OPINIÃO

Argentina: a escolha inteligente da OpenAI

Criadora pioneira no desenvolvimento da inteligência artificial através do ChatGPT, a OpenAI acaba de tomar uma decisão que surpreendeu o mundo: seu novo mega data center na América Latina não será erguido no Brasil — como seria o mais lógico, pela dimensão e importância da maior economia da região —, mas na Argentina.

O anúncio, feito por Sam Altman, CEO da OpenAI, envolve um investimento de 25 bilhões de dólares em parceria com a Sur Energy e prevê a construção de uma estrutura colossal, com capacidade de até 500 megawatts — energia suficiente para abastecer uma cidade de porte médio.

Batizado de Stargate Argentina, o projeto será o primeiro do tipo no continente. Um verdadeiro portal de dados e algoritmos que transformará o país vizinho em polo tecnológico de alcance global.

A Sur Energy ficará encarregada da implementação e da operação, garantindo energia segura e sustentável; a OpenAI, por sua vez, atuará como compradora principal da capacidade do centro, inaugurando uma nova era de superinteligência hospedada em solo argentino.

Mas por que a Argentina — e não o Brasil — foi escolhida? Há seis motivos que, somados, formam uma resposta eloquente.

O primeiro é o regime de incentivos fiscais, o RIGI (Regime para Investimentos em Grande Escala), que oferece benefícios sólidos e previsibilidade tributária — duas expressões que há tempos deixaram de frequentar o vocabulário econômico brasileiro.

O segundo está na matriz energética limpa e renovável: ventos indomáveis da Patagônia, sol abundante, potencial hidrelétrico. Um mosaico de fontes sustentáveis capaz de suprir a fome energética de um centro de dados de grande porte, e ainda assim manter o compromisso ambiental que pauta os investimentos globais da nova economia.

O terceiro motivo é o custo competitivo da eletricidade, um fator crucial quando se trata de estruturas que consomem energia como uma metrópole. A Argentina, ao oferecer tarifas industriais mais baixas que a média regional, cria um diferencial que se traduz em eficiência e rentabilidade.

O quarto, o talento humano. O país vizinho abriga um ecossistema vibrante de programadores, engenheiros e empreendedores digitais — muitos deles formados em universidades públicas de excelência — e um mercado interno em rápida expansão no uso de computação em nuvem, pronto para absorver e multiplicar o impacto da nova infraestrutura.

O quinto é a infraestrutura de conectividade, em franca evolução. Novos cabos submarinos ampliam a capacidade internacional de transmissão de dados, enquanto a malha de fibra óptica terrestre se adensa, reduzindo a latência e garantindo agilidade nas trocas digitais com o mundo.

Por fim, o sexto — e talvez o mais determinante — é o apoio governamental e a visão de país. O governo de Javier Milei não apenas incentiva, mas proclama a meta de fazer da Argentina um hub de inteligência artificial, inovação e infraestrutura digital. Um Estado que abre portas em vez de criar obstáculos, que aposta na liberdade econômica como motor de desenvolvimento.

Esse ambiente pró-mercado ganhou um reforço monumental com a vitória legislativa de Milei nas eleições deste domingo, um triunfo que consolidou sua base e deu ao presidente o respaldo político para seguir com as reformas que prometeu.

Um resultado que soa como garantia de estabilidade institucional e segurança jurídica para investidores globais.

Enquanto isso, o governo do Brasil mostra-se obstinadamente empenhado em travar uma guerra santa ideológica contra as big techs. Hostiliza, ameaça, tributa, suspira pela censura disfarçada de regulação. É o país que se gaba de ser o “celeiro do mundo”, mas se recusa a semear inovação.

A OpenAI escolheu a Argentina porque a inteligência artificial, obviamente, também tem instinto de sobrevivência. E, no atual mapa da América do Sul, ela resolveu cruzar a fronteira, onde o vento sopra a favor do futuro, e não contra ele.

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2 Comentários

  1. Como me assusta saber que estamos perdendo tantas oportunidades e ficando cada vez mais para trás com esse governo que desdenha do mundo evoluído e quer impor soluções obsoletas para os problemas do país.
    Estamos numa quadra de desalento. Não é possível que não exista entre esses que estão governando o país, alguém que abra os olhos desses governantes e lhes explique que o que estão fazendo vai colocar nosso país no sub do sub do mundo.

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