OPINIÃO

Bloco de Notas

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Nas declarações oficiais dos personagens envolvidos na história, aquelas que vão para as manchetes dos jornais, o motivo que levou o presidente Arthur Lira a adiar para a próxima semana a votação na Câmara da PEC do Estouro, que poderá permitir ao futuro governo aumentar gastos em R$ 168 bilhões, foi a necessidade de se construir uma margem segura para aprovação da matéria. Mas a versão que corre nos bastidores, ou seja, a verdadeira, é que a decisão de Lira foi em represália ao fato de Lula ter combinado o jogo só com Rodrigo Pacheco. Em resumo, os senadores definiram o texto de acordo com os seus interesses e mandaram o “prato-feito” aos deputados sem chamar o chefe da Casa para opinar. Com a postergação, Lira sinalizou ao petismo que não está disposto a validar acerto dos outros. Como disse à boca pequena um fiel escudeiro dele, “tem que ajoelhar aqui também.” Fora isso, Lula ainda tem que definir os dois ou três ministérios que terá que entregar ao Centrão se quiser ter governabilidade. Eis a política como ela é.

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Uma das mais matreiras raposas do Congresso Nacional, o senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, foi aliado desde a primeira hora da campanha de Lula, de quem é parceiro antigo, ignorando, e até tentando sabotar, a candidatura de Simone Tebet, que é do seu partido. Mas como Renan não tem papas na língua e não poupa nem os amigos quando algo não é do seu agrado, na sessão conjunta do Congresso Nacional que aprovou novas regras para a distribuição das verbas das Emendas de Relator (que a grande mídia, antes da eleição de Lula, chamava de Orçamento Secreto para fustigar Bolsonaro), ele expôs com veemência a sua contrariedade ao ver a bancada petista apoiar a proposta. Em discurso no plenário, o parlamentar alagoano acusou o PT de demonstrar uma “incoerência brutal” ao encaminhar voto favorável ao projeto. Disse ele: “Conheço a posição do presidente Lula, totalmente contrária à constitucionalidade da RP9 [nome técnico das emendas do orçamento secreto]. O encaminhamento do PT é totalmente incoerente com o que pensa o seu líder, o presidente eleito.” Renan adora botar fogo no parquinho.

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Em um evento prestigiado por mais de 700 convidados, o advogado e consultor Marcio Rodrigo Frizzo será agraciado na noite desta sexta-feira (16) em Maringá com o prêmio Empresário do Ano. Sócio-diretor da Certezza Consultoria e da Frizzo & Feriato Advocacia Empresarial, empresas com escritórios em Maringá, Cascavel e São Paulo, onde atuam mais de 160 colaboradores, ele foi eleito para receber a homenagem por uma comissão julgadora composta por representantes das principais associações do setor produtivo do município. Antes da escolha final, 26 entidades estiveram envolvidas no processo de indicação de até três empresários dos segmentos varejista, atacadista, industrial ou de prestação de serviços, estabelecidos em Maringá, que expandiram seus negócios no último ano e com participação ativa na vida comunitária. Depois disso, os nomes selecionados foram para a segunda fase do processo, com eleição por voto secreto. Tendo atuado por quatro anos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), Marcio tem uma opinião bem consolidada sobre a reforma tributária e por isso não está muito otimista em relação ao futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em função do discurso de priorizar a arrecadação para investimentos em assistência social, em detrimento da responsabilidade fiscal. “Minhas expectativas com ele não são boas. Eu gostaria que o futuro ministro fosse voltado para uma política de eficiência e eficácia tributária. Então meramente uma readequação de aumento de alíquotas principalmente quando nomeia para fazer a reforma tributária um economista, enquanto deveria ser um tributarista, pois um economista vai pensar nas áreas das finanças, não somente na estruturação, na forma e não vai entender essa justa atribuição da reforma tributária”, explica. Enfim, é mais um especialista no assunto prevendo dias pouco alvissareiros para a economia do país.

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Um dos mais atuantes agrupamentos suprapartidários do Congresso Nacional, a Frente Parlamentar da Agropecuária está sob nova direção. Deputado federal reeleito pelo PP do Paraná, Pedro Lupion foi escolhido por unanimidade para presidir a poderosa bancada que reúne mais 300 parlamentares da Câmara e do Senado. Ele vai assumir o cargo em fevereiro, mas já colocou mãos à obra para tentar reverter a má notícia anunciada na prévia do orçamento da União para 2023 que destinou para o Ministério da Agricultura recursos da ordem de 1,5 bilhão de reais, considerados insuficientes até para as demandas básicas da atividade. “Estamos muito preocupados”, afirmou Lupion. “Esse valor não paga nem metade do seguro agrícola que nós precisamos, que dirá o Plano Safra. É uma falta de respeito total com nosso setor que gera emprego, oportunidade e renda em todo o país”. Enquanto isso, a pasta da Cultura, que certamente voltará a ser dominada pelos artistas ricos que adoram se refestelar às custas dos nossos impostos, foi contemplada com a bagatela de 5 bilhões. Pois é, na Roma antiga, os imperadores davam pão e circo para manter os súditos felizes. Pelo que vem aí, a julgar pelo tratamento que se pretende dar ao agro, o povo terá só circo.

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Muito apropriadas para nossas reflexões sobre os tempos de hoje no Brasil, aí vão quatro citações antológicas de Margareth Thatcher, a Dama de Ferro, que reergueu a Inglaterra com um choque de capitalismo, liberalismo econômico, enxugamento do estado e eficiência administrativa:

Não existe dinheiro público. Existe apenas dinheiro do pagador de impostos.

Tentar curar a doença britânica com socialismo era como tentar curar leucemia com sanguessugas.

Todo comunista é um incompetente fracassado que acha sempre que as pessoas de sucesso lhe devem alguma coisa.

O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros.

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