O Brasil queria brilhar na COP30. Vai passar vergonha

Era para ser a vitrine verde do Brasil. Um espetáculo de diplomacia ambiental em meio à exuberância amazônica.
Mas a COP30, que o governo Lula fez questão de trazer para Belém, está prestes a se transformar no maior vexame internacional do país em décadas — uma mistura tóxica de improviso, oportunismo e desorganização disfarçada de idealismo.
Às vésperas da conferência climática da ONU, marcada para novembro, o Brasil sequer resolveu o mais básico: onde vão dormir as delegações estrangeiras.
Vinte e nove países — isso mesmo, vinte e nove — já assinaram uma carta sugerindo oficialmente que o evento seja transferido de Belém para outra cidade, diante dos preços extorsivos cobrados por hotéis locais, que multiplicaram suas diárias em até dez vezes. Diárias de até US$ 700 por cabeça. Até o negociador africano Richard Muyungi, habituado aos solavancos diplomáticos do mundo em desenvolvimento, foi categórico: “Belém está inviável”.
A confissão veio do próprio presidente da COP30, o diplomata André Corrêa do Lago: “Ficou público que países estão pedindo para o Brasil tirar a COP de Belém”.
E isso porque estamos falando de uma conferência anunciada com mais de dois anos de antecedência.
Ou seja: o país teve tempo — e verba — para se preparar. Mas optou por fazer o que sempre faz quando mistura política com megafones internacionais: propaganda.
A hospedagem virou símbolo do colapso, mas está longe de ser o único problema.
Belém não tem infraestrutura, os esgotos correm a céu aberto, o trânsito é caótico, o sistema de transporte metropolitano é um rascunho, e as obras prometidas — bancadas com bilhões de reais da União, do BNDES, da Caixa, da Vale e até da Itaipu Binacional (sim, Itaipu!), que despejou mais de R$ 1 bilhão numa cidade fora de seu raio de atuação — seguem atrasadas ou empacadas.
Para contornar o fracasso logístico, o governo agora fala em trazer dois navios de cruzeiro para ancorar no porto e virar hotel flutuante.
Pede que delegações se hospedem em casas de moradores cadastradas em aplicativo oficial. Pretende transformar escolas públicas e alojamentos precários em pousadas emergenciais. Tudo no improviso. Tudo com a cara do Brasil que quer posar de potência verde mas tropeça no próprio lixo doméstico.
O tiro saiu pela culatra.
O mundo que Lula esperava encantar com discursos de líder ambiental pode agora ver o Brasil como ele é: um país onde os eventos internacionais são tratados como vitrines eleitorais, e não como compromissos de Estado.
E o pior: no meio desse caos tropical, o agronegócio brasileiro será colocado no banco dos réus.
Aquela que é a principal engrenagem da economia nacional será alvejada como se fosse a vilã da destruição ambiental global — tudo sob os aplausos de ONGs europeias e governos que subsistem com mais carbono por metro quadrado do que muitas fazendas brasileiras.
Enquanto isso, os bilhões gastos para maquiar a cidade não explicam por que o mais elementar não foi feito: garantir hospedagem digna e acessível para os participantes.
Afinal, sem hospedagem, não há evento. Só constrangimento.
A COP30 em Belém já começou — mas como escândalo. A conferência climática virou crise diplomática. E a imagem do Brasil, mais uma vez, afunda no pântano da incompetência crônica, da politicagem disfarçada de idealismo e da velha corrupção que sempre brota onde o PT põe a mão.
O mundo virá ao Brasil com a pretensão de buscar soluções para os desafios climáticos da humanidade. Mas o que está acontecendo nos preparativos da COP30 não traz perspectivas muito animadoras para o futuro.











