OPINIÃO

A gerente perfeita para um banco de mentirinha

Sem surpresas, a ex-presidente Dilma Rousseff foi reeleita para mais um mandato de cinco anos na direção do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o glorioso banco dos BRICS – aquele consórcio que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e que, se fosse um condomínio, já estaria com o síndico respondendo processo na Justiça e o porteiro pedindo as contas.

O NDB, que nasceu com pompa para ser uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, agora se firma como uma instituição com o dinamismo de uma conta de luz paga com atraso: não funciona direito, vive no risco do corte e ninguém lembra dela até dar problema. Porque, convenhamos: reconduzir Dilma à presidência é a forma mais clara de dizer que ninguém ali leva essa entidade a sério. Nem um pouco.

Dilma, aquela que conduziu o Brasil à maior recessão econômica da nossa história, que criou a nova modalidade olímpica das pedaladas fiscais, que conseguiu ser “impichada” mesmo com uma base de apoio gigante e um padrinho presidencial de peso… está, veja só, responsável por gerir bilhões em nome de cinco países. É como colocar um ex-funcionário do Titanic para pilotar o cruzeiro do Réveillon.

Sua gestão à frente do banco? Um vazio. Mas não um vazio qualquer — um vazio épico. Um deserto de realizações que faz o Saara parecer um jardim botânico. Nenhuma grande iniciativa, nenhum marco relevante, nenhum feito digno de nota. Só o eco das promessas e um PowerPoint sem slides. Se alguém procurar o legado da Dilma no NDB, vai encontrar o equivalente internacional de um arquivo “.doc” salvo em branco.

E, como se não bastasse o tédio produtivo, surgem agora críticas internas à sua forma de gestão — descrita nos bastidores como truculenta, centralizadora e até autoritária. Há relatos de assédio moral, clima hostil entre os funcionários e um gabinete que mais parece repartição dos anos 80: tensão no ar, pouca eficiência e zero sintonia com os princípios modernos de governança.

Mas calma: tudo tem uma explicação. A sinecura que rende à petista um salário anual de míseros 500 mil dólares é, na verdade, um mimo geopolítico. Um agrado. Um “fica aqui quietinha e longe do Planalto” que Lula, Xi Jinping e companhia deram pra ela, como quem dá uma cadeira na varanda pra tia barulhenta. Um prêmio de consolação pela cassação. Uma espécie de “bolsa-impeachment”.

O recado dos BRICS é claro: esse banco não presta pra coisa nenhuma, então deixa com a Dilma. Se tivesse alguma utilidade, talvez alguém com noções básicas de Excel assumisse o posto. Mas como o NDB virou um banco de empregos e favores, tanto faz se é Dilma, o Tiririca ou o Mr. Bean no comando.

O resultado será um só: zero. Porque, no fim das contas, de onde menos se espera, é daí mesmo que não sai nada.

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