Fala, presidente


Talvez não exista ninguém que já não tenha recebido em suas redes sociais mensagens em textos, áudios e vídeos que divulgam estratégias e articulações que estariam em andamento para culminar em uma intervenção militar no país.
Elas já circulavam antes das eleições, motivadas pelas medidas autoritárias do Supremo Tribunal Federal em sua escalada de usurpação de prerrogativas do executivo e do legislativo, mas ganharam impulso após a vitória (até agora não invalidada) de Lula na disputa presidencial.
Denunciando fraude nas urnas eletrônicas e pregando a anulação do pleito, as postagens trazem recados enigmáticos, convocam protestos, revelam detalhes de planos para evitar que o Brasil volte para as mãos do PT e chegam a anunciar prisões de ministros do STF.
Grande parte delas é de autoria anônima, outras são de nomes conhecidos do cenário político e da imprensa e tem aquelas que usam falsos perfis de autoridades para ter credibilidade.
Contrastando com tamanho barulho, o fato é que o presidente da República permanece recluso e calado há mais de um mês, desde o final do segundo turno.
Por outro lado, o deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara Federal, declarou em uma entrevista nesta semana, com todas as letras, que “o presidente autorizou a transição de poder, a eleição encerrou, haverá a diplomação e a posse dos eleitos.”
Enquanto isso, milhares de apoiadores de Bolsonaro inconformados com a sua derrota permanecem acampados em frente a quartéis e bloqueando rodovias à espera de algo que reverta a situação, mas que provavelmente não virá.
Independente de quais sejam suas expectativas, penso que eles merecem um mínimo de consideração por sua extrema lealdade.
É razão mais do que suficiente para Bolsonaro romper o silêncio, vir a público e dizer-lhes alguma coisa. Qualquer coisa. Ainda que uma só palavra.
Verdades muitas vezes doem, mas sempre libertam.









