OPINIÃO

Como o sindicalismo petista “privatizou” o INSS

O Brasil é o único país onde até aposentado perde o sono com débito automático.

E não porque esqueceu de pagar a conta de luz — mas porque alguém que ele nunca viu tirou dinheiro direto da sua conta, com autorização que ele jamais deu, para um serviço que ele nunca pediu, em nome de uma entidade que ele não conhece.

E quando ele liga pra saber do que se trata, descobre que está “sindicalizado” por osmose.

O escândalo das fraudes nos débitos ilegais do INSS, desvendadas pela Polícia Federal na Operação Sem desconto, virou uma novela de proporções tropicais.

Entra governo, sai governo, mas o enredo é o mesmo: rouba-se do pobre com a frieza de quem arranca medalha de peito de criança. O que muda é quem escreve o capítulo da vez — e, nesse caso, o roteiro mais recente tem a digital do PT.

Desde que a oposição pediu a instalação de uma CPMI para investigar o caso, o barulho nas redes se intensificou.

De um lado, bolsonaristas como Nikolas Ferreira acusam Lula de ter criado o ambiente perfeito para o assalto institucionalizado aos aposentados.

Do outro, governistas tentam empurrar a culpa para o governo anterior, dizendo que foi Bolsonaro quem abriu as brechas legais.

Mas aí veio a jornalista Malu Gaspar, do Globo, com um balde de fatos e jogou a água fria em cima da narrativa petista.

A cronologia desmente o teatrinho. A Medida Provisória 871, enviada por Bolsonaro em 2019, tentava impor regras mais rígidas aos descontos.

Estava tudo lá: revalidação anual das autorizações pelos próprios beneficiários, controle sobre as entidades e, pasmem, 16 menções explícitas a fraudes no texto da exposição de motivos.

Mas o Congresso, movido a interesses que a Contag e outras entidades conhecem muito bem, tratou a tentativa de moralização como “retirada de direitos”.

A oposição da época — hoje governo — liderou a derrubada dos controles, estendeu prazos e desidratou os mecanismos de fiscalização.

O relator da MP era bolsonarista, sim, mas a autoria das emendas que afrouxaram as regras foi da esquerda.

A cereja do bolo foi o discurso triunfal do deputado Carlos Veras (PT-SP), irmão do então presidente da Contag, comemorando a “vitória dos trabalhadores”. Mal sabia ele que os “trabalhadores” seriam os primeiros a serem tungados.

E por falar em Contag: segundo dados da Controladoria-Geral da União, foi a entidade que mais lucrou com os descontos indevidos — 426 milhões de reais só em 2023.

Detalhe saboroso: o vice-presidente da Contag é ninguém menos que Frei Chico, irmão do presidente Lula.

A mesma entidade da qual partiu a articulação pela flexibilização das regras é hoje o epicentro do escândalo — e uma das campeãs na arrecadação. O círculo se fecha com perfeição sinistra.

Mas há um contexto mais amplo e ainda mais revelador: com o fim do imposto sindical obrigatório, os sindicatos — atrelados ao PT em sua esmagadora maioria — viram secar sua fonte histórica de recursos compulsórios.

E o que fizeram? Descobriram no INSS o mapa da mina.

Criaram, com o aval silencioso ou entusiástico de Brasília, um novo sistema de autofinanciamento, agora ainda mais lucrativo, e igualmente compulsório.

A diferença é que, dessa vez, a vítima não é o trabalhador na ativa — é o aposentado, mais vulnerável, menos informado, e sem força de reação.

A tentativa de jogar a culpa no governo anterior não passa de encenação mal ensaiada.

Porque a verdade — como bem escavou Malu Gaspar — está nos registros do Congresso: foi o PT, junto com seus aliados de sempre, quem desmantelou os controles.

E Lula, ao assumir, não só não reverteu o estrago como permitiu que a farra continuasse. E crescesse.

Agora, o governo corre para apagar incêndio com balde furado. Promete fiscalização, reavaliações, devoluções.

Mas quem devolve o que foi arrancado da dignidade de um aposentado que ganhava um salário mínimo e viu parte dele sumir mês após mês?

Quem vai reverter a cultura de impunidade que permite que entidades de fachada virem vampiros de velhinho?

É preciso mais que CPMI. É preciso punição exemplar — inclusive com o confisco do patrimônio de dirigentes dessas entidades.

Que devolvam o que sugaram. Com juros. Sem desconto.

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Um Comentário

  1. Na verdade estes desvios bilionário no INSS é uma espécie de 2°roubo dentro de uma mesma operação, explico:

    1° roubo: O Governo compulsoriamente forçar ao empregador a aderir ao Fundo gerido pela CEF (FGTS), através de contribuições mensais sobre um percentual do salário dos empregados, numa forma de “POUPANÇA FORÇADA” que é remunerada a módicos 3% a/a mais a variação da TR (“a taxa TR tem sido próxima de zero”). Ou Seja, o próprio Governo obriga a quem trabalha e produz neste País a “PERDER DINHEIRO” para o próprio Governo captar dinheiro na praça via CEF/FGTS a Taxa TR e lhe re-emprestar a Taxa SELIC (14,75% + prêmio de risco). Pode isso?

    2° Roubo: Como o saldo deste Fundo fica sob a gestão e administração do Governo e contém valores multimilionários, e por isso, qualquer zé em Brasília sabe que a CEF e o INSS/FGTS – são castas de alto valor agregado politicamente para o Governo trocar por apoio Político, uma vez que roubar dinheiro na CEF e INSS/FGTS é mais fácil do que tirar doce de criança.

    Alguém lembra dos “MEGA” investimentos realizados pelo FI-FGTS e das malas de dinheiro encontradas pela PF na casa da mãe do Ex-vice Presidente da Caixa Econômica Federal e Ministro dos Governos “Lulopetistas” o magnânimo sr Gedel Vieira Lima?

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