A frota que fala por Trump

Um porta-aviões não atravessa o Caribe por capricho. Ainda mais quando se trata do USS Gerald R. Ford, o maior e mais poderoso navio de guerra do planeta, coração de uma armada colossal que agora risca as águas turquesas com o aço de sua presença.
Nenhuma embarcação dessas zarpa para fazer turismo — e muito menos um conjunto inteiro de destróieres, cruzadores, bombardeiros e submarinos nucleares.
Quando o Pentágono move o seu tabuleiro, o mundo se inclina para tentar adivinhar o próximo lance.
A justificativa oficial da Casa Branca é a de sempre: combater os barcos de narcotraficantes que partem da Venezuela e da Colômbia rumo aos Estados Unidos, despejando sobre a sociedade americana toneladas de cocaína e miséria. Missão nobre, sem dúvida. Mas basta olhar para o inventário da força deslocada para o Caribe para perceber que há muito mais em jogo — e que não se gastam centenas de milhões de dólares por dia para perseguir lanchas improvisadas carregadas de droga.
Eis a composição da frota enviada:
USS Gerald R. Ford (porta-aviões), USS Winston S. Churchill, USS Bainbridge, USS Mahan, USS Mitscher, USS Forrest Sherman, USS Jason Dunham, USS Stockdale, USS Gravely (todos destróieres de mísseis guiados), USS Lake Erie e USS Gettysburg (cruzadores de mísseis guiados), USS Iwo Jima (navio de assalto anfíbio), USS San Antonio (navio de transporte anfíbio), USS Wichita (navio de combate litorâneo) e o USS Newport News (submarino de ataque nuclear).
Nos ares, o reforço vem de B-52 Stratofortress, B-1B Lancer, P-8 Poseidon, F-35 Lightning II, drones MQ-9 Reaper, helicópteros UH-60L Black Hawk e o temido AC-130J Ghostrider, avião de ataque noturno que transforma alvos em cinzas antes que possam revidar.
Não há como disfarçar a dimensão dessa mobilização — trata-se de uma força de guerra completa, equivalente às que os Estados Unidos mantêm em zonas de conflito como o Oriente Médio ou o Pacífico Sul. O pretexto do narcotráfico serve, no máximo, de verniz diplomático. O que está em curso é uma operação de cerco político e psicológico a Nicolás Maduro, o déspota sanguinário que transformou a Venezuela em um narco-Estado à beira do colapso.
E nem o próprio Donald Trump faz questão de esconder. Em declaração recente, o presidente americano foi direto ao ponto: “Os dias de Maduro no poder estão contados.” Não há metáfora nessa frase. Há um aviso. E ele vem respaldado por porta-aviões, destróieres e caças supersônicos, não por comunicados de imprensa.
Há quem veja nisso uma afronta à soberania venezuelana. Mas o que é soberania num país onde não há eleições limpas, liberdade de imprensa ou alternância de poder? Onde generais protegem cartéis e lucram com o tráfico que devasta gerações inteiras? Onde milhões de cidadãos foram expulsos de sua própria terra pela fome, pela perseguição e pelo medo? A soberania de uma ditadura é uma contradição em termos.
Um Estado dominado pelo crime é apenas uma fronteira em ruínas.
Maduro é a continuação grotesca de Hugo Chávez — e sua permanência no poder é a prova de que, em regimes assim, a força substitui o voto e o silêncio vale mais que a justiça.
Diante disso, o argumento moral dos Estados Unidos ganha peso: se o povo venezuelano não consegue libertar-se com as armas da democracia, talvez precise do empurrão de quem ainda tem coragem de agir.
Não se trata de imperialismo, como dirão os ingênuos de sempre. É uma intervenção legítima contra o ilegítimo, uma ofensiva para remover do mapa um poder que se sustenta no medo e no crime. O mundo assiste, os vizinhos se calam, e o Brasil — sob o silêncio cúmplice do governo Lula — observa de longe o incêndio que se alastra pelo continente, alimentado pelas mesmas chamas do narcotráfico que já queimam nas periferias brasileiras.
No fim, não se trata de capturar barcos nem de destruir carregamentos de droga. Trata-se de romper o pacto sombrio entre um ditador e o crime, que há anos faz da Venezuela um refém.
Se a frota americana rasga o azul do Caribe, que seja para abrir uma rota — não de guerra, mas de libertação — para um povo aprisionado pela tirania.












Limpando a sujeira que nosso presidente ajudou a colocar em baixo do tapete do Palácio de Miraflores.