OPINIÃO

A Bomba de Trump

Caiu como uma bomba de precisão estratégica lançada por um B-2 americano.

A declaração de Donald Trump em defesa de Jair Bolsonaro, postada em sua rede Truth Social, provocou estilhaços diretos nos meios políticos, jurídicos e institucionais do Brasil.

A direita comemorou, a esquerda tremeu — e o Supremo Tribunal Federal colocou as barbas de molho.

Eis, na íntegra, o que escreveu o presidente dos Estados Unidos:

“O Brasil está fazendo uma coisa terrível no tratamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Eu tenho observado, assim como o mundo, enquanto eles não fazem nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano! Ele não é culpado de nada, exceto de ter lutado PELO POVO. Eu passei a conhecer Jair Bolsonaro, e ele foi um líder forte, que realmente amava seu país — Além disso, um negociador muito duro no COMÉRCIO.
Sua eleição foi muito apertada e agora ele está liderando nas pesquisas. Isso não é nada mais, nem menos, do que um ataque a um oponente político — Algo sobre o qual eu sei muito!
O grande povo do Brasil não aceitará o que estão fazendo com seu ex-presidente. Estarei observando a CAÇA ÀS BRUXAS contra Jair Bolsonaro, sua família e milhares de seus apoiadores, muito de perto.
O único julgamento que deveria estar acontecendo é um julgamento pelos eleitores do Brasil — Isso se chama Eleição.
DEIXEM BOLSONARO EM PAZ!”

Trump não economizou nas palavras nem nas maiúsculas, entrando em cena quando os refletores já estão aquecidos e os tambores do STF soam o prelúdio de uma condenação anunciada.

A publicação de Trump não muda, por ora, os rumos do julgamento de Bolsonaro pela suposta tentativa de golpe de Estado, mas injeta combustível inflamável no debate político — e atrai holofotes internacionais para o que ele chama de perseguição judicial.

A alusão a “milhares de apoiadores” é, obviamente, uma referência aos presos pelos atos de 8 de janeiro. Não se trata de inocentar quem quebrou vidraças e invadiu sedes dos três poderes — mas a desproporcionalidade das penas aplicadas, dignas de regicidas medievais, assusta até juristas sem filiação ideológica. Trump, nesse contexto, surfa no discurso da seletividade penal — e capitaliza.

A reação do presidente Lula veio em tom protocolar e indignado:

“A defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros. Somos um País soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja.”

Bonito no papel. No mundo real, é puro cinismo.

Ou, para usar uma máxima bem lulista: faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

O mesmo Lula que agora se diz avesso a interferências externas é o que ofereceu abrigo diplomático à ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, condenada por corrupção, resgatada em missão especial da FAB em pleno território peruano.

É o mesmo que, há poucos dias, visitou Cristina Kirchner em Buenos Aires e defendeu publicamente sua inocência, mesmo após a Suprema Corte da Argentina ter confirmado sua condenação a mais de seis anos de prisão por corrupção.

Se isso não for interferência em assuntos internos de outros países, o que mais seria?

E, claro, é o mesmo Lula do petrolão — que conhece bem os atalhos do foro privilegiado e as rotas de fuga da responsabilidade.

Não há surpresa nisso. Corruptos tendem a se reconhecer — e a se acolher.

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2 Comentários

  1. Só quem surfa na onda hipócrita e desonesta da esquerda apóia esse discurso mofado e escarrado, a imprensa tradicional, os “artistes”, professores e parte do funcionalismo público, quem não ânsia de ganhar muito, fazendo pouco!

  2. Esse recado do Presidente Trump e suas palavras de encerramento “deixem Bolsonaro em paz”, provocaram reações na esfera política nacional comandadas pelo Presidente Lula e um ou dois de seus acólitos. Tudo muito previsível e dentro daquele penoso figurino da esquerda brasileira, verdadeira relíquia de outros tempos que não consegue e não conseguirá sair do brete ideológico onde se enfiou. Mas o que chamou mesmo a atenção foi o silêncio do STF, contra quem a maior parte daquelas palavras foi evidentemente dirigida. Pela atitude de Lula que resolveu entrar de sola, parece que o julgamento de Bolsonaro será um pas de deux entre ele e o Judiciário, minueto a cada dia mais visível.
    Isso não indica bons prenúncios pela frente.

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