OPINIÃO

O ovo da serpente

Não podem ser admitidos, sob nenhum pretexto, os atos de vandalismo que deixaram um terrível rastro de destruição nas sedes dos três poderes em Brasília. Nada justifica a depredação do patrimônio público, prejuízo que será arcado com o dinheiro dos nossos impostos para conserto dos estragos, e os danos irreparáveis em móveis históricos e obras de arte raras e valiosas pertencentes ao acervo cultural do Brasil.

São crimes deploráveis, seus autores devem ser identificados e rigorosamente punidos. E ponto final.

Porém, não se deve analisar os eventos de domingo sem olhar para suas causas.

Uma mobilização popular de tal monta (excluindo-se as violências cometidas por arruaceiros infiltrados) não surge espontaneamente da noite para o dia.

Trata-se, nesse caso, do resultado de um longo acúmulo de tensões geradas pela crescente insatisfação de grande parte da população com os rumos da nação, agravada pelo descrédito nas autoridades e por uma eleição presidencial eivada de suspeitas.

Obviamente, por mais legítimo que seja o sentimento de revolta das pessoas, não é desculpa para que elas saiam por aí quebrando tudo o que encontrarem pela frente, mesmo porque está muito claro que não foi isso que fez a esmagadora maioria dos manifestantes que estava na capital federal protestando pacificamente.

O fato é que todo esse calamitoso processo teve início quando o Supremo Tribunal Federal, valendo-se de astucioso cambalacho jurídico, anulou as sentenças contra Lula no bilionário desvio de recursos públicos da Petrobras, permitindo que, mesmo sem tê-lo absolvido das condenações por corrupção e lavagem de dinheiro que o levaram temporariamente à prisão, ele fosse habilitado para concorrer a um terceiro mandato.

Estava, assim, definitivamente consagrada a impunidade do ex-presidente e, por extensão, de dezenas de outros réus da Lava Jato, muitos deles culpados confessos que devolveram parte das fortunas roubadas nos esquemas de ladroagem que quase faliram a estatal.

Da desastrosa decisão do STF produziu-se a imensa indignação que desde então toma conta de milhões de brasileiros.

Foi ali a origem de todos os males que hoje nos afligem.

Depois veio todo o resto em perfeita combinação: um ativismo judicial sem precedentes, que usurpou prerrogativas do executivo e do legislativo para sabotar o governo com o apoio da cobertura facciosa da grande mídia, e, por fim, a atuação tendenciosa do Tribunal Superior Eleitoral com o propósito inequívoco de favorecer a vitória do petista nas urnas eletrônicas.

Sim, são inaceitáveis os ataques ocorridos neste domingo em Brasília contra as três instituições que compõem a República.

Mas é aceitável que a organização criminosa que saqueou bilhões de reais dos cofres públicos nos escândalos do Mensalão e do Petrolão, entre outros, volte a comandar os destinos do Brasil?

 

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