OPINIÃO

“Tudo o que o mal precisa para triunfar é que os homens bons não façam nada.”(Edmund Burke)

A operação militar dos Estados Unidos contra três instalações nucleares do Irã foi mais do que um ato de força: foi um ato de lucidez moral. A decisão do governo Trump de utilizar seu poderio bélico para destruir alvos estratégicos, inacessíveis a qualquer outro país do mundo, não representa uma escalada — representa um limite. O limite da civilização diante da barbárie. O Irã brincou demais com a diplomacia, empurrou todas as conversas fiadas da ONU, enrolou o Ocidente com promessas vazias sobre não proliferação. A hora chegou. E os Estados Unidos, mais uma vez, fizeram o que sempre fizeram nos momentos cruciais da história: ficaram do lado certo. Não para começar uma guerra, mas para impedir o apocalipse.

A propósito disso tudo — e com total sintonia com o espírito dessa resposta militar — vale reler, com atenção redobrada, o artigo de Ricardo Kertzman, publicado originalmente no site O Antagonista. Um texto impecável que não relativiza, não tergiversa e não se acovarda. Porque há momentos em que calar é pactuar com o mal. E este é um deles.

Reproduzo o artigo integral a seguir, em itálico, com inserções minhas em negrito, apenas para reforçar e ratificar, com observações pessoais, os pontos essenciais abordados pelo autor.

É inacreditável – e sempre muito revelador – que ainda se discuta, com tons graves de dúvida moral, a legitimidade da defensiva israelense contra as instalações nucleares do Irã. Como se Israel tivesse alvejado, sei lá, a Dinamarca ou a Noruega. Ou como se o regime dos aiatolás fosse apenas um “interlocutor difícil”, e não o que de fato é: uma teocracia xiita totalitária, antidemocrática, homicida, terrorista, antijudaica, antiocidental, homofóbica, xenofóbica e misógina.

Disse tudo. E disse com a clareza que falta a tantos governos e organismos internacionais que seguem fazendo malabarismos semânticos para não desagradar ditadores.

O ponto de partida dessas discussões já nasce contaminado e não deveria prosperar além da segunda linha. Ao invés de partirem da premissa óbvia, de que o Irã é uma ameaça existencial a Israel e ao próprio ocidente democrático, muitos preferem empilhar abstrações diplomáticas, condenações em tom burocrático e apelos à “moderação”. Falam como se estivessem comentando uma disputa comercial, e não a corrida por uma bomba atômica nas mãos de um regime totalitário homicida.

Exatamente. Trata-se de uma bomba — e não de uma equação geopolítica abstrata. Enquanto alguns tecem loas à moderação, o Irã acelera centrífugas.

O Irã dos aiatolás enforca as mulheres por “imoralidade”; pune homossexuais com a morte; impede à força qualquer manifestação de caráter político, ideológico ou religioso; financia o Hamas, em Gaza, o Hezbollah, no Líbano, os Houthis, no Iêmen, e outros braços terroristas da região; e jura, reiteradamente, além de tentar, é claro, que vai destruir Israel – o pequeno – e os Estados Unidos – “o grande satã”. Defender tal tirania não é exercício de cegueira ideológica, mas canalhice mesmo.

É isso. E quem se silencia diante disso por conveniência ideológica é, sim, cúmplice.

Desde sua fundação, em 1948, Israel foi alvo de ataques coordenados por vizinhos árabes que rejeitavam sua existência. A Guerra da Independência começou no dia seguinte à sua proclamação. Em 1967, foi forçado a agir preventivamente na Guerra dos Seis Dias, quando Egito, Síria e Jordânia se preparavam para eliminá-lo. Em 1973, foi atacado no Yom Kippur em mais uma ofensiva militar. Nos anos 1980 e 1990, enfrentou as Intifadas, com ataques terroristas constantes contra civis.

Na virada do século, vieram atentados suicidas do Hamas. Em 2006, a guerra com o Hezbollah, a partir do Líbano. Em 2009, 2012, 2014 e sucessivamente, mais confrontos com Gaza, onde foguetes eram lançados contra centros urbanos israelenses por terroristas armados pelo Irã. Até que veio o 7 de outubro de 2023, quando mais de mil terroristas palestinos invadiram Israel, assassinaram 1.200 civis – muitos queimados vivos e decapitados, e sequestraram centenas, incluindo crianças e idosos.

Foi o Holocausto do século XXI. E muitos preferiram debater “contextos”.

Este foi o maior massacre de judeus desde o Holocausto. Um ataque bárbaro, planejado com meses de antecedência, executado com apoio técnico e financeiro do regime iraniano. E ainda assim, há quem consiga “esquecer” tudo isso e tratar Israel como um Estado provocador tirano, e o terrorismo iraniano – com seus braços armados – como um “movimento de resistência” do povo palestino. Nada mais falso, hipócrita e, sim, antissemita. Ainda que velado ou envergonhado.

Não há eufemismo que oculte a verdade. A balança moral da ONU está quebrada há muito tempo.

A ONU tergiversa. A imprensa internacional relativiza. Parte da esquerda universitária ainda trata o Irã como uma vítima do imperialismo e vê em Israel uma potência opressora que “reage de forma desproporcional”. Desproporcional é impedir que um regime genocida obtenha armas de destruição em massa? Desproporcional é escolher não morrer calado? O único país democrático da região está cercado por inimigos que querem sua eliminação. Simples assim. Triste assim.

Daí, quando reage, quando se antecipa, quando age para proteger sua existência – algo que qualquer outro país faria sem hesitar –, vira réu no tribunal dos direitos humanos seletivos internacional. O mesmo tribunal do duplo padrão moral que nunca exigiu do Irã e de outras ditaduras sanguinárias o fim do patrocínio ao terrorismo ou o respeito mínimo aos tais direitos humanos. A verdade é que há um antissemitismo indisfarçável, mas travestido de geopolítica “ponderada”.

Ponderada até a hora em que a bomba cair na cabeça errada. A hipocrisia internacional ainda será nossa ruína.

Porque ninguém – repito, ninguém, inclusive China e Rússia – cogitaria aceitar que o Afeganistão, por exemplo, enriquecesse urânio até o limite de uma ogiva, dizendo que é “para fins pacíficos”. Ninguém defenderia mais rodadas de conversa com o Talibã se eles anunciassem que estão desenvolvendo tecnologia nuclear. Mas com o Irã, sim. Porque odiar Israel, ao que parece, é mais importante que cuidar do próprio quintal. É uma licença moralmente aceita em muitos círculos.

É preciso deixar claro, com todas as letras, que quem não parte da premissa de que o regime iraniano é o mal – não um erro, não um problema, mas simplesmente o mal – ou é desinformado, ou é cúmplice, ou é canalha. Não raro, as três opções. Não há meio-termo entre a realidade e a covardia. A bomba iraniana não seria uma tragédia apenas para Tel Aviv. Seria para o mundo. E quem sabota, ou nega o direito de Israel à autodefesa, já escolheu um lado. Só não tem coragem de admitir.

No Brasil, o governo Lula ao menos não disfarça: é Irã Futebol Clube! Como sempre foi Hamas Futebol Clube. E o lulopetismo sempre será Anti-Israel Futebol Clube. Porém, covarde, não assume o antissemitismo. Prefere respaldar-se em falsas equivalências e dicotomias. Prefere o caminho fácil do costumeiro duplo padrão moral e seletividade de “bons propósitos”. Lula, especialmente. O amigão dos piores facínoras do planeta posa de defensor dos fracos e oprimidos.

É bom que fique claro: se Israel sucumbir, o planeta estará irremediavelmente ameaçado. O fundamentalismo islâmico não conhece nem reconhece fronteiras. O antissemitismo representa uma ameaça menor aos judeus que o regime dos aiatolás ao mundo. Aliás, os antissemitas deveriam saber disso. Afinal, um judeu não come criancinhas, mas um fundamentalista xiita as explode. E as estupra e as decapita antes de incendiá-las vivas. Pesado? Sim. Mas é a pura realidade, que muita gente não quer encarar.

A história não perdoa os covardes. Nem os omissos. Que o diga a Europa dos anos 1930, quando Inglaterra e França, em nome da “moderação” e da “negociação”, permitiram que Hitler avançasse passo a passo — até que fosse tarde demais. Quando a liberdade está sob ataque, não basta escolher um lado — é preciso sustentá-lo. A verdade, às vezes, exige ação. E quando ela se alia à coragem, nasce a liderança. Por isso, a decisão americana não é apenas militar: é moral. E como tal, merece ser lembrada como o gesto que manteve o Ocidente de pé diante da escuridão.

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