OPINIÃO

Bloco de Notas

 

1. Segurança pública no palanque

Atento ao que será o grande tema da eleição de 2026, o governador Ratinho Junior começou a armar politicamente sua candidatura com armas… não letais. O Paraná será o primeiro estado onde policiais civis, militares e penais usarão o novo Taser 10. A chegada das 1.400 unidades — ao custo de R$ 25 milhões — ocorre na mesma semana em que o governador intensificou a exposição pública, medindo forças com Eduardo Leite, recém-filiado ao PSD. O gaúcho posa de pré-candidato à Presidência, mas o jogo já está jogado: disputará o Senado. No PSD, se houver candidatura ao Planalto, Kassab já avisou que será Ratinho. Só há um fator capaz de alterar esse quadro: se Tarcísio de Freitas resolver dizer “sim”.

2. Palácios em obras, nação em ruínas

Enquanto o país tropeça no déficit, o governo federal avança com seu plano de “melhoria contínua” — dos palácios presidenciais. Após torrar R$ 1,7 milhão em móveis e eletros para Alvorada e Planalto, Lula agora autorizou outra licitação, no valor de R$ 2,3 milhões, para elaboração de projetos de engenharia nas edificações da Presidência. O contrato anterior havia sido firmado com a R7 Facilities — aquela mesma, alvo de operação da PF. É sempre assim: onde tem um contrato petista, tem um BO na porta.

3. PEC da interferência vai à lona

A chamada PEC da Segurança, enviada ao Congresso por Ricardo Lewandowski para reconfigurar o setor sob tutela federal, já nasceu em clima de derrota. O Centrão promete desidratá-la, os governadores não querem saber dela e a bancada da bala já deixou claro que não passa. A tendência é que o texto seja jogado no lixo e substituído por outro, construído com os estados — sem a intromissão do Planalto. Mais um tropeço do governo na tentativa de controlar o que não lhe pertence.

4. O buraco é do Lula

Com o aumento do IOF sob ameaça de derrubada pelo Congresso, Haddad apelou: sem ele, a máquina pública entrará em colapso. Acontece que essa mesma máquina foi arrebentada pelo próprio governo, que gasta como se não houvesse amanhã, sem cortar nada. Inventam impostos, monitoram o Pix, tentam enganar a opinião pública — e culpam os outros por sua própria incompetência. Lula segue prometendo mundos e fundos em troca de votos. Mas nem o Congresso, com sua reconhecida generosidade fiscal, parece disposto a servir de escada para tamanha irresponsabilidade.

5. Chega de pagar a conta

“O Brasil não precisa de mais imposto. Precisa de menos desperdício.” Hugo Motta verbalizou o que o país inteiro pensa. Em resposta à fala de Haddad sobre “semiparlamentarismo”, o presidente da Câmara desceu a lenha: quem gasta sem freio não é vítima, é autor. E o Congresso não está disposto a ser motorista de um caminhão desgovernado. O recado foi curto e grosso. O Executivo que aprenda, enfim, a viver com aquilo que arrecada — ou pare de atrapalhar quem tenta pôr ordem no caos.

6. A Justiça desafinada

Em artigo lapidar, Ricardo Kertzman descreve o show de horrores protagonizado por Luís Roberto Barroso. O presidente do STF soltou a voz ao lado do CEO do iFood — empresa interessada em causas que tramitam na própria Corte — durante jantar privado, com trilha sonora de “ações afirmativas”. Justiça virou performance. A toga virou figurino. E a imparcialidade, um detalhe inconveniente. A promiscuidade institucional perdeu até a vergonha. Mas ainda mantém o Instagram em dia.

7. Quando o Estadão escreve, é porque passou dos limites

O inquérito contra Eduardo Bolsonaro, aberto a pedido da PGR e autorizado por Alexandre de Moraes, é mais um abuso com selo de origem. E não somos só nós que estamos dizendo. Foi o Estadão — sim, o mais antigo e um dos mais respeitáveis jornais do país — que publicou editorial condenando a medida. A base fática é frágil, praticamente inexistente. O que Eduardo faz nos EUA pode desagradar — mas está no pleno exercício da liberdade de expressão. O que se tenta criminalizar não é crime. É crítica. E quando até o Estadão — que há tempos tem se mantido firme, sem se curvar ao STF nem ao Planalto — levanta a voz, é porque o Judiciário já cruzou a linha há muito tempo.

8. IOF: o puxão de orelha

Após o vexame do aumento do IOF — tributo que não pode ser usado para tapar buraco fiscal —, o governo tem agora dez dias para apresentar um “plano alternativo”. Caso contrário, mais de 20 projetos de decreto legislativo estão prontos para enterrar a medida. É a primeira vez, em muito tempo, que se vê o Legislativo tratando o Executivo como um aluno repetente que precisa parar de fazer gambiarras com a conta alheia. E de lambuja, aprender a respeitar a Constituição.

9. A terra treme no Senado

O Senado anulou dois decretos de Lula sobre demarcação de terras indígenas. Vitória do agro. Derrota retumbante do governo. Agora o projeto segue para a Câmara, onde as bancadas ruralista e conservadora têm maioria folgada. O recado é claro: não se fará retrocesso em nome de narrativas. Título de terra vale. Marco Temporal vale. O resto é ideologia de palanque — ou, como querem alguns, basta um pedaço de cerâmica no solo para fundar uma nova nação.

10. O agro produz. E o Planalto digere

O PIB cresceu 1,4% no trimestre, levemente abaixo do previsto. Ainda assim, é uma das raras notícias que Lula pode comemorar. E graças a quem? Ao agronegócio. Aquele mesmo que o governo vive hostilizando, chamando de fascista, enquanto despeja dinheiro em invasores do MST. A ironia é perfeita: o setor que o Planalto tenta sabotar é o único que entrega resultado. Com soja, milho e suor. Sem hashtags.

11. Governo que adoece

Depois de Lula sofrer crise de vertigem, agora é Alckmin quem vai parar no hospital com inflamação intestinal. Brasília anda indigesta. Entre trapalhadas políticas, derrotas no Congresso e crises de gestão, o governo parece fazer mal até aos seus próprios líderes. Literalmente. Qualquer hora, não será só a popularidade que vai precisar de soro na veia.

12. Ferrovias de papel

O Brasil precisa de estradas de ferro. A China tem trilhões de dólares em apetite para construí-las. Mas até agora, o que o governo brasileiro entregou foi apenas uma frase: “a China vai rasgar o Brasil com ferrovias”, disse Simone Tebet. De concreto, nada. Nem projeto, nem contrato, nem plano. Tudo segue no papel. No máximo, um PowerPoint com sotaque chinês. Enquanto isso, seguimos no velho modal: promessas.

13. Desandou de vez

Adriana Fernandes, em artigo publicado na Folha de S. Paulo sob o título “Brasília à deriva”, não poupou ninguém — e com razão. A capital federal virou um barco sem leme: Marina Silva abandonada no Senado, CPI das Bets virando circo de oportunistas, reforma ministerial que nunca veio, Haddad isolado e conflagrado com a Esplanada, Congresso ignorando solenemente o Planalto, e o STF cada vez mais politizado. A Folha, que começa a dar espaço a críticas mais contundentes, faz jus ao papel de imprensa vigilante. Enquanto isso, como lembra Adriana, São João se aproxima, e Brasília dança — não no compasso da governança, mas no passo marcado da quadrilha institucional. O trem já saiu dos trilhos. E ninguém segura o arrasta-pé.

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