OPINIÃO

Bloco de Notas

  1. Gilmarpalooza: mais um título “honroso” para o Brasil

A Transparência Internacional não poupou palavras: o Fórum de Lisboa, mais conhecido como Gilmarpalooza, já pode ser oficialmente considerado “o maior evento de lobby judicial do planeta”. Um feito e tanto para um país que, em vez de exportar ciência, cultura ou tecnologia, exporta seus vícios mais ilustres — entre eles, a promiscuidade entre os Três Poderes.
Organizado pelo IDP do ministro Gilmar Mendes, o evento em solo português reúne juízes que julgam e empresários que são julgados, tudo regado a bom vinho, salamaleques institucionais e verbas públicas sobre as quais ninguém sabe, ninguém viu. Questionado, o próprio anfitrião do STF garantiu que “ninguém vai ali para fazer coisa errada”. Fica a dúvida: e para fazer coisa certa, iriam mesmo até Lisboa?

  1. A Câmara domesticada

Enquanto parte do Brasil ainda nutre a ilusão de que a Câmara dos Deputados pode algum dia limitar os abusos do Supremo Tribunal Federal, os próprios deputados aprovam — sob o manto da madrugada — a criação de mais 160 cargos comissionados para o STF. É a institucionalização do “faz o L que eu te dou um cargo”.
A justificativa oficial? A usual tapeação tecnocrática: reorganização de funções, reforço à polícia judicial, otimização da Corte. Na prática, é chantagem velada e fisiologismo explícito: vota-se a favor para manter os próprios mandatos longe da guilhotina jurídica, já que o Supremo dorme com uma gaveta cheia de processos contra parlamentares. O recado está dado: não se esperem freios da Câmara — o freio está na mão de quem julga.

  1. Recanto Cataratas celebra 35 anos com gratidão e história

Um dos marcos do turismo nacional, o Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention comemorou 35 anos de trajetória no último dia 9 de julho, com uma celebração calorosa entre fundadores, familiares e colaboradores. O almoço no restaurante Bardana Grill foi palco para homenagens, lembranças e agradecimentos — em especial ao casal Altino e Maria Helena Voltolini, protagonistas dessa história que começou em 1990 e ajudou a transformar Foz do Iguaçu em destino completo de lazer, eventos e bem-estar.
Com prêmios internacionais e reconhecimento dos hóspedes, o resort segue expandindo suas estruturas — e até o fim de 2025 entregará uma nova piscina, bar molhado e área de lazer, reafirmando seu compromisso com a excelência. Em tempos de improvisos e atalhos, é reconfortante ver um empreendimento que chegou longe exatamente porque foi construído com constância e visão de futuro.

  1. Expo Índia leva o mundo ao Catuaí Cascavel

Cascavel pode estar longe de Mumbai, Marrakesh ou Istambul, mas até o dia 5 de agosto, quem passar pelo shopping Catuaí vai sentir um gostinho do mundo. A feira multicultural Expo Índia reúne expositores de sete países — Índia, Itália, Marrocos, Brasil, Peru, Senegal e Turquia — com peças de artesanato, roupas típicas, especiarias, pashminas e muito mais.
Localizada no Piso Jacarezinho, a feira convida o público a mergulhar em tradições e culturas diversas, sem precisar sair do Oeste paranaense. Uma chance de olhar para o mundo com olhos curiosos, paladar aberto e — por que não — com uma nova almofada bordada debaixo do braço.

  1. A pizza virou laboratório

O Dia Mundial da Pizza foi comemorado no último 10 de julho, e se você ainda acha que pizza boa é só aquela da esquina, talvez seja hora de rever os conceitos. Na terra de origem das redondas, a Itália, pizzarias estão virando templos de fermentações artesanais, farinhas ancestrais, design de cardápio e até… harmonizações com vinhos naturais. Sim, a pizza entrou de vez na era gourmet — e não é pecado nenhum.
Longe de trair suas raízes populares, a nova geração de pizzaiolos italianos está reinventando a roda com um olhar contemporâneo, sustentável e autoral. A massa agora tem fermento natural, o trigo é cultivado localmente e até o azeite conta uma história. A pizza virou linguagem — e como toda linguagem viva, evolui. Só não vale colocar ketchup.

  1. O partido mais populoso do mundo (com anexos ideológicos no Brasil)

Com pompa e circunstância, a ditadura chinesa anunciou: o Partido Comunista Chinês ultrapassou 100 milhões de membros. É o maior partido político do planeta — embora “político” talvez seja força de expressão quando se trata de um sistema de partido único, sem alternância de poder e com ministros que somem como fantasmas em noite de neblina.
O mais curioso é que boa parte desses filiados não está atrás de ideologia, mas de estabilidade: ser membro do partido é sinônimo de oportunidade no funcionalismo público. Agora, o que o relatório não deixa claro é se já estão incluídos nesse número os petistas brasileiros, diante do entusiasmo quase juvenil com que Lula e sua trupe cortejam o regime de Xi Jinping. A afinidade é tanta que daqui a pouco tem militante pedindo ficha de filiação em mandarim.

  1. A guerra que consome o Kremlin

Enquanto Vladimir Putin posa de invencível nas aparições oficiais, um relatório do Instituto de Economia de Transição de Estocolmo expõe o que o Kremlin tenta esconder: a guerra está corroendo a estrutura econômica russa com a mesma voracidade com que consome munições. O orçamento de defesa já chega a 6,3% do PIB — patamar digno da Guerra Fria — e responde por um terço dos gastos federais.
As estatísticas do regime, claro, pintam um quadro otimista, com PIB crescendo e inflação sob controle. Mas os dados independentes indicam fraudes metodológicas, perda de reservas fiscais, déficit crescente e redução drástica nas vendas de energia. Diante desse cenário, Donald Trump — cada vez menos paciente com o velho “amigo” do Leste — deve anunciar novas e severas sanções nos próximos dias. Putin, até aqui resistente a qualquer mesa de negociação, talvez tenha que considerar que tanques não se movem sem dinheiro, e bravatas não cobrem folha de pagamento.

  1. A fake prioridade à educação

A propaganda oficial diz que “nunca se investiu tanto em educação”. Os números, porém, dizem o oposto. Depois de um aumento real durante o governo Bolsonaro (algo que desagrada narrativas, mas agrada a verdade), e de um salto pontual em 2023 por força da PEC da Transição — aprovada ainda no Congresso anterior — o orçamento das universidades federais despencou a partir de 2024.
A queda em 2024 foi de 7,6% em termos reais. Para 2025, a previsão já é de novo recuo, agravado pelo bloqueio adicional de R$ 31 bilhões anunciado pelo Ministério da Fazenda. Se houver prioridade, ela se esconde bem. As federais, dominadas por militantes disfarçados de professores, seguem em marcha contra cortes que não foram feitos por aqueles que mais criticam, mas justamente por quem prometeram defender. Eis aí o Brasil onde a realidade é oposição e o governo é propaganda.

  1. Paraná exporta mais, o mundo come melhor

O Paraná encerrou o primeiro semestre de 2025 com o maior volume de exportações de carne suína desde 1997, início da série histórica da Comex Stat. Foram 110,7 mil toneladas embarcadas — um crescimento de 39,4% sobre o mesmo período de 2024. E como o segundo semestre costuma ser ainda mais forte, tudo indica que vem novo recorde por aí.
Hong Kong lidera a fila de compradores, seguida de países como Uruguai, Argentina, Filipinas e Vietnã. Ao mesmo tempo, o frango brasileiro também ensaia recuperação: o faturamento com produtos in natura e processados cresceu 5,1% no semestre, ultrapassando os US$ 4,8 bilhões. Quando a geopolítica complica, o agronegócio descomplica — com eficiência, sanidade e uma capacidade notável de abrir mercados enquanto outros fecham portas.

  1. Lula com a brocha na mão (e Trump com o pincel da retaliação)

E veio da Rússia a confirmação que faltava: segundo o chanceler Sergei Lavrov, foi o próprio Lula quem lançou a proposta de criar um sistema de pagamentos alternativo ao dólar no âmbito do Brics. A ideia — apresentada na cúpula de Joanesburgo em 2023 — visava desdolarizar as transações entre os países do bloco. Acontece que o mundo gira, Trump voltou, e agora o petista ficou literalmente com a brocha na mão.
Irritado, o ex-presidente americano reagiu com uma carta pública repleta de indignação: exigiu que os Brics abandonem qualquer iniciativa contra o “poderoso dólar americano”, sob pena de tarifas de 100% e corte nas relações comerciais com os EUA. “Eles podem ir encontrar outro otário!”, disparou o republicano.
Enquanto Lavrov tira o corpo fora e coloca a culpa da encrenca em Lula, o governo brasileiro colhe as consequências de um alinhamento ideológico imprudente — e, agora, economicamente desastroso. Nada como desafiar a maior economia do planeta com uma bravata em palanque e colher o prejuízo na balança comercial.

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