OPINIÃO

Bloco de Notas

1

Vimos a usina de Itaipu nos quatro anos do governo Bolsonaro patrocinar vultosas obras de infraestrutura rodoviária em todo o Paraná, incluindo a construção, em Foz do Iguaçu, da segunda ponte entre o Brasil e o Paraguai. Não houve nada parecido nos 13 anos em que a hidrelétrica esteve nas mãos dos petistas, tendo a mesma condição financeira. Agora eles voltarão a comandá-la justamente no ano que será quitada a dívida contraída há meio século para sua edificação e haverá ainda mais recursos disponíveis. Livre do empréstimo, a binacional deverá ter em caixa anualmente uma “sobra” para o lado brasileiro estimada em 1 bilhão de dólares. Espera-se que façam bom uso da dinheirama. Em benefício do país, bem entendido.

2

O primeiro grande encontro festivo do ano a movimentar o mundo empresarial da região está marcado para o dia 3 de março no principal espaço de eventos da Associação Comercial e Industrial de Cascavel. Será o jantar de posse da nova diretoria da Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná, agora presidida por Lucas Ghellere. Congregando 46 entidades coirmãs, que reúnem mais de 20 mil empresas da região, a Caciopar é uma das mais representativas e influentes vozes do setor produtivo do Estado.

3

Ela chegou quase a superar a Alemanha e tornar-se a quarta maior economia do mundo. Era o lugar que melhor traduzia a realização do “sonho americano” de prosperidade, ao alcance de qualquer um. Hoje, embora continue sendo (não se sabe até quando) o membro mais rico dos Estados Unidos da América, é o retrato da decadência. A profunda disparidade social, com altos impostos, preços elevados de imóveis e escassez de moradias, taxas de criminalidade crescentes, sistema escolar e serviços públicos caros e de má qualidade, além de problemas como trânsito ruim, excesso de regulamentos e sindicatos fortes se opondo a reformas têm levado cidadãos de renda média e até empresas a fugirem para estados mais hospitaleiros, como Texas e Nevada. Causa de tudo isso: as políticas desastrosas aplicadas ao longo de uma década da esquerda no poder. Nem a pujante Califórnia foi capaz de aguentar o tranco.

4

Ainda há um longo e tortuoso caminho a percorrer até a aprovação da proposta. Muita gente, aliás, acha que é uma missão impossível. Mas o senador Sérgio Moro, surpreendendo todo mundo, conseguiu obter as assinaturas necessárias para desarquivar e trazer de volta ao debate o projeto de lei que poderá restaurar a permissão para o início da execução da pena já a partir da condenação em segunda instância. É bom lembrar que a sua aplicação estava em vigor até o STF, em 2021, com o inequívoco objetivo de tirar Lula da cadeia, entender que era inconstitucional e desautorizá-la. O texto que agora retorna à discussão já havia passado pela Comissão de Constituição e Justiça quando acabou sendo arquivado por desinteresse dos parlamentares em levá-lo adiante. Seja como for, é animador saber que existem pelo menos 27 senadores aparentemente comprometidos em tentar impedir a eternização da impunidade dos criminosos ricos e poderosos, com capacidade financeira para contratar bons advogados e impetrar recursos intermináveis para nunca pagar por seus delitos e permanecer em liberdade até morrer. Vê-se, enfim, que nem tudo está perdido.

5

Trouxe más notícias para Alberto Fernández a pesquisa publicada pelo jornal El Cronista, de Buenos Aires, que aferiu a tendência dos argentinos com vistas ao pleito presidencial marcado para o mês de outubro. O mandatário peronista surgiu em último lugar com míseros 4% da preferência dos eleitores, reflexo natural da impopularidade de um governo esquerdista que afundou o país em uma catastrófica inflação que logo vai ultrapassar a taxa anual de 100%, conduzindo para a miséria absoluta metade da população. A ex-presidente Cristina Kirchner, parceira ideológica e vice de Fernández, apareceu com 13% e o prefeito de Buenos Aires, Ignácio Rodrigues Larreta, tem 9%. Lidera a sondagem, com 20% das intenções de voto, o deputado federal Javier Milei, conhecido como “Bolsonaro da Argentina.” Vem aí a polarização política em ritmo de tango.

6

Corre contra o tempo o grupo técnico criado pelos governos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde se concentra o grosso da avicultura brasileira, para formalizar junto ao Ministério da Agricultura o pedido para transformar os três estados em uma unidade autônoma emergencial autorizada a adotar em seu entorno procedimentos ainda mais rigorosos de controle sanitário diante da ameaça da gripe aviária, que já tem focos identificados em países vizinhos, trazida por aves marítimas migratórias. O atual surto da doença é o mais abrangente de todos os tempos, atinge praticamente todos os continentes e já provocou a morte de centenas de milhões de aves, seja pela própria enfermidade ou abatidas para interromper a cadeia de transmissão. É raro a influenza aviária afetar seres humanos, mas não dá pra brincar em serviço. Esses bichos mudam de ideia a toda hora. Pelo lado econômico, sendo o maior exportador e o segundo maior produtor de carne de frango do mundo, o Brasil sofrerá prejuízos bilionários se o vírus entrar aqui. Melhor nem pensar.

7

“Eu sabia que seria bastante conturbado e eu não queria ser acusado de colaborar com uma forma desastrada de começar aquele governo”, declarou Bolsonaro em entrevista em Orlando ao revelar porque viajou aos Estados Unidos antes da posse do rival. Mas o autoexílio dele na Flórida parece estar chegando ao fim. O ex-presidente anunciou na mesma reportagem que retornará ao Brasil em março para retomar as atividades políticas e liderar os movimentos de direita na oposição a Lula. Prepararem-se para fortes emoções.

8

Da geração de líderes históricos que ergueu o exuberante sistema cooperativista do Oeste do Paraná, Valter Vanzella deixou presidência da Frimesa após 26 anos no cargo e passou o bastão para Elias Zidek, que ocupava o cargo de diretor executivo, culminando um processo sucessório natural e previsível. Juntos, eles fizeram da companhia sediada em Medianeira não apenas uma das maiores indústrias de laticínios e de carne suína do país, mas também uma marca com prestígio nacional e internacional, sinônimo de muitos de seus produtos. Engenheiro-agrônomo de formação, Zidek está na empresa há 45 anos e tem destacada atuação nos movimentos associativistas da região. Com capital acionário controlado pelas cooperativas Lar, Copacol, C.Vale, Copagril e Primato, a Frimesa registrou em 2022 um faturamento de mais de 5,5 bilhões de reais e inaugurou em dezembro, em Assis Chateaubriand, o maior frigorífico de suínos da América Latina. É uma potência que orgulha o agronegócio paranaense.

9

Aviso aos navegantes: a Polícia Federal aumentou consideravelmente o efetivo do seu posto de fiscalização em Santo Antonio do Sudoeste, que faz fronteira seca com o município argentino de San Antonio, para reprimir ali a mais nova rota de passagem ilegal ao território nacional dos festejados vinhos produzidos no país vizinho. O aumento do consumo no Brasil, a desvalorização cambial do peso e a alta qualidade da bebida argentina somam-se para favorecer e estimular o negócio, que cresceu exponencialmente nos últimos anos naquela região, como relata o delegado-chefe da PF em Cascavel, Marco Smith: “Antes apreendíamos carros com porta-malas abarrotados de vinhos. Agora são carregamentos em caminhões.” Um detalhe: o contrabando do néctar dos deuses assumiu o topo do ranking das contravenções entre Brasil e Argentina, deixando para trás o tráfico de lança-perfumes, de munições e de agrotóxicos. Menos mal.

10

Tem currículo polêmico o ex-deputado estadual André Ceciliano, do PT fluminense, chamado por Lula para chefiar a Secretaria de Assuntos Federativos da presidência da República. Pesa contra ele a acusação de ter se apropriado, quando comandava a Assembleia Legislativa do Rio, de parte dos salários dos funcionários do seu gabinete no esquema conhecido como “rachadinha”. Figurando no topo da lista de supostos beneficiários do confisco, Ceciliano teria abocanhado cerca de 50 milhões de reais. A nomeação repercutiu negativamente até entre membros do governo. Ora, ora, companheiros, sejam mais tolerantes. Rachadinha é um deslize para tribunal de pequenas causas perto da roubalheira bilionária da Petrobras que envolveu muitos dos figurões que voltaram a mandar no país. Ou vocês acham que fazem parte de um convento de freiras?

Artigos relacionados

Um Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo