OPINIÃO

Bloco de Notas

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CDS é a sigla da expressão inglesa Credit Default Swap, nome de um papel financeiro que serve como um contrato de proteção contra possíveis calotes de emissores de títulos públicos, funcionando como uma medida do risco de um país não conseguir pagar suas dívidas. Ressalte-se que o CDS do Brasil chegou a 205 pontos no último dia 30 de dezembro, mês em que atingiu os patamares mais elevados desde maio do ano passado, subindo 72,53 pontos em relação a 2023. É a maior alta anual desde 2015, quando o país mergulhou na recessão econômica produzida pelo desastroso governo de Dilma Rousseff. A recuperação só veio em 2019, no governo Bolsonaro, quando o Risco-Brasil baixou a 128 pontos. Obviamente, os grandes fundos de investimentos globais evitam fazer negócios em países que correm o perigo de se tornarem insolventes. Sempre é bom lembrar.

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Por que será, aliás, que os investidores estrangeiros retiraram cerca de 24,2 bilhões de reais da Bolsa brasileira em 2024, consumando a maior fuga de capital internacional desde 2016? À toa é que não foi.

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Mesmo com as preocupações e incertezas sobre os rumos da economia, os brasileiros não deixaram de separar um dinheirinho para os presentes de fim de ano. Que o digam os lojistas estabelecidos nos shopping centers. As vendas de Natal nesses espaços cresceram 5,5% em 2024 na comparação com o período anterior, informa o índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), elaborado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O levantamento observa a atividade das lojas entre 19 e 25 de dezembro. O valor também veio acima da alta de todo o varejo, que foi de 3,4%, segundo o indicador. Nos sete dias até o Natal, o comércio nos shoppings movimentou R$ 5,94 bilhões, o que é o melhor resultado nominal da série histórica iniciada em 2019.

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Para empresários que vêm sonhando em participar mais diretamente da prosperidade do rico mercado norteamericano, tudo indica que vai abrir-se em 2025, com a volta de Donald Trump à Casa Branca, uma promissora janela de formidáveis oportunidades. Essa expectativa vem na esteira de uma das prioridades do novo governo, anunciada pelo presidente durante a campanha eleitoral: a implementação de uma forte política de reindustrialização do país. Haverá estímulos jamais vistos, em linhas de financiamentos com juros reduzidos, para incrementar a recuperação do setor, abalado sobretudo pela concorrência chinesa. As medidas, além disso, virão acompanhados de pesadas restrições às importações de produtos de outros países. Um dos mais tradicionais grupos de consultoria especializados em assessorar brasileiros em investimentos nos Estados Unidos, o Oxford já está desenvolvendo planos de negócios para diversos clientes. É o Trump cumprindo a promessa de fazer a América grande de novo.

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Diante da abjeta inversão de valores que há tempos se impõe no Brasil na relação entre a polícia e a bandidagem, veio como um pedido de socorro, endossado por todas as pessoas minimamente sensatas, o desabafo feito recentemente pelo governador Cláudio Castro: “Está impossível fazer segurança pública no Rio de Janeiro.” Podemos acrescentar que não apenas no Rio, mas no Brasil inteiro, que enfrenta problema idêntico. Castro referia-se ao trágico episódio do turista argentino que foi baleado na cabeça ao entrar de carro por engano em um dos acessos do Morro do Escondidinho, reduto de uma quadrilha que comanda tráfico de drogas na região. A Polícia Civil identificou quatro envolvidos no ataque, solicitou a prisão preventiva deles, mas o juiz que estava de plantão não acolheu o pedido por considerar que “não se tratava de um caso de urgência.” Se isso não é urgência, o que é então? Tem sido assim em todo o país: a polícia prende traficantes, assaltantes e assassinos em flagrante, muitas vezes reincidentes, e a justiça os solta logo em seguida. E a coisa tende a piorar com o decreto assinado por Lula no final do ano que manda restringir o uso de armas por policiais durante as abordagens. Logo virá a obrigação de entregar flores aos meliantes. É impressionante a leniência dos políticos de esquerda no trato com a criminalidade. Deve ser por afinidade ideológica e autoproteção.

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Sobre o esdrúxulo ato presidencial, urdido pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowisk, que praticamente concede um salvo-conduto para os criminosos, os governadores Ratinho Junior, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Cláudio Castro uniram-se para pleitear sua revogação. Em uma nota conjunta, eles afirmam que a medida “beneficia a ação de facções e pune homens e mulheres que diariamente arriscam suas vidas em prol da sociedade”. O texto classifica o documento como uma tentativa “arbitrária e sem precedentes” de regular a atuação das polícias estaduais e representa uma “ingerência” do governo federal na política de segurança pública dos Estados. Anotem: não vai demorar para que o Supremo Tribunal Federal, acionado pelo Palácio do Planalto, force os governadores a cumprirem a determinação. Depois de aparelhar o STF e amansar as Forças Armadas, Lula quer comandar as polícias estaduais. O regime ditatorial de Nicolás Maduro na Venezuela começou assim.

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Sem dúvida, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia vai trazer ganhos formidáveis para ambas as partes. Com um porém: quando, e se, entrar em vigor. De fato, as negociações foram finalizadas, mas isso é só o primeiro passo. Não é verdade que o assunto está concluído, como vem alardeando o governo brasileiro. Não caia nessa conversa. É fake news. Pura propaganda enganosa. Ainda há um longo e tortuoso caminho pela frente. O texto do documento terá, agora, que ser validado pelo Congresso Europeu e pelos parlamentos de cada uma das nações que compõem os dois blocos em um cenário de grande resistência da França, Polônia, Itália e Irlanda que passaram a se opor fortemente ao projeto pressionados por seus agricultores, que temem a concorrência do eficiente agronegócio latino-americano e exigem mudanças nas regras do tratado. Ou seja, o problema está nos detalhes, e é neles que moram os demônios.

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Com receitas e despesas estimadas em 78,7 bilhões de reais, o que representa um expressivo crescimento de 15% em relação ao ano passado, o orçamento do Paraná para 2025 é o maior da história e retrata bem a pujança da quarta maior economia do país. Desse montante, vale realçar, estão reservados R$ 6,3 bilhões exclusivamente para investimentos. Outro ponto de destaque é o incremento de 14,7% nas verbas destinadas à saúde, educação e segurança, áreas essenciais para o bem-estar da população e para o desenvolvimento sustentável do estado. Inegavelmente, é uma priorização que demonstra o compromisso do governador Ratinho Junior em direcionar recursos para setores que impactam diretamente a qualidade de vida e a prosperidade social. Não é por acaso que as pesquisas mostram que a sua administração é aprovada por mais de 80% dos paranaenses. Um recorde absoluto.

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Fosse o contrário não despertaria tanta atenção. Mas a notícia de que uma vinícola do Brasil, país com pouca relevância no setor, comprou uma importante congênere de uma das maiores e mais tradicionais nações produtoras de vinho do mundo surpreendeu o mercado. Em uma transação inusitada, que não teve o valor divulgado, mas estima-se algo ao redor de 3 milhões de dólares, a Miolo assumiu o controle da Renacer, renomada bodega argentina localizada em Mendoza, aos pés da cordilheira dos Andes, uma das regiões viníferas mais prestigiadas do planeta. A Renacer é uma vinícola-boutique que se destaca por seus vinhos premium e pela adoção de práticas sustentáveis, o que complementa a estratégia da Miolo de expandir sua presença internacional e diversificar seu portfólio. Não deixa de ser, também, um marco para o Brasil, que ganha protagonismo em um cenário amplamente dominado por produtores chilenos e argentinos, reforçando a crescente competitividade da vitivinicultura nacional, que vem conquistando espaço e reconhecimento global. Salud!

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Chama-se Onélia a mais nova integrante do conselho do Tribunal de Contas do Ceará. Aprovada pela Assembleia Legislativa, a ilustre senhora chega à função respaldada por um currículo técnico impressionante: é esposa de Camilo Santana, atual ministro da Educação e ex-governador do Estado. Com ela, já são cinco as felizardas mulheres de ministros de Lula ocupando o posto de conselheiras em tribunais de contas estaduais. O cargo é vitalício, com aposentadoria compulsória aos 75 anos e salários mensais na faixa dos 40 mil reais. Nunca antes na história deste país viu-se tanto empenho de um governo a favor do empoderamento feminino…

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Números não mentem: a floresta amazônica registrou o maior número de fogaréus do século sob a gestão da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, nos governos do presidente Lula. Segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), foram anotados 140.328 focos de incêndio no bioma em 2024, o maior índice anual desde 2007, quando a entidade contabilizou 186.463 queimadas, ano em que Marina também ocupava o cargo. A musa do ambientalismo não brinca em serviço.

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Repudiada por quase todas as mais importantes democracias do mundo, a posse ilegítima do ditador Nicolás Maduro na presidência da Venezuela, conquistada em mais uma “reeleição” escandalosamente roubada, foi “prestigiada” por apenas dois presidentes: os tiranos Daniel Ortega, da Nicarágua, e Miguel Diaz-Canel, de Cuba. Rompido só de mentirinha com o déspota chavista, Lula não foi paparicar pessoalmente o velho amigo, mas mandou a embaixadora sediada em Caracas e uma comitiva do PT marcarem presença na cerimônia para referendar a fraude. Aliás, somente 7 países enviaram representantes oficiais: Rússia, China, Bolívia, Honduras, México, Colômbia e Brasil. Iniciamos o ano passando vergonha.

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Identificada nas planilhas de propina da Odebrecht por um codinome nada lisonjeiro, descoberto nas investigações da Operação Lava Jato que desvendaram o esquema de corrupção na Petrobras, a deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, ganhou agora um apelido, dado por gente do próprio governo, por conta de seus destemperos verbais não apenas contra adversários políticos, mas até contra aliados, praticando o bom e velho “fogo amigo.” Em um trocadilho simplesmente genial, ela está sendo chamada de “Crazy” Hoffmann. Perfeito.

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2 Comentários

  1. Fantastica analise da realidade do Brasil. Infelizmente perfeito. Ponto alto o Estado do Parana

  2. Ótima análise Caio, infelizmente o Brasil se tornou um país onde os amigos do rei podem tudo, o empresário honesto é demonizado e o trabalhador não consegue nem comprar mais carne, o governo culpa, como sempre, outros.

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