Eles tardam, mas não falham

Nunca o Supremo Tribunal Federal trabalhou tanto como nesta semana para prosseguir na tarefa de desmoralizar o combate à corrupção no país e consagrar o Brasil como o paraíso da impunidade de gente poderosa, missão que vem cumprindo metodicamente desde que a Operação Lava Jato começou a investigar, condenar e prender criminosos de colarinho branco especializados em saquear os cofres públicos.

Dando mais uma de suas já costumeiras contribuições à causa, o ministro Gilmar Mendes suspendeu a tramitação de três ações de improbidade administrativa contra o presidente da Câmara, Arthur Lira, que estavam em andamento na Justiça Federal de Curitiba, no âmbito da Lava Jato.

Para não deixar por menos, Alexandre de Moraes entrou em campo e anulou a decisão do juiz Marcelo Bretas, responsável pela operação no Rio de Janeiro, que havia transformado o ex-presidente Michel Temer (que, por sinal, colocou Moraes no STF) e o ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco em réus por suposto recebimento de propina nas obras da usina nuclear Angra 3.

Indo na mesma toada, a Segunda Turma da Corte resolveu manter a incompetência da 13ª Vara Federal da capital paranaense para julgar a ação penal movida contra o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega pela acusação de embolsar 50 milhões de reais da Odebrecht para encomendar medidas provisórias que permitiram parcelar dívidas da Braskem, petroquímica controlada pela empreiteira, e determinou o encaminhamento dos autos para Brasília.

Mas o grande golpe, já esperado, veio do plenário da Corte ao confirmar por maioria esmagadora a decisão da Segunda Turma (sempre ela) que declarou a falta de imparcialidade do ex-juiz Sérgio Moro ao condenar Lula no caso do tríplex do Guarujá, o que vai levar à extinção desse processo e certamente também das demais ações envolvendo o petista que estiveram sob o comando do então magistrado.

Resumo da ópera: pelo andar da carruagem, políticos influentes e empresários endinheirados só precisam contratar bons advogados e recorrer aos amigos do STF para escapar das garras da lei.

Basta ter paciência que, entre mortos e feridos, vão salvar-se todos.

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