OPINIÃO

Eis o verdadeiro golpe

O artigo do jornalista J.R. Guzzo no Estadão expõe, com precisão e clareza, o caráter autoritário da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Guzzo, a peça acusatória não passa de um movimento político mal disfarçado de ação judicial, sem qualquer prova concreta de que Bolsonaro tenha cometido os crimes que lhe são atribuídos. A fragilidade da denúncia é tão evidente que seus próprios autores parecem estar em crise diante da falta de elementos sólidos para sustentar as acusações.

A denúncia da PGR segue o roteiro previamente traçado: primeiro, a Polícia Federal (PF) conduziu um inquérito de viés abertamente ideológico, mais próximo de um debate estudantil do que de uma investigação policial séria. Agora, a PGR repete as mesmas alegações, sem sequer tentar aprimorar a base probatória. O desfecho já está desenhado – a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), composta por ministros declaradamente hostis a Bolsonaro, deve aceitar a denúncia sem qualquer surpresa.

Guzzo ressalta o erro fundamental de todo esse processo: não há provas materiais contra Bolsonaro. A denúncia da PGR não é uma peça jurídica fundamentada, mas um discurso político, sem base legal consistente. Em qualquer país onde o Judiciário respeitasse minimamente o devido processo legal, essa acusação seria sumariamente arquivada. No Brasil, no entanto, o que se vê é a tentativa de resolver um problema político com a instrumentalização da Justiça.

Ao invés de apresentar provas concretas, a acusação baseia-se em suposições: Bolsonaro “deve ter cometido” crimes, “quis cometer” ou até mesmo “pensou em cometer” – uma argumentação absurda que seria rejeitada sumariamente em qualquer Corte séria do mundo. No entanto, no Brasil de hoje, onde a magistratura se tornou um meio para acumular poder e riqueza, tais absurdos são levados adiante sem o menor constrangimento.

O artigo também destaca o papel central do Supremo Tribunal Federal nessa engrenagem de perseguição política. O STF, que já antecipou sua decisão condenatória em declarações públicas, hoje está mais desmoralizado do que nunca. Enquanto a Corte se dedica com fervor à punição de Bolsonaro, criminosos de grande calibre – como um ex-governador condenado a 400 anos de prisão – seguem em liberdade. Essa seletividade escancara o caráter político das ações do Judiciário, que ignora a impunidade generalizada do país para focar em seu verdadeiro objetivo: eliminar Bolsonaro do jogo político.

A ironia, segundo Guzzo, é que essa estratégia pode não apenas falhar, mas se tornar um problema ainda maior para seus próprios articuladores. Ao violar sistematicamente a lei para atingir um adversário político, o regime atual está criando um precedente perigoso e corroendo sua própria credibilidade.

O ponto central da análise de Guzzo é que há uma única maneira legítima de resolver a “questão Bolsonaro”: derrotá-lo no voto. No entanto, esse é justamente o caminho que seus opositores não querem seguir. O medo de um novo fracasso eleitoral explica a necessidade de afastá-lo da disputa por meio de métodos ditatoriais.

O Brasil vive hoje um momento em que o Judiciário, em vez de atuar como guardião da Constituição, tornou-se um instrumento de perseguição política. A denúncia da PGR contra Bolsonaro é apenas mais um capítulo desse processo, uma tentativa desesperada de consolidar um regime onde o Poder Executivo e o STF governam juntos, sem oposição real. Guzzo ressalta a gravidade desse cenário, alertando para os riscos de um país onde a Justiça é manipulada para fins políticos.

Se o objetivo era encerrar a era Bolsonaro, o tiro pode sair pela culatra. Ao transformar um julgamento judicial em um espetáculo típico dos tempos da inquisição, o regime atual apenas reforça a narrativa de que Bolsonaro é um perseguido – e nada fortalece mais um líder político do que a injustiça de seus adversários.

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