OPINIÃO

A Odisseia de Maria Corina Machado escancara ao mundo a tirania de Maduro

Teve contornos cinematográficos, dignos de um roteiro de filme, a operação que tirou Maria Corina Machado da Venezuela para levá-la a Oslo, onde receberia o Prêmio Nobel da Paz.

Revelada em detalhes pelo Wall Street Journal, a missão expôs de forma ainda mais contundente a ditadura de Nicolás Maduro. Maria Corina resiste bravamente dentro do seu próprio país, vivendo escondida, sob ameaça permanente de prisão, e saiu exclusivamente para cumprir esse gesto político e simbólico diante da comunidade internacional.

Maria Corina já vivia na clandestinidade antes de enfrentar o mar. Disfarçada, com identidade alterada, deixou seu esconderijo e percorreu estradas vigiadas, atravessando sucessivos bloqueios militares. Passou por postos de controle de um país que espiona seus cidadãos com zelo autoritário, mas que, ironicamente, não percebeu a saída de uma mulher que se tornou símbolo da resistência democrática.

O trecho mais arriscado da operação veio depois. Embarcada numa pequena lancha de pesca, partiu pela costa caribenha sob condições adversas. O mar estava agitado, o vento forte, a noite fechada. Durante a travessia, o GPS caiu na água, sistemas de navegação falharam e, por horas, a embarcação ficou à deriva. O contato foi intermitente. Em meio à escuridão, celulares acesos serviram como sinais improvisados para orientar o resgate.

A operação foi conduzida por uma empresa americana especializada em missões de alto risco, formada por veteranos de ações militares e de segurança. Houve coordenação direta com autoridades dos Estados Unidos para evitar que a lancha fosse confundida com embarcações do narcotráfico — um perigo real numa região sob monitoramento permanente das forças americanas. O apoio foi discreto, técnico e decisivo. Não houve discurso: houve proteção.

O resgate ocorreu já de madrugada. Exausta, mas ilesa, Maria Corina conseguiu deixar águas venezuelanas e seguir para Curaçao, de onde partiu para a Europa. Chegou a Oslo com um dia de atraso para a cerimônia do Prêmio Nobel da Paz. No palco, quem recebeu a distinção foi sua filha — a quem ela não via há muitos anos, separadas pela perseguição política e pelo exílio forçado. A imagem sintetizou a dimensão humana da tragédia venezuelana.

O Nobel concedido a Maria Corina Machado não é apenas o reconhecimento de uma trajetória pessoal. É o retrato de um país destruído por uma ditadura cruel que já expulsou mais de sete milhões de venezuelanos de seu território. Uma diáspora forçada, marcada pela perseguição política, pela fome, pela falta de medicamentos, pelo colapso econômico e pela violência institucional. Milhões espalhados pelos países vizinhos — inclusive o Brasil — em busca de trabalho, comida e dignidade.

Enquanto o mundo democrático celebra essa luta, há silêncios que constrangem. E nenhum é mais eloquente do que o do Brasil oficial.

Não houve uma palavra. Nenhuma nota. Nenhum gesto. O mesmo presidente que se apresenta como mediador de conflitos globais, comentarista de guerras alheias e aspirante a liderança moral internacional escolheu o mutismo diante da mais alta distinção civil concedida a uma líder democrática latino-americana. O mesmo governo que recebeu Nicolás Maduro com honras de chefe de Estado, tapete vermelho e banda de música no Palácio do Planalto.

Mais uma vez, o Brasil do lulopetismo, vergonhosamente, está do lado errado. Não por distração, mas por escolha. Apoiar regimes sanguinários e silenciar diante da coragem não é neutralidade — é cumplicidade moral.

O mar devolveu Maria Corina Machado à liberdade. A história, implacável, saberá cobrar quem preferiu a covardia e a conivência.

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Um Comentário

  1. Enquanto se combate o ditador da Venezuela fica a dúvida, será que é pelos diretor humanos ou pelo mar de petróleo que esse país tem, fica a dúvida pela passada de pano no ditador do judiciário aqui do nosso país!

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