Bloco de Notas


1. Duquesa de Tax e os privilegiados da reforma
Quem diria que um pseudônimo tão espirituoso como “Duquesa de Tax” se tornaria o oráculo mais afiado da economia brasileira? A colunista do Estadão ganhou notoriedade por traduzir o economês com sarcasmo, clareza e, claro, doses generosas de bom humor. No seu programa Não vou passar raiva sozinha, ela destrincha agora os bastidores da reforma tributária e escancara uma lista de 18 profissões que pagarão menos impostos. Um festival de exceções que inclui médicos, caminhoneiros, esteticistas e motoristas de aplicativo. A pergunta que fica: a reforma vai simplificar… ou sofisticar ainda mais os privilégios?
2. Curitiba vira capital da proteína animal
De 16 a 18 de junho, o Estado mostrará, em Curitiba, seus dentes — ou melhor, suas garras, cascos e penas — ao sediar o Alimenta 2025, congresso e feira internacional da proteína animal, promovido pelo Sindicato das Indústrias Avícolas do Paraná. Confirmados no cardápio: Paulo Guedes, Antonio Cabrera, Marcos Troyjo e outras figuras de peso. Vai ter de tudo: bovinos, suínos, peixes, ovos, geopolítica e até diplomacia rural. O objetivo? Reforçar o protagonismo do agronegócio paranaense no prato do mundo. Afinal, exportar proteína até que é fácil; difícil é driblar tarifas, guerras, pandemias e, claro, a nossa própria burocracia. Mais detalhes no site: www.alimentaexpo.com.br
3. Recompensa milionária na Tríplice Fronteira
Os Estados Unidos voltaram a acender o alerta vermelho na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Oferecem agora até US$ 10 milhões por informações sobre as atividades do Hezbollah na região. Acusam o grupo extremista de operar redes de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e aquisição de tecnologia via empresas de fachada. Indicaram ainda que parte dessas operações envolve altas cifras aplicadas no mercado imobiliário — que, convenhamos, é tão aquecido quanto discreto. Quando o terrorismo se disfarça de investidor, não há corretor que desconfie.
4. Milei avança na capital do peronismo
A província de Buenos Aires, berço histórico do kirchnerismo, acaba de ser conquistada por Javier Milei nas eleições legislativas da semana passada. A vitória de sua coalizão, La Libertad Avanza, quebra também a hegemonia estabelecida ali nos últimos anos pelo ex-presidente de direita Mauricio Macri e dá fôlego às reformas liberais do atual ocupante da Casa Rosada. Para quem achava que a retórica da motosserra era só espetáculo, fica o aviso: Milei está cortando de verdade — e com gosto.
5. IA com alma?
Neurocientistas, filósofos e psicólogos estão se debruçando sobre a pergunta que Hollywood fez antes deles: será que a inteligência artificial um dia será… consciente? A dúvida deixa o mundo da ficção e entra no campo da ética, da neurociência e da psicologia. As máquinas já aprendem, decidem, simulam empatia e até choram em linguagem binária. Só falta mesmo uma coisa: saberem que existem. Aí sim, o pânico estará autorizado.
6. Prerrogativas comemora impunidade internacional
O grupo de advogados denominado Prerrogativas, famoso por defender os réus da Lava Jato — especialmente os companheiros de trincheira petista — soltou foguetes com o fim da cooperação entre Brasil e Peru no caso Odebrecht. O motivo? O ex-presidente peruano Ollanta Humala foi preso por corrupção e sua esposa, condenada no mesmo processo, refugiou-se no Brasil, com a proteção do governo Lula. Em vez de indignação, a confraria preferiu brindar à impunidade, em mais um espetáculo do garantismo de ocasião.
7. Socialismo em queda livre em Portugal
O Partido Socialista português sofreu uma derrota histórica, quase ficando em terceiro lugar nas últimas eleições legislativas. Terá o mesmo número de deputados que o partido Chega, de direita radical. Na terra dos descobridores, o eleitorado parece agora disposto a descobrir alternativas ao socialismo — especialmente aquelas que não terminam em crise, dívida ou dependência estatal.
8. Lar anuncia grandes projetos de investimentos
A diretoria da cooperativa Lar, capitaneada pelo presidente Irineo da Costa Rodrigues, apresentou ao governador Ratinho Júnior um ambicioso plano de expansão: avanços nas cadeias de suínos, aves, grãos e, mais recentemente, peixes, além de projeções que incluem novas unidades industriais, ampliação das fábricas de ração, investimentos em energia, instalação de uma planta de biodiesel e uma subestação elétrica. Solicitou, em contrapartida, viadutos e duplicação da BR-277 em pontos estratégicos de Medianeira e Matelândia, a revitalização das PRs 495 e 497, a ampliação do programa de asfaltamento de estradas rurais, agilidade nos licenciamentos ambientais via IAT, estabilidade no fornecimento de energia e apoio a projetos de saneamento e habitação. “O desafio não é mão de obra, e sim moradia; quando há casas, as pessoas vêm trabalhar”, pontuou o presidente. Ratinho elogiou a gestão da cooperativa: “A Lar é sinônimo de visão de futuro. Cabe ao Estado estar ao lado de quem produz e transforma, garantindo que o desenvolvimento alcance todas as regiões.”
9. O estranho caso dos bebês de plástico
A febre dos bebês reborn parece coisa de roteiro distópico, mas é real — e cada vez mais preocupante. Réplicas hiper-realistas de recém-nascidos estão ganhando espaço nos lares (e nos colos) de adultos emocionalmente disponíveis demais. Psiquiatras alertam para os riscos: da substituição simbólica de perdas à fuga do contato humano real. A humanidade, sempre tão criativa em seus delírios, conseguiu reinventar o útero… com silicone.
10. Às favas com a ética e a moral
Em uma bilionária disputa judicial envolvendo o Grupo Petrópolis, chamam a atenção não os argumentos jurídicos, mas os sobrenomes dos advogados. Estão nos autos filhos, cunhados e parentes dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Zanin e Nunes Marques, do STF, e do togado Luiz Felipe Salomão, do STJ. A causa pode parar no Supremo, o que não parece ser coincidência, mas conveniência. Quando o lobby chega pela árvore genealógica, a Justiça deixa de ser cega para ser… familiar.
11. Lula é vaiado na Marcha dos Prefeitos
Em Brasília, o presidente Lula enfrentou uma trilha sonora inesperada na Marcha dos Prefeitos: vaias — e não foram poucas. Três vezes o público manifestou seu desagrado, mesmo diante da tentativa de ministros de acalmar os ânimos. O petista foi aplaudido, sim, mas as palmas soaram tímidas diante da recepção estridente. Entre prefeitos que dependem de verbas e promessas, o gesto mais sincero veio das arquibancadas.
12. O ano das boas notícias… só que não
Lula anunciou que 2025 seria o ano da colheita, da consolidação e das boas novas. Por enquanto, o que se vê é um cenário de tempestade: inflação teimosa, juros altos, ministério com convites recusados e escândalos no INSS. Já se vai quase metade do ano e nada brotou. Ao que parece, a esperança do petista foi plantada em solo infértil — ou, quem sabe, sequer semeada. Vai ver, as vaias em Brasília foram só o prenúncio da safra perdida.
13. Negócios de casa, contratos de milhões
Uma contratação de R$ 478 milhões para organizar a COP-30 foi firmada entre o governo federal e a Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI). Até aí, tudo bem. O curioso — para não dizer constrangedor — é o enredo: dias após o decreto que autorizou a parceria, Lula recebeu o então diretor da entidade, Leonardo Barchini, para uma reunião no Planalto. Pouco depois, Barchini virou secretário-executivo do Ministério da Educação. A OEI, que mantém laços próximos com a primeira-dama, formalizou a parceria milionária na sequência. Como sempre, nos bastidores de Brasília, nada acontece por acaso.
14. Gilmar em modo dragão
O ministro Gilmar Mendes não gostou nada da insinuação do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, de que sua atuação no STF contra a pejotização não seria “plenamente jurídica”. Ligou para o “companheiro” e soltou o verbo: “vocês estão na rota errada, em dois anos não aprovaram nada, está tudo afundando”. Disse ainda que brigar contra a pejotização equivale “a defender o condutor de carruagem contra o avanço dos carros”. E quando Marinho falou em salvar a Previdência, Gilmar disparou: “o que acaba com a Previdência é essa roubalheira no INSS”. O homem estava cuspindo fogo.
15. Lei Rouanet entra no cabaré
O governo federal autorizou a captação de R$ 1,3 milhão pela Lei Rouanet para financiar um espetáculo sobre… um prostíbulo paulistano. O título da peça é um show à parte: Tabaris Dancing ou Cabaré Máximo, Toda a Gerência Feminina. Parece ala de escola de samba, mas é teatro — e, óbvio, com verba pública. Quando a cultura decide flertar com a zona, o contribuinte vira cliente fixo — sem direito de escolha, mas com desconto no IR.











