O passado te condena


Digna dos roteiros dos melhores filmes de espionagem internacional, essa história começou a vir a público em 2007 quando a alfândega argentina, como muitos devem estar lembrados, encontrou a bagatela de 800 mil dólares dentro de uma mala em posse de um empresário venezuelano que havia chegado a Buenos Aires.
Na aeronave, um jato alugado que tinha saído de Caracas, estavam também o presidente do Órgão de Controle de Concessões de Estradas da Argentina, Cláudio Uberti, que deixou o cargo devido ao escândalo, o presidente da estatal petrolífera argentina Enarsa e quatro funcionários da estatal de petróleo da Venezuela, a famosa PDVSA.
Em uma entrevista que concedeu algum tempo depois, o dono da mala afirmou que o dinheiro era para a campanha presidencial de Cristina Kirchner, esposa do então presidente Néstor Kirchner.
Como era de se esperar, a acusação foi prontamente negada pela Casa Rosada, a investigação sobre o caso não avançou e tudo ficou por isso.
Tratado à época como um fato isolado, o episódio serviu, porém, para trazer à tona, à época sem comprovação, diversos relatos de eventos similares, que ficaram no limbo das teorias conspiratórias.
Sabe-se agora, entretanto, que a apreensão dos 4,5 milhões de reais (em dinheiro de hoje) no aeroporto da capital portenha era só a ponta do iceberg de um esquema grandioso que acaba de ser inteiramente confirmado pela confissão de um dos principais protagonistas da trama.
Detido em Madri em setembro, um ex-chefe da Inteligência Militar da Venezuela revelou em depoimento à Justiça Espanhola que os governos de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro fizeram remessas ilegais de dinheiro a partidos e políticos de esquerda na Europa e na América Latina durante pelo menos 15 anos, apontando os seguintes destinatários dos pagamentos: Néstor Kirchner, na Argentina; Evo Morales, na Bolívia; Lula, no Brasil; Fernando Lugo, no Paraguai; Ollanta Humala, no Peru; Manuel Zelaya, em Honduras; Gustavo Petro, na Colômbia; o Movimento Cinco Estrelas, na Itália; e o Podemos, na Espanha.
A propósito, a legenda espanhola também teria recebido financiamentos ilícitos do governo comunista de Cuba, embora faltem no país alimentos e remédios para a população.
Conhecido como Pollo Carvajal, o general Hugo Armando Carvajal Barrios foi preso na capital espanhola a pedido da Justiça norte-americana, que já requereu sua extradição.
Figura de proa do regime chavista, Carvajal era considerado o fugitivo mais procurado dos Estados Unidos (que oferecia 10 milhões de dólares por informações sobre o seu paradeiro), onde está sendo processado por narcotráfico, lavagem de dinheiro e colaboração com os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia para contrabandear drogas para território norte-americano.
Essa turma da esquerda precisa escolher melhor suas companhias e seus patrocinadores.












