Opinião

Coffee++ e Festval resgatam o aroma de um Paraná que o tempo não apagou

O café tem memória. E, às vezes, ela dorme sob a terra por décadas, como uma semente silenciosa esperando o tempo certo para voltar a florescer.

O Paraná conhece bem essa história. Houve um tempo em que o aroma do café atravessava o Estado como uma espécie de identidade coletiva. Os cafezais desenhavam paisagens inteiras, movimentavam cidades, construíam fortunas, financiavam sonhos e ajudavam a escrever uma das páginas mais poderosas da economia brasileira. O Norte do Paraná chegou a se transformar no maior produtor individual de café do planeta. Até que veio a madrugada de 1975.

A Geada Negra não queimou apenas lavouras. Ela encerrou um ciclo histórico. Cobriu de gelo uma vocação econômica, alterou o destino da agricultura paranaense e abriu caminho para a expansão definitiva da soja e da mecanização no campo. Muitos abandonaram o café. Outros resistiram.

E é justamente aos que permaneceram que a Coffee++ presta homenagem ao lançar sua nova Linha Paraná.

O lançamento oficial aconteceu na semana passada, durante um evento exclusivo no Festval Kennedy, em Curitiba, transformado numa verdadeira experiência sensorial sobre a cultura cafeeira brasileira. Mais do que apresentar um produto, a marca decidiu contar uma história — talvez uma das mais bonitas e simbólicas do agronegócio paranaense.

Entre degustações guiadas, harmonizações com sobremesas do Festval e demonstrações ao vivo de moagem e torrefação, o evento reconectou convidados não apenas ao sabor do café, mas à sua origem. À ideia de território. De pertencimento. De memória afetiva.

A nova linha nasce dentro de um portfólio de 34 produtos da Coffee++, marca brasileira especializada em cafés especiais e criada com a proposta de aproximar o consumidor da cultura cafeeira nacional através da rastreabilidade, da experiência sensorial e do storytelling em torno de cada origem.

E há algo de profundamente simbólico nisso.

Durante décadas, o Brasil se acostumou a exportar seus melhores cafés enquanto reservava ao próprio consumidor interno um produto muitas vezes padronizado, excessivamente amargo e distante da complexidade que transformou o café em patrimônio mundial. A Coffee++ tenta inverter essa lógica.

“O Brasil é o maior produtor de café do mundo. A cada três xícaras consumidas no planeta, uma é de café brasileiro”, lembra Léo Montesanto. “Mesmo assim, durante muito tempo, os melhores cafés ficaram concentrados no mercado internacional, enquanto o brasileiro se acostumou a consumir um café sem conhecer toda a qualidade que existe dentro do próprio país.”

Há, nessa fala, quase uma provocação cultural.

Porque o café especial exige do consumidor algo que o Brasil começou a aprender mais recentemente: desacelerar. Perceber nuances. Entender que uma xícara pode carregar terroir, altitude, variedade, clima, pós-colheita — exatamente como acontece no vinho.

Montesanto gosta dessa comparação. E ela faz sentido.

“A origem de cada café entrega características únicas”, explica. “É possível identificar notas sensoriais, acidez, doçura e complexidade em cada xícara.” A Linha Paraná, por exemplo, traz notas de mel, rapadura e avelã — sabores que ajudam a transformar o café em experiência, e não apenas em hábito automático de rotina.

Mas talvez o aspecto mais bonito do projeto esteja justamente na decisão de transformar o produto em homenagem.

Para desenvolver a Linha Paraná, o CEO percorreu propriedades do Norte e do Norte Pioneiro do Estado, regiões onde a cafeicultura resistiu ao tempo, às crises e às transformações econômicas. Foi ali que encontrou produtores que mantiveram viva uma tradição que muitos julgavam encerrada desde a geada histórica de 1975.

“O Paraná já foi o maior produtor de café do mundo e ajudou a moldar a história da cafeicultura brasileira. Essa linha nasce para homenagear os produtores que permaneceram, resistiram e mantiveram viva essa tradição”, afirma.

No fundo, talvez seja exatamente isso que esteja sendo servido agora nas xícaras da Linha Paraná: não apenas café, mas permanência.

A gerente de Qualidade do Festval, Ana Paula Beal, destacou que a parceria com a Coffee++ dialoga diretamente com a estratégia da rede. “É uma parceria muito alinhada ao nosso posicionamento e aos valores que queremos entregar aos nossos clientes”, resume.

E talvez esteja aí a beleza dessa história.

Em um tempo em que tudo parece cada vez mais industrial, veloz e descartável, há algo quase poético em ver o Paraná voltar a celebrar o café não como commodity, mas como identidade.

Porque algumas tradições não desaparecem.

Elas apenas aguardam o momento certo para voltar a perfumar nossa vida.

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