OPINIÃO

Assembleia Itinerante: o parlamento que anda e escuta

Há momentos em que a política desce do palanque, dobra a manga da camisa e se permite escutar — sem discursos, sem palmas, sem holofotes. É rara essa cena. Mas é exatamente o que se verá em Maringá, a partir desta terça-feira (13), quando a 22ª edição da Assembleia Itinerante se instala dentro da Expoingá.

Ali, no coração da feira, deputados estaduais vão deixar por alguns dias o conforto dos gabinetes e atravessar a fronteira simbólica entre o poder e o povo.

A proposta, simples e poderosa, tem sido levada adiante com rara sensibilidade institucional: fazer com que a “Casa do Povo” vá, de fato, onde o povo está. A frase é do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi (PSD), e resume o espírito da iniciativa.

Em vez de esperar que as demandas do interior cheguem a Curitiba por canais burocráticos e distantes, o Legislativo paranaense vem percorrendo o estado — de leste a oeste, de norte a sul — colhendo reivindicações, sugestões e propostas diretamente com os cidadãos, prefeitos, vereadores e lideranças regionais.

Em Maringá, a ação ganha ainda mais relevância por ocorrer dentro de um dos maiores eventos do agronegócio e da economia paranaense: a Expoingá. Uma estrutura está montada no parque de exposições para atendimento direto ao público, oferecendo também serviços essenciais como orientação jurídica da Defensoria Pública, atendimento eleitoral do TRE e atividades da Procuradoria da Mulher e da Escola do Legislativo. Tudo isso sem que os cidadãos precisem se deslocar à capital.

A programação vai além do atendimento institucional. No dia 15, a Assembleia realiza sessão especial para prestar contas das demandas recebidas na visita anterior, em 2023.

Haverá também homenagens a personalidades locais e a presença confirmada da maioria dos parlamentares, sobretudo os que têm base na região. A semana incluirá ainda palestras sobre temas como energia solar em prédios públicos, inteligência artificial na gestão pública e captação de recursos por entidades civis.

A Assembleia Itinerante já percorreu todas as regiões do estado, recolhendo mais de 5 mil sugestões.

Muitas delas viraram requerimentos, inspiraram projetos de lei ou geraram emendas coletivas para obras e ações em comunidades. Segundo o deputado Gugu Bueno (PSB), primeiro-secretário da Casa, “é ouvindo quem vive os desafios do dia a dia que se constroem políticas públicas mais eficazes”.

A iniciativa também rendeu reconhecimento internacional. Em abril deste ano, recebeu o prêmio Criatividade na Gestão Pública durante o World Creativity Day 2025, por promover a cidadania com canais reais de escuta ativa e participação popular. Um reconhecimento que honra os 54 deputados que hoje se revezam no esforço de transformar o Parlamento estadual numa instituição presente, concreta e útil à vida das pessoas.

O prefeito de Maringá, Silvio Barros (PP), aplaude a iniciativa. Para ele, “a comunidade em todo o Estado pode conhecer melhor os nossos deputados e apresentar sugestões e demandas. Valorizo muito o diálogo com a população”. Já a presidente da Câmara Municipal, vereadora Majô (PP), completa: “Maringá vira a capital do Estado quando acolhe a Assembleia. É importante estarmos onde o povo está”.

É um sopro de republicanismo numa política que, tantas vezes, se mostra impermeável à realidade.

E um exemplo de como se pode — com criatividade, escuta e presença — fazer valer a expressão “poder representativo” em sua melhor acepção.

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