OPINIÃO

Choque de interesses

Dois eventos importantes, que se conectam diretamente entre si, marcarão no mês de agosto as relações do Brasil com o Paraguai.

Um deles é a posse, no dia 15, do novo governo do nosso principal vizinho, inaugurando um período em que as duas nações terão presidentes ocupando posições ideológicas diametralmente opostas.

Considerando especialmente o fato de que brasileiros e paraguaios são sócios na Itaipu, será interessante observar como se dará o diálogo de Lula e suas ultrapassadas ideias esquerdistas com o conservador Santiago Peña e seu projeto de direita alicerçado em propostas modernas e ênfase no liberalismo econômico.

O outro acontecimento relevante é justamente a renegociação do tratado que originou a usina, a ter início de forma oficial no dia 13, incluindo na pauta a aguardada definição do destino a ser dado aos 2 bilhões de dólares que começarão a sobrar todos os anos no caixa da empresa, agora que foi zerada a dívida dos empréstimos contraídos para realizar a obra.

Antes mesmo de começarem as conversas, já se sabe que os dois lados têm visões muito diferentes sobre a utilização do dinheiro.

O Paraguai deseja continuar usando os lucros da hidrelétrica no desenvolvimento nacional, com vultosos investimentos em infraestrutura, como, aliás, o governo Bolsonaro vinha fazendo também aqui, ao autorizar o emprego de recursos da Itaipu para construir a segunda ponte em Foz do Iguaçu ligando os dois países e na ampliação, pavimentação e duplicação de inúmeros trechos rodoviários em diversas regiões do Paraná.

Já o Brasil sob o comando do lulismo é radicalmente contrário à linha adotada pelo ex-presidente e pretende aplicar a grana da estatal em políticas sociais assistencialistas e na finalidade populista de obter a redução de míseras frações de centavos na conta da energia elétrica.

Um pensa grande, olhando para o futuro; o outro pensa pequeno, olhando para o imediatismo eleitoreiro.

De todo modo, como a revisão do acordo geral e das cláusulas financeiras da parceria terá que ser aprovada por consenso, prevê-se pela frente uma longa e dura batalha para se chegar a um entendimento.

Um exemplo nada animador da complexidade que envolve esses assuntos é a hidrelétrica de Yacyretá erguida no mesmo rio Paraná por Argentina e Paraguai, onde corre um processo de negociação similar dominado por intermináveis discussões sem avanços significativos.

E nessa toada já lá se vai uma década e meia.

Nada mais e nada menos.

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