Bloco de Notas

1 – Aeroporto com safra de embarque
A Itália definitivamente se recusa a ser um país normal. Enquanto boa parte do mundo ainda tenta descobrir onde colocar tomadas suficientes perto das poltronas dos aeroportos, Florença decidiu plantar vinhedos no telhado do terminal.
O novo aeroporto da cidade, projetado pelo escritório Rafael Viñoly Architects, promete transformar a experiência de embarque numa espécie de check-in enológico. O projeto prevê um grande vinhedo suspenso sobre a cobertura do terminal, com 38 fileiras de videiras espalhadas por quase oito hectares de telhado. Sim, o passageiro desembarca na Toscana e, antes mesmo de encontrar a mala, já estará literalmente cercado por vinho.
A proposta vai além do paisagismo instagramável. O aeroporto terá produção própria de vinhos, incluindo áreas de envelhecimento dentro do complexo aeroportuário. Uma mistura improvável de adega, arquitetura e pista de pouso. Em tese, o único lugar do mundo onde uma turbulência pode talvez harmonizar com um Chianti.
Os arquitetos dizem que o objetivo é integrar o terminal à paisagem e à tradição agrícola da Toscana. Claraboias, eficiência energética, iluminação natural e soluções sustentáveis fazem parte do projeto. Em outras palavras: os italianos conseguiram transformar até um aeroporto em experiência estética.
Há países que inauguram terminais com discursos sobre concreto. A Toscana inaugura os seus com aroma de barrica.
2 – O Paraná troca o remendo pela durabilidade
Enquanto parte do Brasil ainda administra estradas como quem administra goteira — esperando o próximo buraco aparecer para então correr atrás do prejuízo — o Paraná começa a consolidar uma mudança silenciosa e bastante estratégica em sua infraestrutura rodoviária.
O Centro de Liderança Pública (CLP) colocou o Estado como referência nacional em sustentabilidade e planejamento de obras ao reconhecer a política de pavimentação em concreto adotada pelo governo paranaense. E aqui está o ponto interessante: o reconhecimento não veio pelo menor preço da licitação, mas justamente pela lógica oposta. Pela visão de longo prazo.
O pavimento rígido de concreto custa mais no início, mas dura pelo menos o dobro do asfalto convencional. Enquanto muitas rodovias brasileiras parecem disputar um campeonato nacional de remendos e operações tapa-buraco, o Paraná começa a apostar numa lógica mais próxima de países desenvolvidos: gastar mais na origem para gastar menos durante décadas.
Não por acaso, o modelo adotado no Estado (que já soma 800 km de concreto) aproxima as rodovias paranaenses do padrão utilizado em países como Alemanha e Estados Unidos. Na região Oeste, por exemplo, a ligação entre Toledo e Assis Chateaubriand já seguirá essa nova filosofia de engenharia.
O detalhe talvez mais simbólico esteja justamente na nota técnica do CLP: o Paraná foi citado como exemplo de “orçamento de capital verde” aplicado à infraestrutura. Em tempos em que boa parte da política brasileira ainda pensa na próxima manchete, há algo bastante civilizado em um governo que resolve pensar na próxima geração de motoristas.
Buraco em estrada sempre rende foto. Durabilidade raramente rende palanque. Talvez por isso continue sendo tão rara no Brasil.
3 – Ratinho, o general eleitoral de Sandro Alex
Pesquisa eleitoral, às vezes, parece exame de pré-temporada. Todo mundo corre muito, posa para fotografia, mede desempenho, mas o campeonato propriamente dito ainda nem começou.
A nova pesquisa IRG para o governo do Paraná trouxe um dado politicamente muito relevante: quando os candidatos aparecem “sozinhos”, Sergio Moro lidera com folga. Mas quando entram em cena os padrinhos políticos, o jogo muda consideravelmente.
Nesse cenário, Sandro Alex cresce de forma expressiva ao ser identificado como o nome apoiado pelo governador Ratinho Junior. Salta para 26,2% e assume a segunda colocação, reduzindo distância e entrando definitivamente no campo competitivo da disputa.
E talvez esteja justamente aí o principal ativo político do governador paranaense para 2026. Ratinho Jr. já demonstrou possuir algo raríssimo na política brasileira atual: com 80% de aprovação, o que beira a unanimidade, ele entra no seleto grupo dos governadores capazes de transformar popularidade administrativa em força eleitoral.
A Genial/Quaest ajuda a dimensionar esse capital político. Um levantamento que o instituto divulgou no final de abril aponta que 64% dos entrevistados acreditam que Ratinho merece eleger um sucessor. Em qualquer campanha, isso funciona quase como uma avenida aberta para transferência de votos.
O cenário permanece amplamente aberto. Apenas 32% dizem ter voto definitivo. Outros 67% admitem mudar de posição durante a campanha. E o dado mais impressionante talvez seja outro: na espontânea, 84% ainda não sabem em quem votar.
Traduzindo do eleitorês para o português claro: o palco já está montado, mas a eleição, nesta fase de pré-campanha, ainda parece um grande ensaio com atores procurando os seus papéis.
4 – A inteligência artificial agora quer curar todas as doenças
A humanidade mal conseguiu resolver o atendimento automático dos bancos, mas a inteligência artificial já decidiu que talvez seja hora de acabar com as doenças.
A Isomorphic Labs, startup criada a partir da estrutura do Google DeepMind, acaba de captar impressionantes US$ 2,1 bilhões para acelerar pesquisas de novos medicamentos usando IA. E a ambição da empresa não é exatamente modesta: encontrar uma nova forma de revolucionar a descoberta de tratamentos para praticamente tudo.
Em outros tempos, promessas assim pareceriam roteiro rejeitado de ficção científica. Hoje, viraram apresentação para investidores no Vale do Silício.
A empresa nasceu da mesma estrutura que desenvolveu avanços impressionantes em biologia computacional, especialmente no mapeamento de proteínas — uma espécie de Santo Graal da medicina moderna. A ideia é usar inteligência artificial para reduzir drasticamente o tempo necessário para descobrir moléculas, testar combinações e acelerar o desenvolvimento de remédios.
Durante décadas, desenvolver um novo medicamento exigia anos de pesquisa, bilhões de dólares e uma quantidade quase infinita de tentativa e erro. Agora, algoritmos começam a assumir parte desse trabalho com velocidade muito superior à humana.
A ironia do nosso tempo talvez esteja aí: nunca houve tanta ansiedade coletiva, tanta exaustão emocional e tanta gente dormindo mal. Mas nunca a ciência pareceu avançar tão rápido rumo ao impossível.
O futuro definitivamente perdeu a timidez.
5 – Maria Clara nasceu onde a vida pediu passagem
Entre pesquisas eleitorais, guerras comerciais, inteligência artificial e crises permanentes da humanidade, ainda existem notícias que devolvem algum oxigênio ao noticiário.
A pequena Maria Clara nasceu dentro de uma ambulância na região Sudoeste do Paraná, durante um atendimento realizado pela equipe da EPR Iguaçu. A mãe, Vânia Dietzmann, era transportada de Pranchita para Francisco Beltrão quando o parto evoluiu rapidamente e obrigou a equipe médica a improvisar uma maternidade sobre rodas.
Faltando cerca de 20 quilômetros para o hospital, não havia mais tempo para protocolos, corredores ou burocracias hospitalares. Era apenas a vida chegando com a urgência que a vida costuma ter.
O médico Patrick Lanzarini, a enfermeira Jaqueline Rodrigues Borges e o socorrista Weverson Damarte realizaram o parto dentro da ambulância. Maria Clara nasceu bem. A mãe também.
E há um detalhe quase cinematográfico nessa história: foi o segundo nascimento registrado nas rodovias administradas pela concessionária em menos de uma semana. Dias antes, outra bebê, Ana Maria, também havia vindo ao mundo dentro de uma ambulância da EPR.
No fim das contas, entre sirenes, acostamentos e rodovias, o Oeste do Paraná acabou ganhando duas pequenas lembranças de que a esperança ainda encontra caminhos curiosos para chegar.
6 – Gilmar fala… e Brasília escuta o recado
Na política brasileira, existem decisões judiciais. E existem decisões judiciais que funcionam como fumaça branca antes mesmo da votação começar.
Ao derrubar a decisão que mandava excluir uma postagem contra Deltan Dallagnol, o ministro Gilmar Mendes talvez tenha produzido algo maior que um simples despacho processual. Produziu sinalização política.
Gilmar voltou a chamar a Lava Jato de “famigerada”, retomou críticas duríssimas à operação e reforçou o entendimento de que Dallagnol estaria enquadrado nas hipóteses de inelegibilidade reconhecidas pelo TSE. Não foi exatamente uma sutileza.
O ex-procurador pretende disputar o Senado em 2026. Mas, em Brasília, muita gente já começa a interpretar os movimentos do Supremo como uma espécie de roteiro previamente ensaiado para barrar sua candidatura antes mesmo que ela ganhe musculatura eleitoral.
E aqui reside o dado político central: Gilmar Mendes se transformou há anos no principal antagonista simbólico da Lava Jato dentro do STF. Quando fala sobre Deltan ou Sergio Moro, não fala apenas como magistrado. Fala também como personagem central de uma das maiores guerras institucionais da história recente do país.
A política brasileira talvez tenha poucas coisas tão previsíveis quanto isso: sempre que Curitiba reaparece no debate nacional, Brasília volta a afiar os dentes.
7 – A Copa do Mundo agora exige consultor financeiro
O futebol definitivamente realizou o sonho das elites: transformou arquibancada em ativo de luxo.
Os ingressos para a final da Copa do Mundo atingiram valores simplesmente delirantes no mercado oficial de revenda da Fifa. Dependendo do setor, assistir à partida pode custar o equivalente a um carro popular — isso sem incluir passagem aérea, hospedagem, alimentação e o pequeno detalhe de talvez precisar vender um rim para comprar pipoca.
Na revenda oficial da Fifa, segundo a revista Veja, os ingressos mais baratos para a final variavam entre US$ 9.200 e US$ 40.200 — algo entre R$ 47 mil e R$ 205 mil na conversão atual. Já assentos mais privilegiados apareciam próximos da casa dos US$ 92 mil.
Durante décadas, a Copa era apresentada como a grande festa popular do planeta. O problema é que o povo aparentemente ficou do lado de fora do estádio.
O mais curioso é observar como o futebol moderno conseguiu algo que parecia impossível: elitizar até a emoção coletiva. O torcedor raiz virou figurante de transmissão televisiva enquanto camarotes corporativos se multiplicam como condomínios de luxo suspensos sobre o gramado.
Claro, o espetáculo continua grandioso. Mas talvez exista uma pequena ironia histórica no fato de que o esporte mais popular do mundo esteja cada vez mais acessível apenas para milionários, fundos de investimento e influencers convidados.
Daqui a pouco, para sofrer em final de Copa, será preciso apresentar declaração de imposto de renda.
8 – Diplomacia ao molho agridoce
A geopolítica mundial talvez seja apenas a sofisticada arte de resolver tensões nucleares enquanto garçons servem sobremesa.
O jantar oferecido por Xi Jinping a Donald Trump em Pequim misturou pato assado, ribs crocantes, tiramisù e interesses estratégicos bilionários. Um encontro em que a cozinha chinesa e a diplomacia internacional dividiram a mesma mesa — provavelmente com muito mais eficiência do que certas reuniões da ONU.
Os chefs chineses tentaram adaptar o menu às preferências culinárias de Trump, conhecido apreciador de hambúrgueres, carnes bem-passadas e comida sem grandes aventuras gastronômicas. Pequim resolveu então servir uma espécie de paz tarifária acompanhada de molho agridoce.
Mas o mais importante não estava exatamente nos pratos. Estava nos sinais políticos que começaram a surgir após o encontro.
China e Estados Unidos concordaram que o Irã não deve possuir armas nucleares, defenderam a manutenção do fluxo livre no Estreito de Ormuz e abriram conversas envolvendo energia, petróleo e comércio agrícola. Pequim, inclusive, já começou a ampliar compras de soja americana e petróleo dos Estados Unidos.
Num mundo cada vez mais histérico, talvez exista algo quase revolucionário em duas superpotências decidirem conversar antes de gritar.
Ainda que isso aconteça entre uma taça de vinho e uma sobremesa italiana.
9 – Quando a PF troca o motorista no meio da curva
A troca do delegado responsável pelas investigações dos desvios no INSS produziu em Brasília exatamente aquilo que Brasília mais gosta de produzir: suspeitas, bastidores, versões oficiais e piadas instantâneas.
O delegado Guilherme Figueiredo Silva foi retirado da coordenação do caso justamente quando a investigação começava a avançar sobre informações ligadas aos negócios de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Entre os movimentos previstos estava o depoimento da empresária Roberta Luchsinger, investigada sob suspeita de intermediar pagamentos ao filho do presidente.
A Polícia Federal garante que nada muda. Diz que a transferência ocorreu apenas para dar “mais estrutura” ao inquérito, que agora passa a tramitar numa área especializada em casos complexos envolvendo tribunais superiores.
Em Brasília, quando uma nota oficial usa expressões como “maior eficiência”, “continuidade” e “reestruturação estratégica”, o instinto nacional imediatamente desconfia de que alguém puxou o freio de mão.
A oposição viu na mudança um possível esvaziamento da investigação. Já aliados do governo tentam reduzir o episódio a mera reorganização administrativa. O problema é que, na capital da República, coincidências costumam envelhecer muito mal.
Especialmente quando envolvem filhos de presidentes, bilhões desviados e troca de comando no meio da investigação.
10 – Se salário ganhasse Copa, o Hexa já estava garantido
A nova lista da Seleção Brasileira reúne alguns dos jogadores mais bem pagos do planeta. Somados, os salários parecem orçamento de país petrolífero.
Levantamento da Forbes, com base em dados do Capology, mostra Vinicius Junior no topo da lista, com vencimentos estimados em R$ 146,2 milhões por ano. Depois aparecem Casemiro, com cerca de R$ 122,7 milhões anuais, e Raphinha, com R$ 97,5 milhões. O grupo ainda inclui Ederson, Marquinhos, Fabinho, Gabriel Martinelli, Matheus Cunha, Ibañez e Bruno Guimarães.
O futebol brasileiro continua sendo talvez a maior fábrica de talentos do mundo. A diferença é que agora seus craques saem do campinho de terra direto para folhas salariais que parecem números de PowerPoint corporativo.
Claro, dinheiro nunca garantiu título. Caso contrário, certas seleções europeias já teriam transformado a Copa numa assinatura mensal.
Mas há uma esperança quase infantil renascendo entre os torcedores brasileiros: se essa geração finalmente conseguir jogar em campo algo próximo do que recebe fora dele, talvez o Hexa deixe de parecer apenas lembrança nostálgica de comerciais antigos.
Porque convenhamos: pelo contracheque, essa seleção já deveria entrar em campo vencendo de 3 a 0.
11 – As dores — e os empregos — do crescimento
Crescer é maravilhoso. Até chegar a conta da expansão.
A Lar Cooperativa Agroindustrial vive hoje exatamente esse tipo de problema que qualquer empresa sonharia ter: crescimento acelerado, ampliação geográfica, fortalecimento industrial e uma necessidade cada vez maior de mão de obra qualificada.
O que começou há décadas com 55 produtores no Oeste do Paraná se transformou numa potência agroindustrial presente em vários estados brasileiros e também no Paraguai. Hoje, a cooperativa reúne cerca de 17 mil famílias associadas e mais de 27 mil funcionários, conectando produção agrícola, proteína animal, indústria, logística, crédito e exportação para mais de 100 países.
A expansão, naturalmente, exige gente. Muita gente.
A Lar abriu oportunidades em diferentes áreas e níveis de formação, especialmente em unidades industriais ligadas à produção de aves no Paraná e no Rio Grande do Sul. E aqui talvez exista uma mudança silenciosa importante no agro brasileiro: faz tempo que cooperativas deixaram de procurar apenas força braçal. Hoje buscam tecnologia, gestão, inovação, logística, engenharia, dados e profissionais capazes de operar estruturas cada vez mais sofisticadas.
O agronegócio brasileiro já não cabe mais naquele velho clichê do sujeito de chapéu encostado na caminhonete olhando a lavoura. Hoje ele também usa software, inteligência logística, automação industrial e cadeia globalizada.
O campo continua produzindo comida. Mas passou também a produzir carreiras.
12 – O azeite brasileiro resolveu afrontar a Europa
Durante décadas, o Brasil aceitou resignadamente certas hierarquias gastronômicas internacionais. Vinhos bons vinham da França. Azeites extraordinários vinham da Europa. E nós ficávamos aqui, exportando soja e tentando explicar ao mundo o que é pão de queijo.
Até que um empresário gaúcho resolveu se irritar com isso.
Da indignação de Lucídio Goelzer nasceu um projeto que acabou levando o azeite brasileiro ao topo de uma das mais importantes competições internacionais do setor. O Rio Grande do Sul conseguiu aquilo que parecia improvável: superar produtores europeus justamente num território que os europeus consideravam praticamente patrimônio cultural exclusivo.
E há algo deliciosamente simbólico nisso tudo.
O Brasil passou décadas acreditando que sofisticação gastronômica era um artigo necessariamente importado. Agora começa a descobrir que terroir, excelência e qualidade também podem nascer entre geadas gaúchas, oliveiras nacionais e produtores obstinados.
A história do azeite brasileiro talvez diga muito sobre o país. O problema nunca foi falta de potencial. Quase sempre foi excesso de complexo de vira-lata.
Desta vez, a Europa teve de engolir o orgulho — provavelmente regado com azeite gaúcho.
13 – Glória Kalil e o raro talento de ensinar elegância sem arrogância
Depois de um desencontro provocado pelo mau tempo, Glória Kalil finalmente desembarca em Cascavel. A principal atração anunciada para o Catuaí Fashion Day, realizado no dia 9 de abril, acabou impedida de chegar à cidade pelas condições climáticas que afetaram o aeroporto naquela data. Agora, retorna para cumprir a aguardada visita — o que, convenhamos, combina bastante com alguém cuja trajetória sempre esteve ligada justamente à elegância, ao tempo certo e à sofisticação sem exageros.
Há pessoas que falam sobre moda. E há pessoas que ajudam um país inteiro a compreender comportamento, estética e bom gosto sem transformar isso numa competição de vaidades.
Glória Kalil pertence à segunda categoria.
A jornalista, empresária e consultora de moda desembarca em Cascavel no próximo dia 10 de junho para participar de um talk promovido pelo Catuaí Shopping. E sua presença carrega algo maior que um simples evento sobre estilo.
Durante décadas, Glória ajudou a traduzir moda para o cotidiano real das pessoas. Fez isso sem histrionismo, sem gritaria fashionista e sem aquele tom professoral típico de quem transforma elegância em instrumento de exclusão social.
Num país frequentemente apaixonado por exageros, ela construiu autoridade justamente pela sobriedade.
Seu trabalho atravessou gerações porque nunca falou apenas de roupa. Falou de imagem, comportamento, postura e da maneira como as transformações culturais acabam aparecendo também no modo como as pessoas se apresentam ao mundo.
Num tempo em que muita gente confunde exposição com sofisticação, talvez Glória Kalil continue relevante justamente porque jamais precisou gritar para ser referência.



