Bloco de Notas

- Trem da Alegria na Linha Lisboa–Brasília
O “Gilmarpalooza”, codinome menos técnico para o Fórum Jurídico de Lisboa, voltou com força total — e com passagens em classe executiva pagas pelo distinto público brasileiro. Pelo menos 19 órgãos federais mandaram representantes para prestigiar o evento organizado pelo Instituto do ministro Gilmar Mendes. Tudo em nome da doutrina, da jurisprudência… e de um bom tour lusitano, claro.
A Câmara dos Deputados bancou a viagem de 30 parlamentares, enquanto o Senado, mais contido, mandou apenas seis senadores. Uma comitiva digna de Estado, e não de Estado laico, diga-se. Entre os entusiastas da excursão jurídica estavam AGU, PGFN, Anatel, Aneel, ANA, Banco da Amazônia, Infra S.A., Porto de Santos, universidades federais e mais uma penca de autarquias. Se tivessem enviado o último que apagasse a luz em Brasília, ninguém notava.
- Bacalhau, tinto e parecer jurídico
Enquanto uns fingem trabalhar no auditório, outros já fazem fila no balcão do Solar dos Presuntos, o mais novo plenário informal da elite político-jurídica brasileira em Lisboa. O restaurante virou a extensão do Gilmarpalooza: almoço com citação de Norberto Bobbio, sobremesa com verba pública.
Segundo o proprietário da casa, são mais de mil refeições por dia servidas a autoridades, empresários e outros entusiastas do bacalhau regado a tinto. Um verdadeiro tratado gastronômico sobre “direito adquirido”. A filosofia da casa, segundo ele, é “dar a todos um bocadinho do que é Portugal”. A julgar pelas notas fiscais, quem tá dando mesmo é o contribuinte brasileiro.
- De Salvador, com vaias
Lula e a comitiva petista resolveram testar a popularidade onde ela sempre foi alta: Salvador. O resultado? Vaias sonoras, inclusive para nomes como Jerônimo Rodrigues e Jaques Wagner. Parece que nem a tradicional capital da lealdade vermelha anda tão empolgada com o governo.
A surpresa aumenta ao lembrar que a Bahia deu 72% dos votos válidos para Lula em 2022. Agora, pesquisa Genial/Quaest mostra desaprovação de 51%. A picanha murchou, a cerveja esquentou — e a realidade entrou na conta.
O marketing do governo tenta contra-atacar com promessas de isenção de IR e taxação dos “super ricos”. Mas o povo, como se vê, já tá mais interessado em pagar menos pelo feijão do que ouvir mais uma metáfora de palanque. Até porque promessa requentada não sustenta panela vazia.
- A má matemática do IOF progressista
No novo enredo épico de Brasília, o Congresso virou o vilão e o governo, o herói dos pobres. O argumento? Aumentar o IOF para fazer “justiça tributária” — porque, segundo o ministro da Fazenda, a conta recai só “no morador da cobertura”. Pena que os dados não acompanham a narrativa.
Estudo da CNC mostra que 81% das famílias com renda de até 3 salários-mínimos estão endividadas, contra 67% entre as de renda mais alta. E o impacto do crédito caro é justamente maior para os que ganham menos. O que o governo chama de “justiça fiscal” é, na prática, mais peso no bolso de quem menos pode.
Mas quem se importa com a realidade, não é mesmo? O importante é alimentar a narrativa — preferencialmente com verba de comunicação institucional.
- Os robôs já estão entre nós (e são mais persuasivos)
Um experimento feito por pesquisadores suíços colocou bots de inteligência artificial infiltrados em discussões no Reddit, um dos fóruns mais combativos da internet. A missão: convencer humanos a mudarem de opinião. Resultado? Os bots foram seis vezes mais eficazes do que pessoas reais.
Eles não só passaram despercebidos como chegaram ao top 1% dos usuários mais influentes da plataforma. Um dos modelos, inclusive, era treinado para imitar o estilo de fala da comunidade. E foi justamente o que menos convenceu. Ou seja, tentar parecer humano ainda é o que mais levanta suspeita.
No fim, o experimento deixou claro que a nova era digital não é sobre quem grita mais alto, mas sobre quem fala com mais cálculo. Se você acha que está debatendo com um anônimo engajado… talvez seja só um algoritmo testando sua convicção.
- Superinteligência médica ou distopia de jaleco?
A Microsoft revelou um sistema de inteligência artificial, o MAI-DxO, que superou médicos humanos na precisão de diagnósticos clínicos em testes simulados. Enquanto profissionais experientes dos EUA e Reino Unido acertaram em 20% dos casos, a IA bateu 85,5% de acertos, com direito a redução de custos e pedidos de exames mais baratos.
O sistema opera com uma “cadeia de debate” entre modelos de IA de empresas como OpenAI, Google e Meta, como se fosse uma junta médica digital. Uma espécie de House M.D. sem mau humor e sem CRM.
A notícia empolga, mas também inquieta: o que fazer quando as máquinas forem melhores até na dúvida? Quando o algoritmo te examinar, receitar e ainda explicar com empatia, talvez o problema não seja mais o diagnóstico — mas o colapso existencial da nossa autoconfiança profissional.
- Moraes suspende tudo — e, por tabela, dá vitória ao Congresso
O ministro Alexandre de Moraes suspendeu os efeitos tanto do decreto do governo que aumentava o IOF quanto do decreto legislativo que o anulava. Solução salomônica? Talvez. Mas, na prática, prevaleceu o que o Congresso queria desde o início: as alíquotas anteriores continuam valendo.
É a velha arte de decidir sem decidir, com a elegância constitucional de quem sabe onde pisa. Enquanto isso, o Executivo teve sua tentativa de aumento desativada por um tempo. Até a próxima rodada da conciliação marcada para 15 de julho, o Congresso pode saborear uma vitória silenciosa — mas real.
No fim das contas, a toga cortou o aumento, mas manteve a cobrança anterior. Brasília respira, as planilhas agradecem, e o contribuinte, por ora, escapa de mais um “ajuste técnico”.
- Putin, Trump e o silêncio que grita
O maior ataque aéreo contra Kyiv desde o início da guerra foi lançado pela Rússia na madrugada da última sexta-feira. O timing não parece coincidência: dois dias antes, os EUA anunciaram a suspensão do envio de armas à Ucrânia, alegando preocupação com seus próprios estoques.
Para Moscou, foi o sinal que faltava. Para o mundo, um recado claro: Putin percebeu que os americanos estão lavando as mãos, enquanto fingem manter o apoio. A Casa Branca flerta com a ideia de paz territorial, uma fórmula que, para a Ucrânia, soa como rendição.
O impasse é cruel. Putin não vai abrir mão do naco, e a Ucrânia não aceita amputar seu território. O Ocidente hesita. A diplomacia vacila. E a guerra, que era para durar semanas, segue virando página da história — escrita a sangue e omissão.
- Lauren Sánchez: mais que a senhora Bezos
Entre fotos de iates, vestidos e taças de prosecco em Veneza, a imprensa internacional celebrou o casamento de Jeff Bezos com Lauren Sánchez. Mas, entre um flash e outro, pouca gente lembrou quem é ela além de “esposa do bilionário”.
Lauren tem nome, carreira e biografia própria. Jornalista premiada, apresentadora de TV, fundadora de uma produtora aérea em Hollywood, piloto de helicóptero e executiva no setor de aviação. Hoje, atua como vice-presidente do Bezos Earth Fund e integra iniciativas sociais de peso.
Filha de piloto e criada no Novo México, ela mostra que nem toda esposa de magnata é um “plus” ornamental. Às vezes, é só uma mulher que sabe voar — literal e simbolicamente.
- Se até o Banco Central…
O ataque cibernético que resultou no desvio de pelo menos R$ 800 milhões já é tratado como a maior invasão de dispositivo eletrônico da história do Brasil. Mas não foi exatamente uma invasão no sentido clássico: os hackers usaram credenciais verdadeiras, obtidas por engenharia social, para acessar o sistema e fazer transferências ilegais.
Mas o que mais chamou atenção nas redes sociais não foram os detalhes técnicos do ataque, e sim o eco de uma velha pergunta: “Se conseguiram acessar um sistema como o do Banco Central, será que as urnas eletrônicas são mesmo invioláveis?”
A comparação é, tecnicamente, simplista. Mas o que importa aqui não é a lógica — é a desconfiança popular, que segue firme, alimentada por episódios como este. Toda vez que se fala em sistema inviolável, o destino é o mesmo: uma avalanche de memes, perguntas, insinuações e… silêncio institucional.
- Conversão frustrada
Na última edição da Veja, o deputado federal Gilberto Nascimento — pioneiro entre os evangélicos na política nacional — foi direto ao ponto: Lula pode até tentar, mas não vai conquistar o coração dos evangélicos.
Apesar dos sorrisos, acenos, apertos de mão e tentativas de parecer convertido desde o berço, o governo petista esbarra num obstáculo que não se resolve com marketing: a pauta. Tanto nos costumes quanto na política externa, o Planalto e as igrejas evangélicas estão em universos paralelos.
O resultado? Uma cruzada impossível de converter. Lula tenta, insiste, finge fé e acena com palmas e Aleluias. Mas como diz o próprio deputado: está semeando em solo infértil. E o Evangelho, ao contrário do marketing político, não aceita maquiagem ideológica.
- A picanha azedou
Segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, 90% dos brasileiros já ouviram falar do escândalo do INSS. O que chama atenção, porém, é que a maioria dos entrevistados atribui a culpa diretamente a Lula.
Ou seja, a tentativa de terceirizar a crise para Bolsonaro não funcionou. O escândalo começou antes, mas foi turbinado agora, sob a atual gestão. A mesma pesquisa ainda mostra que 71,4% dos brasileiros dizem que os preços do supermercado aumentaram desde a volta do petista ao Planalto — e metade dos eleitores garante que a picanha está mais cara com Lula do que com Bolsonaro.
A promessa virou meme, e o meme virou ressentimento. A “picanha do povo” não resistiu à inflação e à propaganda oficial. O governo apostou alto no churrasco — mas entregou farofa e decepção.












Bom dia Caio e todas(os) que tem a satisfação de acompanharem suas considerações. Permita me? O congresso enviou 30, e o senado 6……enfim , creio que em função da quantidade de cada casa, e se fossem com menos quantidades de cada casa( só para citar essas duas) , e que não VOLTASSEM ao País , entraríamos em algum melhor , nessas aberrações que acometem nos . Abraço abençoada segunda extensiva a todos dias