OPINIÃO

A hora da verdade

Dando uma demonstração clara já no início do mandato de que, assim como fez em sua brilhante carreira na magistratura, vai se empenhar em uma guerra sem tréguas contra a bandidagem de colarinho branco, o senador Sergio Moro acaba de requerer o desarquivamento do projeto de lei 166/2018, que altera o Código de Processo Penal para disciplinar a prisão imediata depois da condenação em segunda instância, uma de suas principais promessas de campanha.

Aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em dezembro de 2019, o texto não teve apoio político para entrar na pauta de discussões do Plenário e terminou indo mofar no almoxarifado da Casa.

Para o ex-juiz da Operação Lava Jato é imprescindível que o Congresso retome o tema com a maior brevidade para atender um grande clamor da sociedade, lembrando que, face à decisão do Supremo Tribunal Federal de determinar que a pena só poderá começar a ser cumprida após o trânsito em julgado da sentença, esgotados todos os intermináveis recursos possíveis e imagináveis, “vários criminosos, inclusive pessoas condenadas por corrupção – um crime grave que atenta contra a democracia – foram colocados em liberdade.”

Recorde-se, ainda, que Moro, quando esteve à frente do Ministério da Justiça, tentou a emplacar a proposta em seu Projeto de Lei Anticrime, mas houve fortes resistências no parlamento e a proposição ficou fora do pacote de medidas que endureciam as punições contra a corrupção, o crime organizado e os crimes praticados com grave violência à pessoa.

Vamos ver no andar da carruagem se existem nesta nova legislatura pelo menos 27 senadores sérios, realmente comprometidos em livrar o Brasil da vergonhosa fama de paraíso da impunidade.

O número é o mínimo necessário para trazer o projeto de volta ao debate.

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