Do jeito que o diabo gosta

Sob a complacência geral da sociedade brasileira, vai indo muito bem o trabalho de desmonte do arcabouço jurídico que respaldava o combate à corrupção no país e que teve na Lava Jato um grande exemplo para o mundo ao conseguir levar a cabo a meta de identificar e prender políticos e empresários de alto coturno envolvidos em roubalheira de dinheiro público.

Já não existem mais, por exemplo, quatro ferramentas que foram essenciais para o sucesso da operação: as forças-tarefas do Ministério Público e da Polícia Federal, desativadas pelo procurador-geral da República Augusto Aras; a prisão em segunda instância, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; a condução coercitiva, que também passou a ser considerada ilegal pelo STF após décadas de uso dentro do processo penal brasileiro; e o julgamento de caixa 2 na Justiça comum, deslocada pela suprema Corte (sempre ela) para a Justiça Eleitoral, que reconhecidamente não tem estrutura técnica e funcional para atuar nesses casos.

Outros dois instrumentos igualmente fundamentais para o êxito inicial da Lava Jato podem ter em breve o mesmo destino: a delação premiada, prestes a sofrer no Congresso Nacional mudanças que vão dificultar enormemente sua utilização; e o foro privilegiado mais restrito, estabelecido em 2018 pelo STF para agilizar investigações e julgamentos, mas que agora alguns de seus ministros vêm optando por ignorar quando o acusado é um personagem importante da política nacional.

Em resumo, o caminho está ficando cada dia mais livre para a impunidade voltar a reinar sem sobressaltos.

A bandidagem do colarinho branco tá rindo à toa.

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2 Comentários

  1. Texto cirúrgico, poucas vezes li algo que descreve tão pontual a realidade Brasilera,parabéns.

  2. Só agradecer ao Sr. Presidente que fez o que estava a seu alcance para acabar com a Lava Jato, possibilitando assim tudo o que veio a reboque, à saber: o retorno do Sr Lula, e assim o governo parou com o medo do ex presidiário, e as paranóias que vemos dia após dia.

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