OPINIÃO

A Covid-19, enfim, chegou na China

Com a explosão de contaminações e mortes pela doença nas últimas semanas, a China revive os piores momentos que assolaram o mundo entre 2020 e 2021 e revela o trágico fracasso de sua política radical de fechamentos adotada desde o início da pandemia na tentativa inócua de zerar a transmissão da Covid entre seus cerca de 1,4 bilhão de habitantes.

Foi o governo afrouxar as rigorosas regras de isolamento, pressionado por inéditos protestos em diversas cidades que expuseram o cansaço da população com as intermináveis restrições impostas há quase três anos para conter circulação interna do novo coronavírus, para que a realidade viesse à tona e revelasse que o gigante asiático, como já se desconfiava, vinha exercendo um controle meramente artificial da enfermidade, camuflando dados de casos e óbitos.

O fato é que ao serem levantadas as restrições que impediam o SARS-Cov-2 de seguir o seu curso natural e irrefreável, assim como já aconteceu em todos os países, a doença acabou irrompendo por lá com força catastrófica, escasseando medicamentos, superlotando hospitais e sobrecarregando os necrotérios.

Berço do patógeno, de origem ainda não bem esclarecida, a China registra oficialmente menos de 6 mil mortes e pouco mais de 1,9 milhão de pessoas infectadas, mas informações divulgadas pelo site norte-americano Bloomberg News, citando estimativas da principal agência de saúde do governo, relatam que cerca de 248 milhões de pessoas (quase 18% da população do país) provavelmente contraíram o vírus nos primeiros vinte dias de dezembro, o que pode resultar em milhões de mortos.

A pergunta que não quer calar é porque a China levou tão longe a tentativa de zerar a Covid, enquanto o resto do mundo já tinha desistido dessa ideia e abandonado a maioria das medidas sanitárias?

Segundo matéria publicada na última edição da revista Super Interessante, há três razões para responder essa questão:

A primeira seriam as vacinas. A China está usando imunizantes de vírus inativado, de produção própria, que têm seu valor, mas não protegem tanto quanto as formulações de mRNA, fabricadas nos Estados Unidos.

A segunda é o chamado “débito imunológico”. Quando você isola as pessoas, impede a circulação do vírus. Só que isso também gera um represamento – já que, como o vírus não circula, as pessoas não vão sendo infectadas e criando imunidade a ele (ou ficando doentes e morrendo). Ao se liberar as restrições em uma nação com população gigantesca, a represa arrebenta e vem uma avalanche, como estamos vendo.

O terceiro motivo é que o país tem poucos leitos de UTI: são 4 a cada 100 mil habitantes, bem menos que os Estados Unidos (34) ou mesmo o Brasil (21). É uma fragilidade que deverá levar a situações calamitosas no atendimento dos enfermos.

Seja como for, devido a três anos de sucessivos e longos lockdowns, a China ainda não tinha enfrentado grandes ondas de casos e óbitos como já tinha ocorrido nos demais países.

Agora é a sua vez de pagar o preço da Covid.

 

 

Artigos relacionados

Um Comentário

  1. O feitiço virou contra o feiticeiro. Vítimas Inocentes, sucumbem, pelo menos teoricamente, para diminuir a explosão demográfica. Se sucumbirem, 10% de chineses de um total de 1.4 bilhões de chineses, o genocídio, será de 140 milhões de gineses.

Deixe um comentário para Romão Miranda Vidal Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo