Bloco de Notas
- Vestiário cheio, escalação em aberto
Depois de semanas de suspense — e de um desfile silencioso de pretendentes ao Palácio Iguaçu —, o governador Ratinho Junior finalmente apresentou o nome do seu grupo para a sucessão estadual: o deputado federal Sandro Alex.
A escolha passou longe de ser trivial. Entre nomes fortes como Guto Silva e Alexandre Curi, pesaram não apenas os arranjos políticos, mas também um componente cada vez mais decisivo: as pesquisas qualitativas. A busca pelo “perfil ideal” — aquele que dialoga melhor com o eleitor — acabou favorecendo Sandro Alex.
E currículo, convenhamos, não lhe falta. Ex-secretário de Infraestrutura e Logística, foi um dos principais executores da atual gestão, conduzindo obras estruturantes e de alto impacto. Entre elas, a aguardada Ponte de Guaratuba, prestes a ser inaugurada, além da Ponte da Integração e da Perimetral Leste, em Foz do Iguaçu, em parceria com Itaipu.
Sob sua gestão, o Paraná estruturou um pacote robusto de concessões rodoviárias — mais de R$ 60 bilhões em investimentos, com cerca de 1,8 mil quilômetros de duplicações. Avançou ainda no modelo de rodovias em concreto, que já soma mais de 750 quilômetros entre obras concluídas, em execução ou contratadas.
Nos portos, o desempenho também impressiona: seis vezes eleito o melhor do país, o Portos do Paraná bateu recorde histórico de movimentação em 2025, com 73,5 milhões de toneladas — volume projetado apenas para 2035.
Ainda assim, o cenário está longe de definido. Rafael Greca mantém sua pré-candidatura, Álvaro Dias entra na disputa pelo Senado, e nomes como Sergio Moro e Requião Filho já ocupam espaço no tabuleiro.
O que existe hoje é organização. Ajuste de peças. Definição de estratégias.
O jogo — esse ainda espera. E só começa pra valer nas convenções partidárias, em julho. Ou seja, muita água ainda vai passar debaixo da ponte
- Entre taças e códigos de acesso
Aquela noite em Londres segue rendendo capítulos que misturam poder, dinheiro e bastidores com uma naturalidade desconcertante.
O banqueiro Daniel Vorcaro bancou um jantar de cerca de R$ 2,7 milhões no exclusivo clube Annabel’s, reunindo integrantes da cúpula dos Três Poderes em homenagem ao ministro Alexandre de Moraes. O evento, que se estendeu por três dias, incluiu voos em primeira classe, jatinhos, hospedagem no luxuoso The Peninsula London — com diárias entre R$ 8 mil e R$ 22 mil — e experiências como degustações de whisky Macallan.
Até aí, um espetáculo de alto padrão.
Mas o que chamou atenção veio depois.
Para um grupo ainda mais seleto, houve um “after party” na suíte presidencial. O acesso não era por lista — era por símbolo. Um broche distribuído a alguns convidados funcionava como senha para um ambiente reservado, onde estavam as chamadas “suissinhas”.
Nem todos aceitaram o convite — autoridades presentes, segundo apuração, recusaram a extensão da noite.
O episódio, registrado em relatório da Polícia Federal, acrescenta um detalhe curioso a um evento que já parecia excessivo por natureza.
Porque, no fim, o luxo raramente está no que se vê.
Mas no que se esconde.
- Um teto baixo para quem já esteve no topo
Há números que não desabam — mas também não avançam. E, na política, isso costuma ser um aviso.
As pesquisas mais recentes indicam que o presidente Lula parece ter encontrado seu limite: algo em torno de 45%. Empata tecnicamente com nomes como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema — e não consegue romper essa barreira.
O dado mais relevante não é o tamanho do apoio, mas a consistência da rejeição. Consolidou-se um cenário em que uma parcela significativa do eleitorado não quer Lula — e está disposta a votar em qualquer alternativa viável.
É aí que o jogo muda de natureza.
A disputa na direita, neste momento, não é apenas contra o presidente. É interna — para definir quem chega ao segundo turno. Porque, uma vez lá, a tendência é de convergência automática desse eleitorado.
Uma espécie de lógica por eliminação.
Há razões para isso. O governo acumula desgaste, dificuldade de entrega, dependência de fórmulas antigas e uma condução política que não conseguiu sustentar a promessa de ampla coalizão.
Some-se a isso a fadiga de material. Após décadas no centro da política, o lulopetismo começa a soar repetitivo.
A eleição ainda está longe.
Mas há um dado que se impõe desde já: desta vez, Lula não enfrenta apenas adversários.
Enfrenta o limite.
- O Brasil que funciona — e impressiona
Em meio a tantas disputas pequenas, o país ainda é capaz de produzir grandeza sem esforço.
O Parque Nacional do Iguaçu foi reconhecido como o terceiro parque natural mais popular do mundo entre os Patrimônios Naturais da Humanidade. É o único brasileiro na lista de pesquisas do Google.
Fica atrás apenas dos parques de Plitvice, na Croácia, e do Iguazú, na Argentina. Ainda assim, soma quase 70 mil avaliações com nota média de 4,8.
As Cataratas, com suas 275 quedas, dispensam apresentação. São, por si só, um argumento.
Em 185 mil hectares, o parque abriga um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do interior, com biodiversidade rica e espécies ameaçadas.
E segue evoluindo. Novas experiências, trilhas, horários ampliados — uma tentativa de transformar visita em vivência.
Como se não bastasse, a 17ª Meia Maratona das Cataratas, em maio, já reúne milhares de corredores em um percurso que mistura esforço e contemplação.
Há lugares que se explicam.
Outros, como Iguaçu, apenas se impõem.
- Um passo atrás para não tropeçar à frente
A ministra Cármen Lúcia decidiu antecipar sua saída da presidência do TSE. O mandato iria até junho, mas ela optou por deixar o cargo antes, em nome de uma transição mais tranquila em ano eleitoral.
A justificativa é técnica — e consistente.
Mas, no ambiente atual, nenhum gesto é neutro.
Ao se afastar antes do período mais sensível, evita-se exposição desnecessária e leituras enviesadas sobre a condução do processo eleitoral.
Não é recuo.
É cálculo institucional.
Num cenário em que a confiança precisa ser reconstruída todos os dias, às vezes o melhor movimento é justamente sair de cena antes do clímax.
- A mesa está posta — e o mundo veio provar
O Brasil, enfim, deixou de ser promessa na alta gastronomia.
Pela primeira vez, o Guia Michelin concedeu três estrelas a restaurantes no país. Evvai e Tuju, ambos em São Paulo, entram para a elite mundial.
Três estrelas não são apenas reconhecimento. São raridade. Um selo reservado a experiências que justificam a viagem.
O feito é resultado de um processo. Desde 2015, quando o guia chegou ao Brasil, nomes como D.O.M., Maní, Lasai e Oro ajudaram a consolidar um padrão que mistura técnica, identidade e criatividade.
Agora, o país não pede mais atenção.
Ele recebe.
E, mais do que isso, serve.
- Afinidade eletiva — versão carcerária
Entre tantas pesquisas possíveis, uma chama atenção pela coerência quase absoluta.
Se apenas os presos provisórios votassem, o PT seria imbatível.
Os dados de 2022 mostram Lula com cerca de 80% dos votos nesse eleitorado, com padrão semelhante em disputas para governador, Senado e Câmara. Em vários estados, os candidatos preferidos nas penitenciárias sequer foram eleitos — mas venceram com folga dentro delas.
A Constituição de 1988 garantiu o direito ao voto a quem ainda não tem condenação definitiva. É um princípio legítimo.
O comportamento eleitoral, no entanto, revela uma sintonia clara.
Partidos que adotam uma visão mais voltada aos direitos humanos no sistema penal encontram ali um público particularmente receptivo.
Não é acaso.
É identificação.
- Luxo com endereço — e passaporte brasileiro
A JHSF decidiu ampliar seu mapa — e escolheu Punta del Este como território.
A empresa adquiriu o tradicional Hotel Conrad por US$ 160 milhões, consolidando sua aposta no balneário mais sofisticado da América do Sul.
Não é apenas uma compra.
É posicionamento.
Punta é mais do que destino. É símbolo. E quem se instala ali não busca apenas retorno financeiro — busca relevância.
A JHSF entendeu o jogo.
E entrou para disputar em alto nível.
- A frase que dispensa complemento
“Quanto a mim, podem dormir tranquilos, eu não faço nada de errado.”
A declaração de Cármen Lúcia tem a força das frases simples — aquelas que dizem mais pelo contexto do que pelas palavras.
Ao lembrar que a legitimidade de ministros do STF se constrói diariamente, com notável saber jurídico e reputação ilibada, ela recoloca o básico no centro.
E quando o básico precisa ser reafirmado, é sinal de que ele deixou de ser óbvio.
Não foi um ataque.
Mas também não foi apenas uma defesa.
- Vinhas arrancadas, hábitos reescritos
A França, símbolo máximo da tradição vinícola, começou a fazer o impensável: arrancar vinhedos.
O governo de Emmanuel Macron lançou um fundo de € 130 milhões para subsidiar produtores em crise — incentivando a eliminação de parreiras em regiões tradicionais como Bordeaux e Languedoc.
O problema não é falta de produção.
É falta de consumo.
As novas gerações bebem menos. Mudam hábitos. A concorrência global aumenta. As exportações sofrem, especialmente após tarifas americanas que derrubaram vendas em 20%.
E há um fator mais recente — e silencioso — nessa equação.
O avanço das canetas emagrecedoras, amplamente utilizadas no combate à obesidade, vem alterando profundamente o comportamento alimentar. Por recomendação médica, muitos usuários reduzem drasticamente — ou abandonam — o consumo de álcool.
O impacto já começa a aparecer.
A França arrancou cerca de 50 mil hectares de vinhedos. Outros 30 mil devem seguir o mesmo destino.
Sobra tradição.
Falta demanda.
E, pela primeira vez em muito tempo, nem o vinho escapa à mudança dos tempos.



