OPINIÃO

O jogo é jogado e o lambari é pescado

Saiu Bolsonaro, entrou Lula. Saiu um presidente de direita, entrou um presidente de esquerda.

Sai um governo conservador nos costumes, liberal na economia, apologista da meritocracia, defensor da propriedade privada, da livre iniciativa, do controle dos gastos públicos e do estado mínimo.

Entra um governo liberal nos costumes, intervencionista na economia, propenso ao controle estatal dos meios de produção e ao aumento dos gastos públicos para distribuição de benesses sociais.

Houve uma mudança radical de ideias, princípios e objetivos na condução do país, mas o exercício do poder, de fato e de direito, continua nas mãos do Congresso Nacional, que acaba de reeleger Rodrigo Pacheco e Arthur Lira para as presidências do Senado e da Câmara Federal.

Resultado de atribuições confusas e conflitantes estabelecidas na Constituição de 1988, a democracia brasileira é uma mistura esdrúxula e promíscua de presidencialismo e parlamentarismo, acrescida do ativismo político cada vez mais afrontoso do judiciário.

Feito para não funcionar de forma organizada, harmônica e racional, o sistema propiciou o surgimento do impetuoso Centrão, bloco fisiológico formado por mais de 220 deputados e senadores de diferentes partidos de todos os matizes ideológicos que se unem na defesa de seus interesses pessoais e, em troca de cargos e favores, oferecem sustentação a todos os presidentes da República desde a redemocratização.

Dominando com seu gigantismo a maioria das votações no parlamento, o grupo acaba tomando as rédeas da própria nação.

No frigir dos ovos, em resumo, quem manda no Brasil é o Centrão.

Só manda menos que o Xandão.

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Um Comentário

  1. Novamente o agronegócio deverá manter e sustentar a economia do nosso país. A falta de visão, incentivo e investimento deste governo para o setor mais importante da economia brasileira é lamentável.

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