O retorno dos que nunca partiram

Em 2017, durante a pré-campanha presidencial, o então candidato Geraldo Alckmin disparou uma frase que repercutiu por todo o país: “Depois de quebrar o Brasil, Lula quer voltar à cena do crime.”
Era um ataque direto, certeiro, moralizador. Naquele momento, Alckmin e Lula, ao menos nas aparências e nos discursos, eram adversários figadais, inimigos políticos em trincheiras opostas — um acusando, o outro descondenado.
Cinco anos depois, os dois selaram uma das alianças mais cínicas da história republicana. A moral virou pragmatismo. O diagnóstico virou coligação. Alckmin virou vice.
E Lula não só voltou à cena do crime — voltou com pompa, tapete vermelho, banda marcial, abraços efusivos e entronização dos comparsas.
A festa do 17º Encontro Nacional do PT, no último domingo, foi uma apoteose da impunidade: Zé Dirceu, Delúbio Soares, João Vaccari e José Genoíno ovacionados como heróis de guerra, todos eles devidamente descondenados, absolvidos não por inocência, mas por conveniência.
A plateia, embriagada de saudade dos bons tempos de mensalão e petrolão, bradava: “Dirceu, guerreiro do povo brasileiro”. E o chefe, no púlpito, sorria satisfeito. Afinal, nenhum império do crime se sustenta sem a devoção dos seus súditos.
Mas o espetáculo precisa manter as aparências institucionais — e é aí que entra Paulo Gonet, Procurador-Geral da República nomeado por Lula, com uma performance digna de teatro oficial: pediu que o ministro Flávio Dino reabra as investigações sobre o envolvimento do chefe da Casa Civil, Rui Costa, no escândalo dos respiradores na Bahia — aquele mesmo contrato com pagamento antecipado, sem garantias, assinado em plena pandemia. Gonet encontrou “indícios”. Que coincidência.
Seria comovente, não fosse cômico. O caso está nas mãos de Flávio Dino — ex-colega de ministério de Rui Costa e militante da mesma seita. A chance de isso sair da gaveta é a mesma de Delúbio virar consultor da Transparência Internacional.
Mas o script exige que o PGR cumpra seu papel, represente sua parte e simule que a lei ainda vale para todos. O público finge que acredita. A imprensa, claro, aplaude.
E enquanto a liturgia do faz de conta institucional prossegue, Lula já planeja o próximo ato: um quarto mandato. Com a bênção do STF, a conivência do TSE e o silêncio obsequioso dos aliados.
O crime, afinal, não apenas compensa — ele governa, legisla, arquiva, nomeia e ainda organiza convenções com presenças internacionais. No mesmo evento em que saudou os delinquentes de estimação, o presidente confraternizou com Fidelito — Fidel Antonio Castro Smirnov, neto do ditador cubano. Um símbolo perfeito: a impunidade doméstica brindando com a herança de uma tirania hereditária.
O PT, como sempre, se espelha onde há opressão. Aplaude regimes que silenciam, punem e empobrecem.
Cuba, arrasada pelo comunismo e transformada em um dos países mais miseráveis do planeta, continua sendo farol ideológico da esquerda brasileira. O que explica muita coisa — e condena o resto.











