilômetros sob sua responsabilidade, no trecho que corta o Oeste e o Sudoeste do Paraná, a concessionária realizou mais de 1.700 atendimentos médicos e mecânicos — o que, numa conta simples, dá quase dez chamados por hora. Pavimentos vêm sendo restaurados, 68 quilômetros já recompostos com mais de 26 mil toneladas de asfalto quente, e 850 novas placas sinalizam a paisagem que começa a se civilizar. A concessão avança como um marco silencioso, mas firme, na reorganização logística do Estado.

2. O grito sufocado de um país dividido

Na Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado Ricardo Arruda comandou a audiência pública “Paraná pela Anistia”, ecoando o clamor de grande parte da sociedade brasileira que vê nos réus do 8 de Janeiro não criminosos, mas vítimas de um processo judicial kafkiano. O delegado e deputado Tito Barichello foi direto: “Nunca vi tantos direitos serem violados de uma só vez”. O advogado criminalista Jeffrey Chiquini completou: “O povo criou o Estado e o Estado não pode se voltar contra o povo”. Resta saber quem ouvirá esse grito. Se o silêncio persistir, a anistia não será apenas um debate jurídico, mas um ato de resistência.

3. A reeleição morre com Lula

A CCJ do Senado aprovou o fim da reeleição para cargos do Executivo. Coincidência? Dificilmente. Com Lula tentando o quarto mandato e surfando na impopularidade, a paciência do eleitorado parece ter secado. Pesquisa do Ipec mostra que 62% dos brasileiros não querem mais saber do petista em 2026. Entre os motivos: corrupção, ineficiência, velhice e esgotamento moral. A reeleição, antes tratada como prêmio à competência, virou escudo de mediocridade. E, ironicamente, o fim dessa prática poderá ser seu maior legado.

4. Licença para destravar o Brasil

Depois de duas décadas de debates, o Senado aprovou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental. A proposta busca dar previsibilidade ao processo, eliminar duplicidades e destravar cinco mil obras de infraestrutura paradas pelo país. A gritaria dos ecoativistas financiados por ONGs estrangeiras já começou — para eles, qualquer árvore caída é uma tragédia shakespeariana. Mas o país não pode mais ser prisioneiro de um ambientalismo punitivo, onde o “não” é regra e o “sim” depende de um milagre ou um despacho jurídico. O novo marco pode ser a ponte entre o progresso e o bom senso.

5. Tera, o brasileiro que mira o topo

O Volkswagen Tera chega ao mercado neste domingo (25) como o mais novo competidor entre os SUVs compactos. Em Cascavel, a avant-première do carro está marcada para o dia 5 de junho, na concessionária Barigüi. Projetado no Brasil e com design assinado pelo talentoso José Carlos Pavone, o modelo aposta em inovação, tecnologia e versatilidade. Com versões que vão do motor 1.0 aspirado ao turbo 170 TSI, o Tera vai se posicionar entre o Polo e o Nivus na linha da Volkswagen, que, mantendo sua tradição de renovar o portfólio e surpreender o mercado, entrega um SUV com pinta de protagonista — moderno no desenho, completo no conteúdo e certeiro na estratégia.

6. A geração sem roteiro

A Geração Z parece ter feito um pacto com o agora. Não trabalha, não estuda, não se treina — por escolha. Preferem um emprego leve, sem chefes exigentes, sem horários e, de preferência, sem pressão. O futuro? “Deprimente”, dizem. O mundo competitivo os repele. O problema é que o boleto chega todo mês — e nem sempre há um aplicativo para isso. Muitos estão virando especialistas em sobreviver com o mínimo e esperar que a vida não exija mais. Peter Pan trocou a Terra do Nunca por um quarto escuro com Wi-Fi.

7. O milagre argentino

Fabio Giambiagi visitou a Argentina de Milei e voltou com uma lista de feitos: inflação derretida, dólar estável, déficit sob controle, apoio popular em alta e domínio da rua. Tudo isso em pouco mais de um ano. O histriônico libertário mostrou que é possível dançar com o caos e ainda conduzir a orquestra. Claro, o ajuste tem custo social alto, e a valorização cambial acende luz amarela. Mas num cenário onde Cristina virou fantasma, Macri perdeu relevância e a esquerda ainda sonha com 1950, a realidade é uma só: hay Milei para rato.

8. A fábrica de filiações fantasmas

Em 2024, sindicatos e associações ligadas ao INSS chegaram a cadastrar 83 “filiados” por minuto. Isso mesmo: 1.380 aposentados por hora, que — segundo eles — pediram espontaneamente para doar parte de seus benefícios. A maioria, claro, nunca soube disso. O escândalo não é novo, mas ganhou velocidade com o governo atual, que há tempos reluta em aplicar controles que desagradem suas bases sindicais. O ministro Carlos Lupi disse que “o tempo do governo não é o da iniciativa privada”. De fato, na privada não se toleraria uma fraude desse tamanho.

9. As duas filas da vergonha

A primeira fila: 1,7 milhão de aposentados lesados por descontos indevidos querem seu dinheiro de volta. A segunda: 2,6 milhões de brasileiros esperando resposta do INSS para sua aposentadoria. Enquanto isso, o governo que prometeu zerar a fila não entrega nem a senha. É uma máquina eficiente para repassar bilhões a entidades suspeitas, mas incapaz de honrar quem já deu tudo ao país. Duas filas e um país esgotado e cansado de tanta incompetência e bandalheira.

10. O dedo em riste de Sua Excelência

Durante depoimento no STF, o ex-ministro Aldo Rebelo ousou filosofar sobre “força de expressão” e irritou Alexandre de Moraes. O ministro supremo reagiu com ameaça de prisão. A cena seria tragicômica se não fosse real. O comentarista Demétrio Magnoli, da GloboNews, classificou o gesto como “arbitrariedade absoluta”. Quando até a Globo percebe que a toga virou cacetete, é porque o nível de intolerância judicial ultrapassou os limites do aceitável. Moraes, que tanto exige compostura, talvez devesse olhar no espelho da democracia antes de apontar o dedo.

11. O ministro perdidaço

Em sua coluna no Estadão, Carlos Andreazza resumiu bem: “O ministro da Fazenda está perdido. Perdidaço.” É inegável que Haddad tropeçou feio no pacote do IOF. Primeiro anunciou, depois foi desautorizado. E a decisão final nem contou com ele. Enquanto tenta fingir que comanda a economia, o que se vê é a velha receita: arrecadar para gastar — como num déjà-vu do desastre de Dilma. Agora, aciona o IOF como quem acende o pavio de uma bomba fiscal. E se já estão nesse desespero em 2025, o que virá em 2026? A ministra do Planejamento, Simone Tebet, já deu o tom: afirmou — em tom figurado, mas revelador — que “o mundo acaba em 2027”, referindo-se ao risco concreto de que, nesse ritmo de descontrole, a União chegue àquele ano sem recursos para honrar seus compromissos. O cataclismo que se avizinha nas finanças públicas é fruto de um governo que só pensa em arrecadar, nunca em cortar gastos — ou, quando corta, faz de forma simbólica, enquanto aumenta as despesas em outras frentes. Quando um integrante do primeiro escalão do governo reconhece a tragédia que se anuncia, é porque a coisa está feia mesmo.

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Um Comentário

  1. Como pode as arrecadações aumentarem e o governo não ter como pagar suas obrigações ? Como pode enganar o povo assim se o governo anterior passou por crises severas,pandemia e pagou ajuda de custos pesada e mesmo assim deixou 50bi em caixa ?
    Sobre Rabelo ,o em ministro de Dilma agora tende a direita e peitou Xandão com força .
    A reeleição acaba não só porque Lula não conseguirá chegar mas pra evitar que o próximo governo possa ser reeleito e assim digam que apenas a esquerda consegui reeleger os seus .

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