O agro sob ataque: inimigos externos, cúmplices internos

O Brasil produz demais. Essa é a síntese do problema.
Não há explicação mais honesta para o padrão sistemático de difamações que o agronegócio brasileiro enfrenta.
Vem de fora — de governos, fundos e instituições de países que concorrem diretamente com o Brasil no mercado global de alimentos. E vem de dentro também, muitas vezes custeado por esses mesmos agentes externos, por meio de ONGs, veículos de imprensa e entidades que, estranhamente, abraçam uma agenda contrária aos interesses nacionais.
Um país que se tornou um dos maiores celeiros do mundo, que alimenta bilhões de pessoas além de suas fronteiras, que extraiu produtividade extraordinária de um território vastíssimo sem destruir o que a hipocrisia internacional insiste em chamar de “sua” floresta — esse país virou, inevitavelmente, um concorrente incômodo. E concorrentes incômodos não se batem no mercado. Solapam-se nos bastidores.
O ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera acaba de nomear, com a exatidão de quem conhece o terreno, um dos instrumentos dessa sabotagem. Em artigo publicado na Gazeta do Povo, ele revelou que matérias da Folha de S.Paulo contra obras estratégicas de infraestrutura do agro brasileiro — entre elas a Ferrogrão, artéria essencial para o escoamento da produção — são financiadas pela Rainforest Foundation Norway, uma fundação norueguesa de florestas tropicais.
O detalhe que desnuda a fraude: a Noruega não tem floresta tropical. O que ela tem, em abundância, é interesse.
E que interesse. O mesmo país que banca campanhas ambientalistas no Brasil é, segundo análise da Oil Change International, o explorador mais agressivo de novos campos de petróleo e gás da Europa, com 700 novas licenças concedidas na última década.
A Equinor, sua estatal, acaba de iniciar a exploração do maior campo inexplorado do Mar do Norte. Oslo prepara planos para abrir uma área do tamanho da Alemanha para mineração submarina no Ártico.
E os sâmis — o único povo indígena da região, com língua e cultura próprias — não têm uma única reserva nos moldes do que a Noruega exige do Brasil. Pelo contrário: o governo norueguês autorizou gigantescos parques de energia renovável exatamente sobre as áreas de pastoreio de renas desse povo.
Para completar o quadro, quase 60% da renda de um agricultor norueguês vem do Tesouro do país, em subsídios que distorcem preços e corroem a competitividade global.
A mesma competitividade que o Brasil, sem subsídios e com produtividade real, está conquistando.
Não é de hoje que essa engrenagem opera. O ex-ministro da Defesa e ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo há anos denuncia o que chama de “Estado paralelo” instalado na Amazônia — uma rede de ONGs financiadas por governos e fundações estrangeiras que, associadas a órgãos do próprio Estado brasileiro como o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente, decidem políticas, criminalizam produtores e paralisam projetos de desenvolvimento. “Ou o Brasil acaba com essas ONGs, ou essas ONGs vão acabar com o Brasil”, sentenciou Rebelo.
A frase tem a brutalidade de quem percorreu a região, leu os documentos e chegou à conclusão que o bom senso impõe: não se trata de filantropia. Trata-se de geopolítica disfarçada de ecologia.
O mecanismo é simples e eficaz. Financia-se o jornalismo, financia-se a militância, financia-se o litígio judicial, financia-se a pressão sobre o Congresso — tudo sob o verniz impecável da causa ambiental.
O Brasil paralisa obras, revê licenças, recua diante do ruído e perde tempo. Tempo que o concorrente aproveita. O algodão do Texas, a soja americana, o trigo europeu não precisam competir com o agronegócio brasileiro no campo. Basta travá-lo no papel.
Cabrera pergunta, com a ironia de quem já sabe a resposta: por que uma fundação de florestas tropicais da Noruega tem interesse nas obras de infraestrutura do Brasil?
A pergunta dispensa resposta elaborada. Exige, isso sim, coragem para ser feita em voz alta — e lucidez para não confundir quem a formula com negacionista, como é o reflexo condicionado de quem prefere não enxergar.
O Brasil não precisa de tutores. Precisa de quem leia as entrelinhas do ambientalismo de exportação e compreenda que, quando uma nação rica em petróleo fóssil financia campanhas contra o desenvolvimento de uma nação tropical, o que está em jogo não é o clima. É o mercado.
E o Brasil, convém lembrar, está ganhando esse mercado. Daí o incômodo. Daí o financiamento. Daí tudo.




