Opinião

Onde os projetos bebem na fonte

Todo ramo de negócios tem suas bússolas — eventos que apontam, antes que o mercado perceba, para onde o gosto, a técnica e a sensibilidade estão caminhando. A Expo Revestir, realizada anualmente em São Paulo e consagrada como a maior feira de revestimentos e acabamentos da América Latina, é uma delas.

Neste ano, ela reuniu cerca de 72 mil visitantes ao longo de cinco dias, mais de 300 marcas expositoras e, considerando os eventos simultâneos como a Haus Decor Show — dedicada à iluminação, automação e design —, chegou a aproximadamente 350 a 400 expositores.

Um universo completo de tendências, tecnologias e linguagens concentrado num único endereço.

Entre os milhares de profissionais que percorreram os corredores da feira, Cascavel marcou presença com autoridade. As renomadas arquitetas Adriana Bolelli e Camila de Godoy, sócias do escritório A. Bolelli junto com Maria Carolina Campelo, estiveram lá, absorvendo em primeira mão o que há de mais inovador no mundo da decoração de interiores.

A edição de 2026 consolidou tendências que já vinham desenhando o futuro do setor. A natureza assumiu definitivamente o papel de protagonista — superfícies com texturas orgânicas, tons terrosos, materiais como pedra, argila e madeira reafirmam a biofilia como linguagem dominante, não moda passageira.

Os grandes formatos avançaram: peças de revestimento cada vez maiores, com menos rejuntes, conferindo aos ambientes uma continuidade visual que sofistica sem gritar. E os banheiros — há tempos deixaram de ser coadjuvantes — ganharam destaque absoluto, com metais esculturais, cubas diferenciadas, cabines de sauna e tecnologias de banho que transformam o espaço mais íntimo da casa numa experiência sensorial completa.

Mas a Revestir de 2026 deixou uma mensagem que vai além do visível. A tecnologia mais relevante apresentada na feira não estava apenas nos equipamentos inteligentes ou na automação — estava nos materiais.

Superfícies mais eficientes, sistemas construtivos que impactam diretamente a durabilidade, a manutenção e a qualidade dos ambientes. Inovações que o olho nem sempre enxerga, mas que o tempo — e o bolso — reconhecem.

Adriana e Camila voltaram de São Paulo com o que nenhum catálogo entrega: a experiência direta do contato com o novo. E Cascavel, por extensão, ganhou.

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