OPINIÃO

Piada pronta: o governo dos grandes escândalos de corrupção está preocupado com os ladrões de celular…

Atenção, Brasil: Lula, agora em modo justiceiro, decidiu bater de frente com o crime. Mas calma, não espere uma cruzada contra figurões engravatados ou operadores de esquemas bilionários.

O alvo da vez são os ladrões de celular. Sim, é isso mesmo. Saindo em defesa da PEC da Segurança Pública, aquela ideia do governo federal para unificar o sistema de segurança nacional — e que já faz governadores torcerem o nariz, achando que tem cheiro de Brasília querendo mandar nas polícias dos estados —, o presidente ungido pelas urnas eletrônicas disparou sua nova cruzada moral: “Não vamos permitir a república dos ladrões de celular!”

A bronca agora é com os larápios do varejo, os da esquina, os sem pedigree. Já a turma que desviou bilhões de contratos públicos e estatais — gente bem relacionada e com bons e influentes advogados —, esses podem seguir em paz.

Afinal, o país que varreu o Mensalão e o Petrolão para debaixo do tapete não vai mesmo perder o sono com quem movimenta cifras que cabem num offshore.

E quem faz o sermão é ninguém menos que o ex-condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em três instâncias — solto, descondenado (mas não inocentado ou absolvido) pela mágica do Supremo Tribunal Federal, para quem processo é mais questão de CEP do que de crime.

Enquanto isso, o Planalto tenta vender a PEC da Segurança como um grande passo no combate ao crime organizado. A plateia aplaude educadamente, mas os governadores já estão de olhos semicerrados, desconfiados de que, no fundo, o que se quer mesmo é puxar as rédeas da segurança pública para a União.

E é aí que Lula sobe o tom e solta o clássico de campanha: “Lugar de bandido não é na rua assaltando as pessoas.” Só que… recordar é viver.

Afinal, em 2017, em inesquecível entrevista a uma rádio de Pernambuco, o próprio Lula afirmava com convicção que a criminalidade vinha da pobreza, e que o cidadão que perdeu tudo — emprego, renda e esperança — acabava tentado a roubar celulares para ganhar “um dinheirinho”. Naquele raciocínio peculiar, o jovem assaltante era quase um empreendedor da necessidade. Afinal, segundo o então ex-presidente, “quem está empregado e recebe salário pode comprar um celular bonito” e, portanto, não precisa roubar.

Sete anos depois, a narrativa virou de ponta-cabeça — como as pesquisas de popularidade, que mostram o derretimento da aprovação presidencial, com parte do desgaste vindo justamente da imagem de frouxidão histórica dos governos petistas no combate à criminalidade.

No Brasil de hoje, o ladrão de celular é o verdadeiro inimigo público número um. Já o mestre das maracutaias, o engenheiro de propinas, o arquiteto de mensalões e petrolões? Esse está tranquilo, tomando um vinho caro e rindo do celular que você perdeu no assalto.

Porque aqui é assim: roubou um celular? Vai para a cadeia. Roubou bilhões? Vai para o coquetel. E, de bônus, ainda ganha cargo ou coluna de jornal para comentar ética pública.

Se duvidar, no próximo pacote anticrime, o governo vai sugerir pena de reeducação para grandes ladrões: três palestras sobre integridade e uma visita guiada ao STF.

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