OPINIÃO

Lula cutucou Trump com vara curta

O Brasil acaba de ser esmagado por uma marretada tarifária de proporções históricas. E, ao contrário do que tentará vender a retórica do Planalto, a culpa não é dos americanos, nem de um Donald Trump vingativo ou “fascista”. A culpa é de um governo que confundiu política externa com militância ideológica, palanque com diplomacia e bravata com estratégia — e agora arrasta todo o país para o prejuízo.

Do ponto de vista econômico, a decisão de Trump é indefensável: os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil. Exportam para cá bem mais do que compram de nós. Não há desequilíbrio que justifique um tarifaço de 50% sobre todas as exportações brasileiras, anunciado pelo republicano para entrar em vigor a partir de 1º de agosto. A medida não busca corrigir uma distorção comercial. Trata-se, claramente, de uma sanção política — uma retaliação geopolítica ao comportamento internacional do governo Lula.

E o que motivou essa represália? Uma sucessão de afrontas. Lula se posicionou contra os EUA desde o início: apoiou Joe Biden nas eleições americanas, chamou Trump de “fascista” e se envolveu diretamente no debate eleitoral de outro país soberano. Depois, já com Trump reeleito, continuou provocando: manteve críticas públicas, se alinhou à Rússia na guerra contra a Ucrânia, condenou Israel por se defender dos ataques do Hamas, relativizou as atrocidades cometidas pela facção terrorista palestina e defendeu publicamente a criação de uma nova moeda para substituir o dólar nas trocas comerciais entre países dos BRICS.

É nesse contexto que Trump formalizou o troco — e o fez por escrito.

A carta enviada pelo presidente dos Estados Unidos é devastadora. Um tapa com luvas de ferro. Endossado por argumentos comerciais e recheado de recados geopolíticos. Publico a íntegra a seguir — e, em seguida, volto com as observações devidas:

9 de julho de 2025

Sua Excelência

Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente da República Federativa do Brasil

Brasília

Prezado Sr. Presidente:

Conheci e tratei com o ex-Presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A forma como o Brasil tem tratado o ex-Presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!

Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos (como demonstrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todas e quaisquer exportações brasileiras enviadas para os Estados Unidos, separada de todas as tarifas setoriais existentes. Mercadorias transbordadas para tentar evitar essa tarifa de 50% estarão sujeitas a essa tarifa mais alta.

Além disso, tivemos anos para discutir nosso relacionamento comercial com o Brasil e concluímos que precisamos nos afastar da longa e muito injusta relação comercial gerada pelas tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil. Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco.

Por favor, entenda que os 50% são muito menos do que seria necessário para termos igualdade de condições em nosso comércio com seu país. E é necessário ter isso para corrigir as graves injustiças do sistema atual. Como o senhor sabe, não haverá tarifa se o Brasil, ou empresas dentro do seu país, decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos Estados Unidos e, de fato, faremos tudo o possível para aprovar rapidamente, de forma profissional e rotineira — em outras palavras, em questão de semanas.

Se por qualquer razão o senhor decidir aumentar suas tarifas, qualquer que seja o valor escolhido, ele será adicionado aos 50% que cobraremos. Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que causaram esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional!

Além disso, devido aos ataques contínuos do Brasil às atividades comerciais digitais de empresas americanas, bem como outras práticas comerciais desleais, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação da Seção 301 sobre o Brasil.

Se o senhor desejar abrir seus mercados comerciais, até agora fechados, para os Estados Unidos e eliminar suas tarifas, políticas não tarifárias e barreiras comerciais, nós poderemos, talvez, considerar um ajuste nesta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo do relacionamento com seu país. O senhor nunca ficará decepcionado com os Estados Unidos da América.

Muito obrigado por sua atenção a este assunto!

Com os melhores votos, atenciosamente

Donald J. Trump

Presidente dos Estados Unidos da América

De fato, a carta enviada por Trump a Lula começa com uma defesa enfática do ex-presidente Jair Bolsonaro. Trump o chama de “líder respeitado”, classifica o julgamento em curso como “vergonha internacional” e o define como uma “caça às bruxas”, exigindo que seja encerrado imediatamente. É, sim, um gesto de solidariedade política — o mesmo tipo de solidariedade que o próprio Lula vem praticando.

Foi assim ao conceder refúgio à ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, condenada por corrupção pela Justiça peruana. E foi assim também ao pedir “Cristina libre” na Argentina, afrontando diretamente a Suprema Corte daquele país, que referendou a sentença de mais de seis anos de prisão contra a ex-presidente Cristina Kirchner por desvio de recursos públicos.

Portanto, não cabe ao governo Lula clamar por soberania nacional ou se indignar com “ingerências externas”, quando faz exatamente o mesmo com seus aliados ideológicos.

Contudo, apesar de iniciar com a questão Bolsonaro, a principal motivação de Trump é outra — mais ampla e estratégica: a guinada do governo brasileiro na política externa, marcada por gestos sucessivos de hostilidade aos EUA e de alinhamento explícito com regimes autocráticos como China, Rússia, Irã, Cuba, Venezuela e Nicarágua. Desde o apoio a Biden, passando pela postura servil diante de ditaduras, até a ameaça à hegemonia do dólar — o Brasil de Lula se colocou deliberadamente em rota de colisão com os interesses norte-americanos.

Trump apenas fez o que costuma fazer: respondeu com força. E Lula, diferentemente de outros chefes de Estado que mantiveram prudência diplomática, escolheu o confronto — sem ter força para sustentar o blefe. Desafiou os EUA como se estivesse à frente de uma superpotência, quando lidera um país atolado em déficit, violência, burocracia e vulnerabilidade comercial. Uma formiga desafiando um elefante, sem perceber que estava pisando em solo movediço. O Brasil de Lula é um anão diplomático.

Há, na carta de Trump, uma denúncia contundente à atuação do STF brasileiro — especialmente nas ordens secretas de censura contra plataformas digitais dos EUA. E, nesse ponto, ele ecoa uma crítica interna legítima. Juristas renomados, veículos independentes e observadores atentos vêm apontando graves distorções nos processos relacionados ao 8 de janeiro: ausência de provas robustas, condução inquisitorial, cerceamento da defesa, penas desproporcionais.

O Supremo, sob comando de Alexandre de Moraes, transformou vandalismo em revolução ficcional — e passou a operar como sócio político do Executivo, num condomínio de poder onde Lula governa com o respaldo de sete ministros nomeados por ele e Dilma, com o reforço de outros dois que aderiram alegremente ao bloco.

A tragédia é que quem pagará o preço não é o Itamaraty, nem os militantes diplomáticos de Brasília. Serão os produtores rurais, os exportadores, os empresários, os trabalhadores — justamente os que constroem a verdadeira reputação do Brasil no exterior, com suor e eficiência. A economia real está sendo sacrificada no altar das alianças ideológicas.

Como bem resumiu o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, em comentário publicado nas redes sociais:

“Lula colocou sua ideologia acima da economia — e esse é o resultado. Tiveram tempo para prestigiar ditaduras, defender a censura e agredir o maior investidor direto no Brasil. Outros países buscaram negociação. Não adianta se esconder atrás do Bolsonaro. A responsabilidade é de quem governa. Narrativas não resolverão o problema.”

E agora, com os 50% sobre nossas exportações, o mundo descobre quanto custa um governo que confunde protagonismo com provocação, altivez com arrogância, e Estado com militância. O estrago está feito.

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