OPINIÃO

Antes que a conta chegue

Diferentemente do governo federal, que assiste inerte à contagem regressiva que levará, já nesta sexta-feira, à entrada em vigor do tarifaço de 50% anunciado pelo governo Trump sobre os produtos brasileiros, o Paraná decide agir.

Diante da ameaça concreta que paira sobre as exportações nacionais — e, em especial, sobre a economia paranaense, que vende em média US$ 1,5 bilhão ao ano aos Estados Unidos —, o governador Ratinho Júnior antecipou-se. Em vez de aguardar milagres diplomáticos ou recuos improváveis, como faz Brasília, o Estado reuniu suas forças técnicas, dialogou com o setor produtivo e formatou um pacote emergencial para proteger as empresas locais.

São medidas que não anulam o impacto da tarifa americana, mas amortecem o golpe e ajudam a manter o fôlego da produção, do emprego e da competitividade.

Entre os principais pontos, destaca-se a possibilidade de utilização parcial dos créditos de ICMS já homologados no Siscred — seja para monetização, seja como garantia na tomada de empréstimos.

O objetivo é reforçar o caixa das empresas afetadas, muitas das quais dependem das vendas ao mercado norte-americano para manter sua operação em equilíbrio.

Outro eixo da estratégia é a flexibilização dos prazos de investimento para empresas do programa Paraná Competitivo, evitando que compromissos assumidos se tornem inviáveis diante da nova conjuntura internacional.

O pacote contempla ainda linhas especiais de crédito por meio da Fomento Paraná e do BRDE, tanto para concessão de novos financiamentos quanto para negociação e adiamento de parcelas vencidas ou vincendas — um respiro necessário para atravessar a turbulência.

Estima-se que os recursos imediatos disponíveis nessas instituições ultrapassem R$ 400 milhões, com possibilidade de reforço, caso o cenário se agrave.

Estuda-se também a realização de aportes adicionais no Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE), para ampliar a oferta de crédito a juros reduzidos às empresas mais atingidas.

“O nosso dever é manter a economia do Paraná forte num momento de incertezas”, resumiu o governador Ratinho Júnior, sinalizando que novas providências poderão ser adotadas conforme a evolução dos acontecimentos. Na mesma linha, o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, destacou que o foco é preservar empregos, cadeias produtivas e a saúde financeira das empresas.

Os números do comércio exterior reforçam a urgência: só no primeiro semestre de 2025, o Paraná exportou US$ 735 milhões aos Estados Unidos — com destaque para madeira e derivados, mas também uma cesta diversificada de mais de 90 grupos de produtos nos últimos quatro anos, incluindo máquinas, plásticos, alumínio, açúcar, móveis, café, peixes, óleos vegetais, farmacêuticos e combustíveis.

Ou seja, não se trata de um impacto isolado. O tarifaço ameaça setores amplos da economia estadual, incluindo segmentos da cadeia que, mesmo fora da lista de taxação direta, serão atingidos pela retração nos negócios e pelo desequilíbrio nas margens comerciais.

Diante desse contraste, a postura do Governo do Paraná — proativa, coordenada e comprometida com a preservação da sua base produtiva — marca um contraste eloquente com o silêncio do governo federal, que, a esta altura, parece mais preocupado em manter o discurso do que em apresentar soluções.

No tempo em que Brasília aposta em milagres, o Paraná age. E age com a responsabilidade de quem sabe que o tempo não perdoa quem espera demais.

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