O crime compensa — com juros e correção monetária

Quando a Polícia Federal deflagrou, em 17 de março de 2014, uma operação simultânea que prendeu 24 suspeitos em seis estados e no Distrito Federal, ninguém imaginava que dali sairia a maior investigação anticorrupção da história do Brasil.
Entre os detidos, estava o reincidente doleiro Alberto Youssef, suspeito de comandar uma rede de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 10 bilhões. A operação foi batizada com o nome de um posto de gasolina em Brasília — símbolo da sujeira que se lavava com gasolina cara e sabão barato.
Doleiros, empreiteiros, políticos, altos funcionários da Petrobras — todos apareceram com suas digitais em bilhões desviados do erário. Teve delator, devolução de dinheiro, rastreamento de contas no exterior, depoimentos contundentes, planilhas comprometedores, confissões, prisões.
Mas nada disso parece bastar quando o Brasil entra no modo “revisão da história com fins políticos”.
A última pá de cal veio com um despacho do ministro Dias Toffoli, aquele mesmo que acredita que o Supremo pode tudo, até apagar o passado com um despacho retroativo.
A Lava Jato nasceu com Alberto Youssef, o doleiro reincidente, delator premiado, condenado a 120 anos de prisão.
Pois bem: agora, por decisão de Toffoli, Youssef está livre de todas as ações da operação. Sai da história como se nunca tivesse entrado. Como num passe de toga, tudo o que começou com ele virou pó jurídico.
O argumento? Um suposto conluio entre o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato, que teria invalidado as provas. Provas que, convém lembrar, incluíram não apenas depoimentos, mas dinheiro devolvido, provas documentais e rastreamentos internacionais.
Tudo isso jogado na lata do lixo institucional sob o pretexto de “nulidades processuais”. Ou, em bom português: encontraram um pretexto para salvar a si mesmos, e aos amigos.
Mas o mais alarmante vem agora. Como apurou a revista Veja, a decisão de Toffoli acendeu uma luz no fim do túnel — mas não da Justiça. É a luz verde que as empreiteiras enxergaram para pedir de volta o que já haviam devolvido.
Multas bilionárias pagas em acordos de leniência, valores ressarcidos ao erário, delações homologadas e provas obtidas… tudo isso agora pode ser questionado com base na anulação das ações contra Youssef.
Se o começo era inválido, o resto não se sustenta — dizem os advogados, esfregando as mãos.
A lógica é tão absurda quanto brasileira. Temos o seguinte cenário: um réu condenado a 120 anos se vê livre; provas robustas são desprezadas; bilhões desviados da Petrobras voltam para os cofres de quem os saqueou; e o Supremo, que deveria zelar pelo equilíbrio entre os Poderes, assume o papel de revisionista-geral da República — com toga e retrocesso.
A Lava Jato, apesar de seus eventuais excessos, revelou um esquema de corrupção sistêmica que saqueou o Estado brasileiro por anos.
Houve condenações em três instâncias, delações documentadas, prisões mantidas pelo STJ e pelo próprio STF. E agora, num surto revisionista, tudo isso é tratado como delírio persecutório de Curitiba.
Estamos diante de um fenômeno jurídico tropical, a descondenação reversa com bônus. Além de inocentar os culpados, ainda se cogita devolver-lhes o produto do crime, com juros e correção moral.
Não bastasse a vergonha, ainda nos cobram para passar o pano.
E assim, como num delírio kafkiano à beira do cerrado, o Brasil vai desfazendo sua própria história — mas só a parte que incomoda os poderosos.
A verdade, essa já foi colocada para dormir.
Resta o teatro, onde todos os corruptos voltam ao palco como vítimas — e os palhaços, claro, somos nós.












Não entendo de leis , mas entendo de princípios, dignidade, honestidade, patriotismo, liberdade, E principalmente de Deus e sua palavra e justiça.
Vejo com os olhos da fé, que produz esperança, e creio na virada e o povo brasileiro é resiliente e rapidamente voltaremos ao trilho da prosperidade.