À espera do fim

Respira por aparelhos, transpira desespero e vive à base de transfusões de emenda parlamentar.
O governo Lula entrou oficialmente na fase aguda de sua decomposição. A deliberação da Câmara dos Deputados que aprovou, por 346 votos a 97, o regime de urgência para derrubar o novo aumento do IOF foi mais que uma derrota: foi um atestado de falência política.
Um recado ensurdecedor vindo até da base aliada, que lavou as mãos e liberou as bancadas como quem deixa o doente decidir se prefere morfina ou dignidade.
Nem mesmo o PSB conseguiu salvar a cena — só ele e a federação do PT, PCdoB e PV ousaram remar contra a onda. O resto do Congresso deixou claro: não há mais espaço, nem paciência, para a compulsão tributária de um governo que tenta fechar as contas com a tesoura no bolso do contribuinte, sem jamais tocar no próprio banquete.
A reação da Câmara é só a face institucional de um mal-estar que já contaminou a sociedade. De 5 de junho pra cá, três pesquisas — Genial/Quaest, Ipsos e até o sempre benevolente Datafolha — convergiram em um diagnóstico sombrio. A maioria dos brasileiros não quer ver Lula candidato em 2026. Na Quaest, 66% dizem “não” à reeleição. Na Ipsos, a desaprovação saltou para 43%, enquanto os que aprovam escorregaram para 25%. E até o Datafolha, sim, até o DataFolha, registra 40% de avaliação negativa, contra 28% positiva — número que liquida a recuperação artificial detectada no levantamento anterior.
Os motivos? Escolha a porta do desastre que preferir.
Tem a inflação dos alimentos, que corrói salários como traça em terno de linho. Tem os juros siderais, o INSS atolado em escândalos e filas de dois milhões de pessoas. Tem promessas não cumpridas — a picanha sumiu, a cervejinha azedou e o prato feito do povo voltou a ser esperança. Tem diplomacia delirante: enquanto o Brasil, historicamente alinhado aos valores do Ocidente democrático — liberdade, iniciativa privada, soberania nacional e Estado de Direito — observa com desconforto, Lula estende tapetes vermelhos para Putin, pede conselhos à China sobre como regular redes sociais e derrama compreensão sobre as “angústias” do Hamas e do Hezbollah. A simpatia recorrente por regimes autoritários, como Irã, Cuba, Venezuela e seus satélites, contraria décadas de tradição diplomática brasileira — e acentua o isolamento do país perante as democracias liberais.
Tem até político recusando ministério — sinal raro de que o desgoverno perdeu não só o apoio, mas também o prestígio. Quando a canoa começa a afundar, até rato escolhe o cais.
E como se não bastasse a derrota no caso do IOF, o governo tenta novamente taxar o setor mais dinâmico da economia: o agronegócio. O Congresso já percebeu que há uma estratégia premeditada de sufocamento fiscal do setor produtivo.
Soma-se a isso o incentivo descarado ao MST, com invasões estimuladas e premiadas, numa clara tentativa de demonizar quem produz. Essa hostilidade ao campo, convertida em política de governo, também ajuda a explicar a queda livre nas pesquisas e o rompimento cada vez mais explícito com o centro político.
Nas pesquisas eleitorais, Lula ainda lidera na margem de erro no primeiro turno contra Tarcísio, Michele e Ratinho — e já perde para Bolsonaro (que ainda luta para recuperar a elegibilidade). No segundo turno, mostra tendência de derrota para todos eles. O eleitor, fatigado, busca alternativas. E cada vez mais longe da figura cansada do populismo de palanque.
A fala do presidente da Câmara, Hugo Motta, encerra qualquer ilusão: “Esta Casa não aceitará mais aumento de imposto.” A sentença é clara, e definitiva. A estratégia de governar taxando virou cadáver.
O lulismo chegou ao seu terceiro mandato com promessas de redenção e governabilidade.
Entregou populismo requentado, burocracia pantanosa e uma gestão de vaidades desorientadas. Agora, encurralado e desacreditado, o governo não tenta mais governar — apenas sobrevive.
Com muita sorte não afundará de vez. Mas a nau já faz água por todos os lados.











