OPINIÃO

Do Olimpo à Lista Negra

O castelo de arbítrios que Alexandre de Moraes construiu com suas próprias mãos começa a trincar — não por obra de alguma reação institucional brasileira, que há tempos se acovardou diante da toga, mas por uma ofensiva internacional que cresce em volume, consistência e contundência.

Nesta semana, a estrutura de poder que sustenta o tirânico ministro do Supremo Tribunal Federal foi atingida por mais dois golpes que, juntos, expõem o que já se desenha como um processo de deslegitimação global de sua figura.

Primeiro, a nova leva de mensagens vazadas por ex-funcionários de seus gabinetes, reveladas pelo site Civilization Works e pelos jornalistas David Ágape e Eli Vieira, mostra que o Tribunal Superior Eleitoral foi usado como central de inteligência clandestina para perseguir manifestantes antes e depois do 8 de janeiro.

A mando de Moraes — que presidia o TSE à época — servidores da Justiça Eleitoral monitoraram redes sociais, coletaram dados de cidadãos detidos em frente a quartéis e produziram relatórios com base em grupos privados de WhatsApp. Tudo isso fora de qualquer protocolo jurídico, com a conivência de juízes auxiliares e subordinados diretos do ministro. O objetivo: construir narrativas que sustentassem a farsa de um “golpe de Estado” — expressão repetida à exaustão para justificar abusos que hoje beiram a arquitetura de uma ditadura digital.

Na mesma segunda-feira em que as revelações vieram à tona, um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA elevou o tom contra o ministro. Christopher Landau, vice do secretário Marco Rubio, classificou as ações de Moraes como “impulsos orwellianos desenfreados” e afirmou que ele está arrastando o Brasil “para o território desconhecido de uma ditadura judicial”.

Em sua declaração pública, Landau escancarou o absurdo da prisão domiciliar imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro — detido sem sentença, sem julgamento, sem crime definido, e proibido até de usar o próprio celular. A imputação? Supostamente “obstrução de justiça” por criticar Moraes. Um tipo penal inédito na democracia moderna: crime de opinião contra o juiz do caso.

E não parou aí. Dois dias depois, Darren Beattie, subsecretário de Diplomacia Pública dos Estados Unidos, fez um alerta direto aos demais ministros do STF: quem seguir Moraes no caminho dos abusos será sancionado também.

Em postagem oficial, Beattie avisou que os “aliados de Moraes na Suprema Corte e em outros lugares” estão sendo “fortemente aconselhados a não auxiliar ou encorajar o comportamento sancionado de Moraes”.

E arrematou: o ministro é “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores”. Não por acaso, foi o primeiro latino-americano punido pela Lei Global Magnitsky — legislação que congela bens, proíbe entrada em território americano, cancela vistos e rompe relações bancárias com os sancionados. Um selo de infâmia reservado a agentes de regimes como o de Maduro, Putin e Xi Jinping.

O recado, portanto, está dado — com todas as letras e com o peso da nação mais poderosa do mundo.

Não se trata apenas de crítica retórica: trata-se de uma ação diplomática coordenada contra uma das figuras mais controversas do cenário institucional brasileiro. E os efeitos já começam a se fazer sentir.

Não por coincidência, surgem rumores cada vez mais sólidos de que o atual presidente do STF, ministro Luiz Roberto Barroso, pretende antecipar sua aposentadoria tão logo encerre o mandato à frente da Corte.

Não por esgotamento, nem por questões de saúde. Mas por cálculo.

A verdade é que, diante da tempestade que se aproxima, alguns dos “deuses” da nau togada começam a buscar abrigo — ou saída. É o famoso salve-se quem puder.

E como já ensinavam as fábulas mais honestas da política: quando o casco começa a ceder, os roedores mais espertos são os primeiros a abandonar o navio.

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