OPINIÃO

Em Moscou, Lula se sente em casa

Lá foi Lula, com sua faixa presidencial e seu ego inflado, rumo a Moscou, para os festejos da vitória soviética sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial.

Vai celebrar ao lado de Putin, ditador com mandado de prisão internacional, e sob os olhares aprovadores de Maduro, Díaz-Canel, Lukashenko e Xi Jinping — o seleto clube dos democratas de araque.

Nenhum líder europeu. Nenhum estadista do mundo livre. Nenhuma democracia presente. Só ele. O nosso. O do Brasil.

Diz a entourage palaciana que Lula está “em missão de paz”. A Ucrânia, naturalmente, não foi consultada.

Para quem foi invadido, bombardeado e esquartejado, não há paz possível ao lado de quem confraterniza com o invasor. Mas Lula se acha — e isso basta para o Itamaraty transformado em extensão do Instituto Lula.

Convém lembrar que a tal “vitória da liberdade” em 1945 também foi assinada pela União Soviética de Stalin — aquele mesmo que, pouco antes, andava de mãos dadas com Hitler, num pacto de não agressão chamado Molotov–Ribbentrop.

No front oriental, a URSS resistiu bravamente e impôs pesadas derrotas ao exército nazista.

Mas, no front ocidental, a vitória sobre Hitler teve outros protagonistas decisivos: os Estados Unidos, a Inglaterra e a França livre, que lideravam a coalizão dos Aliados e avançaram sobre a Alemanha a partir do desembarque na Normandia.

União Soviética e Alemanha nazista, antes disso, haviam dividido alegremente a Polônia e oprimido juntos os Bálcãs. Há até bandeiras históricas que trazem, lado a lado, a suástica e a foice-e-martelo. Uma espécie de amor breve entre totalitarismos, com final infeliz para o povo e feliz para os tiranos.

Ao desfilar na Praça Vermelha, Lula prestará homenagem àquele velho mundo onde ditaduras se revezavam no poder e democracias eram tratadas como farsa burguesa.

E é exatamente aí que ele se sente confortável. Faz sentido. O presidente brasileiro nunca escondeu seu desprezo por instituições independentes, por liberdades incômodas ou pela imprensa crítica.

Prefere o aconchego dos autocratas que mandam prender opositores, fecham jornais, proíbem eleições ou fraudam as urnas — tudo em nome do povo, claro.

Putin invade a Ucrânia há três anos, mata civis, sequestra crianças e destrói cidades. Xi Jinping mantém campos de “reeducação” para uigures, silencia Hong Kong e ameaça Taiwan. Maduro transformou a Venezuela numa distopia caribenha, enquanto Díaz-Canel mantém Cuba na idade da pedra em nome do socialismo tropical.

É essa turma que Lula escolhe para confraternizar. E o faz não só por conveniência, mas por afinidade ideológica.

Ele dirá que quer um “novo eixo de poder”. Mas nesse novo eixo não há lugar para direitos humanos, democracia, imprensa livre ou soberania alheia. O “Sul Global” que sonha é, no fundo, um condomínio de ditaduras com verniz progressista e cheiro de mofo ideológico.

Enquanto isso, o Brasil segue irrelevante. Sem força militar, sem peso diplomático, sem protagonismo econômico. Restou a Lula o papel de figurante pomposo num teatro de tiranos.

Vergonha? Para ele, nenhuma. Para nós, que ainda acreditamos na liberdade, mais uma.

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