OPINIÃO

O trem tá andando

Tudo leva a crer que não faltará disputa no leilão que terá lugar na Bolsa de Valores, em data ainda indefinida, para a venda da concessão da Nova Ferroeste, nome dado à futura ferrovia idealizada pelo governo do Paraná para ampliar o traçado de 250 km hoje existente entre Cascavel e Guarapuava, que entrará no bolo para ser contemplado com obras de revitalização.

Aonde quer que esteja sendo apresentada, em reuniões e eventos no Brasil e no exterior, a nova estrada, planejada para ter mais de 1,5 mil quilômetros de extensão e atender o mais próspero polo de produção agropecuária do país, vem atraindo a atenção e a cobiça dos grandes fundos internacionais de investimentos e dos maiores e mais tradicionais operadores logísticos do mundo.

Foi o que aconteceu novamente na recente viagem do governador Ratinho Junior aos Estados Unidos quando se encontrou em Nova York e Washington com investidores que se mostraram extremamente interessados no ambicioso complexo ferroviário, que está igualmente na mira de grupos empresariais árabes, chineses, japoneses e italianos, já contatados anteriormente.

É importante lembrar que a Nova Ferroeste é o maior projeto de infraestrutura sustentável (que se justifica pela retirada de caminhões das rodovias) em âmbito nacional, com potencial para reduzir em até 30% o chamado “custo Brasil” nos estados onde vai passar. Além disso, será o principal corredor de exportação de produtos da região Sul e o segundo maior corredor de grãos e contêineres refrigerados do país.

Concebida para turbinar a atual Ferroeste, a malha da nova ferrovia será estendida nas duas pontas e ligará a cidade sul-mato-grossense de Maracaju ao Porto de Paranaguá, incluindo dois ramais que partirão de Cascavel para conectar Chapecó, em Santa Catarina, e Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira, com uma formidável influência operacional que abrangerá ainda o Rio Grande do Sul e parte da Argentina e do Paraguai.

Prevê-se que a concorrência para a iniciativa privada aconteça ainda este ano. O investidor que arrematar a ferrovia será responsável pela construção do trecho completo, orçado em cerca de 30 bilhões de reais, e terá direito à sua exploração comercial por 99 anos.

Com a conclusão de todos os estudos que atestam a viabilidade técnica, econômica, social e ambiental do projeto, resta ao governo estadual remover uma última pedra do caminho: a obtenção junto ao Ibama do licenciamento para a execução da obra, condição pré-estabelecida pelos possíveis investidores para que as conversas avancem.

Dado o conhecido ativismo político-ideológico do órgão, historicamente dominado por ecoxiitas esquerdistas (com o perdão do pleonasmo) que procuram dificultar ao máximo a emissão de licenças ambientais do gênero, essa deverá ser uma das etapas mais penosas desta fase do empreendimento.

Espero estar enganado. Será uma grata surpresa.

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