O agro sustenta o Brasil — e apanha do governo

Aos trancos e barrancos, mesmo em um cenário global adverso e com limitações internas de competitividade e produtividade, a economia brasileira mantém trajetória discretamente positiva. O Produto Interno Bruto avançou 1,4% no primeiro trimestre do ano, superando previsões e renovando certo alento em um país cronicamente à deriva. E, como já se tornou hábito nas últimas décadas, o responsável por carregar o PIB nas costas chama-se agronegócio.
Foi a agropecuária que cresceu mais de 12% no trimestre, enquanto a indústria recuava 0,1%. Foi o campo, mais uma vez, que irrigou a economia com superávit, produção recorde, exportações pujantes e tecnologia de ponta — tudo isso em um ambiente global adverso. E foi o mesmo campo, ironicamente, que continuou sendo hostilizado pelo próprio governo que ele salva da recessão.
Na mesma semana em que os dados do IBGE confirmavam a força do setor, o presidente da República visitava um assentamento do MST no norte do Paraná e, em discurso aos militantes, proferia uma das declarações mais absurdas de seu mandato: “Quem ocupa terra não é invasor. É um ser humano que está em busca de dignidade, de respeito, de direitos”. Um escárnio. Uma afronta ao direito constitucional de propriedade, à ordem legal, à segurança jurídica e a milhões de produtores que geram riqueza em terras legalmente tituladas.
É o retrato de um país esquizofrênico: a locomotiva da economia sendo atacada a pedradas pelo maquinista do Estado.
O agronegócio brasileiro é, hoje, referência mundial. Em tecnologia, produtividade, inovação. É provavelmente o setor mais moderno e eficiente do Brasil. Graças a investimentos, à ciência da Embrapa, ao empreendedorismo dos produtores, colhem-se aqui duas, três, até quatro safras por ano. Somos líderes em soja, milho, carnes, café. Alimentamos o mundo.
Segundo dados do Cepea e da CNA, o agro representou 23,2% do PIB em 2024: R$ 2,7 trilhões em valor adicionado direto e indireto. Um número que não para de crescer. Se não fosse ele, estaríamos provavelmente em retração.
Enquanto isso, a indústria brasileira encolhe ano após ano. Já foi mais de 30% do PIB, hoje mal ultrapassa os 10%. Está 15% abaixo do seu pico, alcançado em 2008. Os programas lançados para revertê-la, como o Nova Indústria Brasil, com seus prometidos R$ 300 bilhões, ainda não mostraram serviço. E nem devem.
Em vez de seguir o exemplo de quem dá certo — como o agro, que soube investir, inovar, buscar eficiência e conquistar mercados — o país prefere repetir seus fracassos. Alimenta a velha retórica da luta de classes, fortalece movimentos que promovem invasões, ataca o direito de propriedade e desestimula o empreendedorismo rural com discursos ideológicos de um tempo que já passou.
Essa contradição revela não apenas o ranço da esquerda contra um setor majoritariamente conservador, mas uma incapacidade crônica de governar com racionalidade. O ressentimento ideológico se sobrepõe ao interesse nacional. O presidente, ao invés de visitar uma cooperativa que exporta frango para 150 países, prefere posar com uma foice na mão, aplaudido por quem não planta, não colhe e não emprega.
É difícil prosperar em um país onde o mérito é criminalizado e o fracasso é romantizado.
O Brasil precisa de planos de longo prazo. De uma indústria que reencontre seu papel, de políticas que enxerguem a economia como aliada e não como inimiga. Mas, enquanto o agronegócio segue produzindo e salvando os números, o governo se ocupa em sabotá-lo. É uma espécie de autofagia institucional: o Estado mordendo a mão que o alimenta.
E depois perguntam por que o país não vai para frente.












Veio de frente. É a Realidade Hoje do Brasil no Ranking dos Superavits..
Gostei Muito . Retrata como o Agronegócio é importante e sua relação
com os PIB’S no Brasil e no Mundo .
A matéria também visa a correlação
com a Gestão local.
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