OPINIÃO

O petróleo vai vencer o mico-leão-dourado?

Prometeu zerar o carbono. Zerar o desmatamento. Zerar o garimpo ilegal. Zerar o uso de combustíveis fósseis. Prometeu tanto zerar que acabou zerando a coerência.

Agora, diante do ouro negro enterrado na margem equatorial do Amapá, Lula descobriu que o planeta pode esperar mais um pouco – e que Marina Silva, não. Cansou da “lenga-lenga” ambientalista, como confidenciou a aliados. Vai resolver a pendenga com o Ibama “em breve”, o que, traduzido do dialeto palaciano, quer dizer: vai autorizar a Petrobras a perfurar e pronto. Com o selo “Desenvolvimento Sustentado na Base da Broca”.

Não há novidade nisso. Apenas mais um capítulo da novela infindável do Estelionato Eleitoral S.A., cuja trama é sempre a mesma: o candidato assina com a caneta do Greenpeace e governa com o compasso da Opep.

O problema, claro, não está na decisão. Explorar o petróleo da margem equatorial é questão de bom senso, de soberania e de segurança energética.

O mundo todo está fazendo isso, até mesmo os mais zelosos ativistas climáticos… desde que seja no quintal dos outros. A Alemanha, por exemplo, fechou suas usinas nucleares limpas, abraçou a utopia solar, e acabou ajoelhada no altar do gás russo. Quando Putin invadiu a Ucrânia, ficou sem energia, sem autonomia e sem discurso. Agora corre para reverter o próprio apagão ideológico.

Energia, como se sabe, não é tema para delírios de ONG nem para cátedra de climatologista de cúpula do G20. Energia é segurança nacional. É crescimento, é emprego, é PIB no chão ou no alto. E o Brasil, detentor de uma das matrizes mais limpas do planeta, pode perfeitamente avançar em energias renováveis sem precisar virar as costas para o petróleo que jorra sob seus pés.

Mas o que não pode – ou não deveria poder – é dizer uma coisa na campanha e fazer outra no poder. Transformar promessas verdes em borrões de óleo. Trair o discurso com um estardalhaço de brocas, ao som do tilintar de royalties e dividendos. Não é a primeira vez. E, convenhamos, não será a última.

No fim, Lula não se tornou um ecologista arrependido. Tornou-se um pragmático mal disfarçado. Um ex-ambientalista de palanque que hoje olha para a floresta amazônica e vê uma refinaria esperando para nascer. Marina, coitada, virou personagem coadjuvante do seu próprio enredo: a ministra decorativa, a sacerdotisa do “não agora”.

Enquanto isso, a margem equatorial segue firme para o destino de toda promessa eleitoral feita com excesso de adjetivos e falta de realidade: virar petróleo no fogo da conveniência.

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Um Comentário

  1. Ótima abordagem Caio,

    É uma pataquada atrás da outra neste desgoverno do barba que em quase 3 anos de mandato, não cumpriu uma só promessa de campanha = 0%.

    Para o PT e o barba governar é: mentir, passear “Vamos Juntos pelo Brasil”.

    Estou começando a imaginar a carcaça desossada que o próximo Presidente ira encarar.

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