OPINIÃO

Cascavel Jazz Festival: quando o interior do Paraná se torna capital da música instrumental brasileira

Em tempos de reinados fugazes e aplausos fáceis, é raro ver um festival atravessar três décadas com fôlego renovado, sem perder a alma e ainda conquistando novos ouvidos — e corações.

Pois é exatamente esse o feito do Cascavel Jazz Festival, que em 2025 reafirmou sua grandeza com ingressos esgotados nos dois dias de evento, plateias lotadas nos workshops e uma programação digna dos melhores palcos do país.

Realizado nos dias 27 e 28 de junho, no Teatro Municipal Sefrin Filho, o festival transformou Cascavel, mais uma vez, no epicentro da música instrumental brasileira. E não se trata de hipérbole: a qualidade artística, o nível técnico, o rigor curatorial e a resposta entusiasmada do público colocam o evento entre as principais mostras do gênero no Brasil na atualidade — e tudo isso acontece, orgulhosamente, em uma cidade do interior do Paraná.

Com o conceito “Uma história a cada nota”, o Cascavel Jazz 2025 celebrou sua trajetória iniciada em 1993 com uma proposta ampla: além da música, espaço para dança e formação cultural, compondo um mosaico de experiências que vai muito além do entretenimento.

O sucesso de público foi absoluto: todos os ingressos disponibilizados gratuitamente via plataforma Sympla foram reservados com antecedência, tanto para as apresentações noturnas quanto para os workshops matinais de sábado. O que se viu, portanto, foram noites memoráveis e manhãs repletas de aprendizado e inspiração.

A grande novidade deste ano foi a transmissão ao vivo pelo YouTube, que permitiu ao festival ultrapassar as fronteiras físicas do teatro e chegar a espectadores em diversas partes do Brasil e até do exterior. Uma inovação à altura da relevância do evento e do interesse crescente que ele desperta.

A organização primorosa, sob o comando do idealizador e curador William Fischer, também foi alvo de elogios dos músicos convidados, que destacaram a estrutura e o acolhimento como diferenciais que fazem do Cascavel Jazz uma experiência completa.

Na sexta-feira, quem abriu os trabalhos foi o Boldrini Quarteto, seguido da contagiante Grooveria, que fechou a noite com groove, suingue e virtuosismo. No sábado, o palco recebeu o sofisticado Nosso Trio e o pulsante Fuxico Beat — este último também responsável pelo workshop de música, realizado pela manhã. A dança entrou em cena com os bailarinos Bruna Renata e Wanderley Aires, no workshop “Ritmos do Brasil: Tradição e Movimento em Cada Passo”.

Outro ponto alto foi o reencontro informal com músicos que ajudaram a construir a história do festival e, desta vez, voltaram como espectadores — caso do baterista Maurício Leite, presença marcante em edições anteriores e também convidado do podcast especial do Cascavel Jazz, transmitido no último dia 11 de junho, ao lado de nomes consagrados da música instrumental brasileira.

Com patrocínio da SANEPAR, do Grupo Pra Frente Brasil e do Grupo BARIGÜI, o evento foi realizado com apoio da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais, do Ministério da Cultura e Governo Federal – União e Reconstrução, e contou com produção da BWA.

Ao fim de mais uma edição brilhante, não restam dúvidas: o Cascavel Jazz Festival não apenas resiste ao tempo — ele evolui, inova, encanta e projeta Cascavel como referência nacional na cena instrumental. Que venham os próximos acordes. A cidade, o público e a história agradecem.

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