OPINIÃO

A guerra dos bonés e a dura realidade

A jornalista Eliane Cantanhêde não poderia ter sido mais precisa – e contundente – ao descrever o verdadeiro estado das coisas no governo Lula 3. Seu artigo, publicado recentemente no Estadão, não apenas expõe os devaneios do presidente, mas também ironiza de forma magistral a infantilidade da chamada “batalha dos bonés”, a mais nova tentativa desesperada do Planalto de reverter sua desvantagem nas redes sociais.

Enquanto a economia patina, os juros sobem, a inflação assusta e o governo se mostra incapaz de apresentar um rumo claro, Lula parece achar que resolverá tudo com marketing raso e frases de efeito. Como bem apontado por Cantanhêde, sua estratégia se resume a rodar o Brasil, lançar programas e inaugurar obras, como se isso, por si só, fosse suficiente para acalmar os ânimos da população. O problema? Ele não para de falar besteira.

Na mais recente façanha retórica, o presidente recomendou que os brasileiros combatam a inflação simplesmente não comprando os produtos que estão caros. Quer dizer então que se o arroz, o feijão, a carne e o azeite dispararam de preço, o povo deveria simplesmente abrir mão deles? Só faltou sugerir que a solução definitiva para a crise é a população parar de comer.

A fixação com o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é outro sintoma do descolamento da realidade.

O petismo precisa de um vilão para justificar sua própria incompetência, e mesmo depois de Campos Neto deixar o cargo, ele continua servindo como bode expiatório. Só que, como bem lembra a jornalista, os juros continuam subindo, agora com o “companheiro” Gabriel Galípolo no comando. Ou seja, o problema não era o Campos Neto. O problema é o próprio governo, que não dá sinais de responsabilidade fiscal e parece não entender (ou não querer entender) o que move a economia.

E aí voltamos ao grande dilema da comunicação petista. O governo não tem marca, não tem rumo, não tem articulação e não tem estratégia – exceto, claro, pela guerra simbólica dos bonés vermelhos contra os bonés de Bolsonaro. Um plano genial, digno de uma eleição para presidente do grêmio estudantil.

No entanto, como bem conclui Cantanhêde, a hora não é de bonés. É de vestir a carapuça. Lula e sua equipe precisam entender que popularidade não se constrói com eventos artificiais e guerra de símbolos, mas com resultados reais. E esses, infelizmente para eles (e para o Brasil), continuam em falta.

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