OPINIÃO

Bloco de Notas

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A generosidade do governo com seus aliados parece não ter limites. Agora, a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), aquela estatal de utilidade duvidosa que resiste ao tempo como um dinossauro da propaganda oficial, encontrou uma nova prioridade nacional: bancar estúdios e programas jornalísticos para a TVT, emissora ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e à CUT. A conta? Uma bagatela de R$ 2,65 milhões em emendas parlamentares, generosamente enviadas por 12 deputados e senadores do PT. Afinal, nada mais justo do que devolver o dinheiro do povo para quem realmente importa: os amigos do poder. O pretexto, claro, é sempre nobre. A emissora produzirá programas de interesse “da classe trabalhadora e dos movimentos sociais”. Ou seja, conteúdos jornalísticos isentos, equilibrados e pluralistas — só que não. A EBC, em sua justificativa oficial, afirma que os convênios visam a uma “troca de conteúdo e apoio técnico”. Traduzindo: nós financiamos, vocês transmitem e, de quebra, garantimos um canal sempre simpático ao governo. Já a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, preferiu o silêncio. Talvez porque até ela saiba que não há como defender isso sem gargalhar.

O mais curioso é que esse tipo de generosidade estatal costuma ser seletiva. Outros veículos independentes, que tentam sobreviver sem padrinhos políticos, precisam ralar para conseguir um tostão. Mas na República dos Companheiros, há sempre um cofrinho disponível para iniciativas “essenciais” como essa. E assim, de grão em grão — ou melhor, de um milhãozinho aqui, outro acolá — a galinha, digo, os amigos do poder, vão enchendo o papo.

2

O setor de shopping centers no Brasil está vivenciando uma fase de notável expansão e recuperação, superando os desafios impostos pela pandemia de Covid-19. De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o país conta atualmente com 648 shoppings em operação, distribuídos por 249 municípios. Em 2024, o faturamento do setor atingiu um recorde de R$ 198,4 bilhões, representando um aumento de quase 2% em relação aos R$ 194,7 bilhões registrados em 2023. As projeções para 2025 são ainda mais otimistas, com estimativas apontando para um faturamento superior a R$ 200 bilhões. A expansão física dos empreendimentos também é evidente. Em 2023, foram inaugurados cinco novos shoppings, número que quase dobrou em 2024, com nove inaugurações, entre elas o Catuaí Shopping Cascavel. Para 2025, estão previstas 19 novas aberturas, abrangendo cidades de pelo menos nove estados de todas as regiões do país, além do Distrito Federal. Esses dados refletem uma aceleração significativa na abertura de novas unidades nos últimos anos. Além de centros de compras, os shoppings brasileiros têm se consolidado como espaços multifuncionais, oferecendo soluções que vão além do varejo tradicional. Os consumidores encontram nesses locais uma variedade de serviços que facilitam o cotidiano, como opções de entretenimento diversificadas, desde cinemas até áreas de lazer para todas as idades. Adicionalmente, muitos empreendimentos têm incorporado centros médicos e clínicas, ampliando o leque de serviços disponíveis e reforçando o papel dos shoppings como hubs comunitários que atendem às diversas necessidades da população. A retomada do setor é impulsionada por estratégias que visam atrair e fidelizar o público, como campanhas promocionais e eventos temáticos. A expectativa é que, com a continuidade desse movimento de expansão e inovação, os shopping centers brasileiros mantenham sua relevância no cenário econômico e social do país, adaptando-se às novas demandas e consolidando-se como espaços essenciais para o lazer, consumo e prestação de serviços.

3

Demorou, mas aconteceu: agora é a própria Polícia Federal que está apontando o Supremo Tribunal Federal como responsável pela queda no número de prisões em casos de corrupção. Não é mais a oposição, não são mais os jornalistas críticos, tampouco os órfãos da Lava Jato. A ironia é deliciosa. O diagnóstico dos altos escalões da PF é simples: um precedente criado pelo STF em 2022 restringiu drasticamente as possibilidades de prisão preventiva e temporária, tornando ainda mais difícil deter suspeitos de desviar dinheiro público. Ou seja, o Supremo, que já vinha desmontando condenações, anulando processos e garantindo impunidade para delatores que confessaram e até devolveram dinheiro roubado, agora criou uma barreira extra para evitar que corruptos tenham sua liberdade temporariamente interrompida por aquelas inconvenientes algemas. O Brasil assiste a tudo isso sem poder reagir. Afinal, questionar o STF virou quase um crime de lesa-pátria, e qualquer um que ouse criticar suas decisões corre o risco de ser enquadrado como “antidemocrático” – ironicamente, por um tribunal que tem se comportado como um poder acima de qualquer limite constitucional. Mas agora é a própria Polícia Federal que está reclamando. A mesma PF que já serviu de braço operacional para decisões discutíveis da corte, agora se vê diante de um cenário onde investigar corrupção ficou muito mais difícil, não por falta de provas, mas por excesso de blindagem jurídica. No fim das contas, a lógica é simples: se o problema antes era prender, agora o problema é sequer poder tentar. O Brasil segue seu rumo, e os corruptos seguem soltos, livres e tranquilos. Tudo nos conformes.

4

O governo Lula (PT) decidiu reabrir as investigações sobre a morte de Juscelino Kubitschek, vítima de um acidente de carro na Via Dutra, em 1976. Como diria aquele velho bordão de novela: “Quem matou JK?” Bom, segundo todas as investigações realizadas até hoje, ninguém. Mas, para os aprendizes de feiticeiro do Palácio do Planalto, nunca é tarde para tentar ressuscitar conspirações e fabricar cortinas de fumaça. Diante de uma crise de governabilidade acelerada, popularidade em queda e um país atolado na inflação dos alimentos, na falta de moradia, nos hospitais sem remédios e nas filas de espera intermináveis por cirurgias, a solução encontrada pelo governo é… desenterrar mistérios do século passado! Se o presente não anima e o futuro é um borrão, resta a nostalgia do passado – ainda que seja para discutir um acidente de trânsito de quase 50 anos atrás. Não que a morte de JK não mereça respeito e consideração. Mas o fato é que não há qualquer revelação nova que justifique a reabertura do caso. Trata-se apenas de mais uma peça do teatro do absurdo, onde o governo finge governar e a população finge que acredita. Entre uma reunião para debater o destino de Brasília no além-túmulo e uma coletiva para anunciar novas investigações sobre a morte de Tiradentes, o Brasil segue à deriva, refém de uma administração confusa, caótica e sem rumo, mas com muita teoria da conspiração no Planalto.

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E não é que até dentro do próprio governo Lula já tem gente admitindo que a “justiça” do STF contra os envolvidos no 8 de janeiro passou um pouco – ou muito – do ponto? José Múcio Monteiro, ministro da Defesa, veio a público dizer algo que qualquer pessoa sensata já percebeu há tempos: não dá para tratar todos os manifestantes como se fossem líderes de um golpe de Estado que nunca existiu. “Soltar inocentes ou quem teve menor envolvimento ajudaria a pacificar o país”, disse ele. Veja só, uma voz insuspeita dentro do próprio governo reconhecendo que há injustiças sendo cometidas. Afinal, se houve um golpe, onde estavam os tanques? Os soldados? O comando? O que se viu foi um bando de desordeiros, alguns quebrando tudo, outros tirando selfie, outros apenas olhando. Mas o STF decidiu que a pena é a mesma para todo mundo, porque, afinal, é preciso dar um “exemplo”. Agora, quando até um ministro de Lula pede moderação, é porque a coisa realmente saiu do controle. O STF, com sua sanha vingativa, parece querer resolver na base da força um problema político. Enquanto isso, o país segue rachado, e a pacificação tornou-se apenas um discurso bonito para quem está no poder. Mas fica o registro: até José Múcio já percebeu o absurdo. Agora só falta alguém lá no STF ter a mesma iluminação.

6

Recentemente, o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, revelou em entrevista que, ao ser nomeado, recebeu do presidente Lula a orientação de “trabalhar duro” para evitar que casos de corrupção eclodissem no governo. Ora, vindo de alguém cujo histórico inclui escândalos como o Mensalão e o Petrolão, tal conselho soa como uma verdadeira pérola de ironia. É como se, em plena “casa de enforcado”, o anfitrião resolvesse discursar sobre os perigos da corda. O ditado popular “em casa de enforcado não se fala em corda” nos alerta sobre a inconveniência de abordar assuntos delicados em contextos sensíveis. No entanto, parece que o presidente decidiu ignorar essa sabedoria ancestral, oferecendo lições de moral sobre integridade justamente a quem designou para zelar pela ética governamental. Mais curioso ainda é o fato de o ministro aparentemente ter levado a sério essa orientação, demonstrando uma fé inabalável na súbita conversão ética de seu superior. Resta-nos observar se essa nova postura será capaz de transformar o cenário político ou se continuará sendo apenas mais uma anedota na vasta coletânea de contradições da nossa história recente.

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E o Lula resolveu mostrar sua força diante da decisão de Donald Trump de impor uma tarifa de 25% sobre o aço e o alumínio brasileiros. O Brasil, vale lembrar, é o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos e essa medida atinge em cheio o setor. Mas, como toda criança birrenta no recreio, o petista não pensou duas vezes antes de bater o pé e anunciar, com ares de estadista, que irá “reagir comercialmente”, “denunciar os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) ou “taxar produtos que a gente importa deles”. Que ameaça aterrorizante para a maior potência econômica do mundo! Trump, acostumado a ignorar qualquer decisão da OMC que não lhe agrade, deve estar tremendo na Casa Branca ao ouvir que o Brasil vai “reagir comercialmente”. O que exatamente Lula pretende taxar dos americanos? Pipoca de cinema? Fast food? Ou será que o plano é decretar embargo aos hambúrgueres do McDonald’s em solo nacional? A cena é patética e lembra muito a clássica briga de colégio, onde o baixinho raivoso desafia o grandalhão, acreditando que suas ameaças terão algum efeito. Mas, no mundo real, sabemos bem como essa história termina: o fortão ri, segue sua vida e o valentão mirim fica falando sozinho. O mais curioso é que essa reação indignada de Lula parece ter saído diretamente de um mundo que já não existe mais. A OMC, que décadas atrás até tinha algum poder para mediar disputas comerciais, hoje não passa de um fórum diplomático ignorado pelas grandes potências. Os Estados Unidos, de Trump ou de qualquer outro presidente, não dão a mínima as suas decisões do órgão e seguem conduzindo sua política comercial de forma unilateral, negociando diretamente com os países que interessam e ignorando os que não têm peso na balança. Mas Lula, sempre apegado ao passado, parece acreditar que as velhas fórmulas de sua primeira passagem pelo Planalto ainda funcionam. É um presidente que já não lidera nada, com uma popularidade minguante e um governo que patina em respostas anacrônicas para desafios modernos.

Enquanto o mundo se reinventa e a diplomacia se adapta a novas realidades, o petista mantém-se preso em um discurso vazio, batendo bumbo para uma plateia cada vez menor e mais desinteressada. Enquanto isso, Trump, bem ao seu estilo, vai dando as cartas. O ex-rei do Brasil pode espernear à vontade. Mas, no tabuleiro do comércio global, quem manda são os jogadores de verdade – e Lula já perdeu a vez faz tempo.

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