Estatais: Walking Dead à brasileira


O Brasil é um país de assombrações políticas. Algumas ideias voltam do túmulo, outras nunca foram enterradas.
A gestão petista das estatais, por exemplo, é uma dessas criaturas que se recusam a morrer — e, pior, sempre voltam mais caras.
Em 2024, segundo o Banco Central, as empresas públicas federais amargaram um prejuízo de R$ 8,1 bilhões. É isso mesmo: bilhões, com “b” de buraco. O pior resultado de toda a série histórica. Um vexame que faz os já ruins R$ 2,2 bilhões de 2023 parecerem troco de pinga.
O que explica esse salto para o abismo? Fácil: o velho modo de governar do PT, com sua fé inabalável no Estado como provedor universal — de energia, de telefonia, de logística… e, claro, de empregos para os amigos.
Não se trata apenas de manter funcionando estruturas falidas — trata-se de garantir que elas permaneçam disponíveis como cabide de empregos de luxo, onde a competência raramente entra e a fidelidade partidária jamais sai.
A prova cabal são as 323 nomeações políticas em conselhos e diretorias, mapeadas nas empresas onde o governo tem alguma ingerência. Um verdadeiro centrão de jaleco, distribuído entre estatais e companhias mistas como se fossem feudos de barganha.
Não há gestão estratégica, tampouco compromisso com resultados. Há sim o velho manual da militância estatólatra, aquele que transforma a máquina pública num parque temático da ineficiência — onde se brinca de governar com o dinheiro dos outros e se camufla prejuízo com retórica revolucionária.
Pior: o governo não quer só manter o que é estatal. Quer reestatizar o que já foi libertado. Com ares de salvador da pátria, o petismo volta a flertar com a ideia de tomar de volta empresas que hoje funcionam muito melhor nas mãos da iniciativa privada.
É uma espécie de compulsão ideológica misturada com nostalgia sindical. Sonham com um Estado onipresente e benevolente — mas entregam um Estado obeso, caro e, sobretudo, ineficiente.
O artigo recente de Elena Landau, que conhece esse filme desde os tempos do BNDES, lembra que as estatais já nos custaram caro demais.
E, ainda assim, resistem.
Talvez porque, como todo organismo parasitário, tenham aprendido a se adaptar ao hospedeiro político da vez.
O problema é que o hospedeiro, agora, somos todos nós. Somos nós que pagamos o prejuízo. Somos nós que sustentamos as nomeações absurdas, como a do ex-motorista de Lula numa empresa de energia, ou da irmã de ministra no comando de um conglomerado industrial.
Somos nós que financiamos a ilusão de que o Estado dá conta de tudo — quando, na verdade, ele mal consegue cuidar de si mesmo.
Privatizar não é um dogma. É uma necessidade. É colocar o Estado onde ele deve estar — cuidando de educação, segurança, saúde, regulação — e tirar o peso morto das costas do contribuinte.
Cada estatal deficitária é um imposto disfarçado. E cada nomeação política, um escárnio com o mérito.
Mas o Brasil, como sempre, insiste em se reinventar pelo retrovisor.
E, ao que tudo indica, voltamos oficialmente à era dos mortos-vivos estatais: consomem recursos, andam sem rumo e, de quebra, ainda morderão seu bolso no fim do mês.











