Opinião

Eleição da Câmara coloca Bolsonaro e Lula no mesmo barco

Ninguém certamente imaginava que um dia iria ver Bolsonaro e Lula, inimigos viscerais, líderes das duas correntes ideológicas que polarizam em clima de guerra a política brasileira, somando esforços em torno de uma mesma causa.

Pois esse dia chegou.

Ambos estão unidos no apoio à candidatura do deputado paraibano Hugo Motta, do Republicanos, franco-favorito para conquistar a presidência da Câmara Federal, sucedendo a partir de fevereiro seu padrinho Arthur Lira (PP-AL), que, ao realizar a proeza de costurar o acordo entre os dois rivais em favor do seu pupilo, mostrou que sabe jogar o jogo e vai continuar dando as cartas nos bastidores do parlamento.

Movidos, obviamente, por objetivos bem diferentes, Lula e Bolsonaro não querem perder espaço e influência na direção da Casa, que nos últimos anos vem ganhando protagonismo cada vez maior na definição dos destinos da nação, fazendo do seu presidente uma das figuras mais importantes da República, só perdendo em poder para os ministros-deuses do Supremo Tribunal Federal.

Para o petista, é crucial manter um bom diálogo com o deputado que comanda a Câmara, tendo em vista que a tramitação dos projetos encaminhados pelo Palácio do Planalto depende da concordância dele, que tem a prerrogativa de colocá-los em votação ou deixá-los engavetados pelo tempo que quiser.

Para o ex-presidente, é fundamental que a cadeira não fique nas mãos de um governista-raiz e que faça andar os temas que lhe interessam, como a proposta que pode restituir seu direito de disputar eleições e anistiar os manifestantes do 8 de Janeiro.

É o bom e velho pragmatismo superando antagonismos e provando, mais uma vez, que Brasília não é para amadores.

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